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  • Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

    13

    Set
    13/09/2011 às 17h56

    Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

    Assim falou Yehoshua: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no Vale de Ayalon (...) E o Sol se deteve e a Lua parou (...) Não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Sefer Yehoshua)

    Profeta e guerreiro, legislador e juiz, Yehoshua foi o principal discípulo de Moshé Rabeinu. Durante 40 anos permaneceu fielmente ao lado de seu mestre, servindo-o, acompanhando-o, absorvendo seus ensinamentos. Foi a Yehoshua que Moshé transmitiu a Lei Oral que recebera de D’us, no Sinai, incumbindo-o de preservá-la e transmiti-la aos anciãos, e estes, por sua vez, às gerações seguintes. Diz o Talmud que “o rosto de Moshé era como o Sol e o de Yehoshua como a Lua”, pois Yehoshua era o reflexo dos ensinamentos de seu mestre. Esta era a sua grandeza, a razão pela qual D’us o escolhera para dar continuidade à missão de seu antecessor, o maior profeta do Povo Judeu.

    Caberia a Yehoshua liderar a geração que nascera no deserto durante a conquista da Terra de Israel e, a seguir, dividi-la entre as tribos de Israel. Ademais, ele teria que ajudar a moldar uma nova vida para os Bnei Israel, incutindo neles uma verdade fundamental: mantendo-se fiéis à Aliança com D’us e Sua Torá, o Eterno os abençoaria com vitórias e prosperidade. Durante os anos de conquista, ele revela ser um gênio militar, o maior estrategista de toda a história judaica. Considerado um rei, apesar de não ter sido coroado, ele possuía as qualidades de verdadeiro líder do Povo Judeu, que sob seu comando viveu dias de glória.

    Poucas são as informações biográficas disponíveisna Torá sobre Yehoshua bin Nun. Apesar de podermos encontrar mais dados no Midrash e no Talmud, é no Sefer Yehoshua, o primeiro livro dos Profetas, que nos são reveladas sua personalidade e trajetória. A obra de sua própria autoria, com exceção do último trecho que relata sua morte, é, de certa forma, a continuação dos Cinco Livros de Moshé. Nela estão descritos os anos de conquista e assentamento do Povo Judeu na Terra Prometida. O Sefer Yehoshua especifica em várias ocasiões os limites da Terra que D’us prometeu a Israel.

    “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”
     
    Yehoshua, filho de Nun, nasceu no Egito, na tribo de Efraim. Não se sabe o nome de sua mãe nem há qualquer informação sobre sua família. A figura predominante, que mais vai influenciar sua vida, é Moshé, seu mestre. Até seu nome, “Yehoshua”, que, em hebraico, significa “D’us salva” ou “D’us salvará”, foi Moshé quem lhe deu ao adicionar a seu nome original, Hoshea, a letra yud, uma letra do Nome do Eterno. De acordo com o Targun Yonathan, a razão que levou Moshé a mudar-lhe o nome foi sua grande modéstia.

    De estatura imponente e inteligência privilegiada, Yehoshua bin Nun era o melhor dentre os discípulos de Moshé. Nachmânides, Rabi Moshé ben Nachman, aponta a vocalização singular de seu nome na Torá, sugerindo que as duas palavras “bin nun” deveriam ser lidas juntas. O nome, cuja raiz vem da palavra hebraica biná, significa “aquele que compreende”, em respeito à sua aguçada inteligência.

    Yehoshua entra repentinamente na história de nosso povo. Logo após a travessia do Mar Vermelho, quando os Filhos de Israel são atacados por Amalek, Moshé o incumbe de repelir o ataque: “Escolha alguns homens e saia à luta com Amalek; amanhã, estarei sobre o cume da colina com o cajado de D’us em minhas mãos”, diz-lhe (Êxodo,17: 9). De acordo com o Zohar, Moshé sabia que o combate seria realizado em duas frentes – na arena espiritual e no campo de batalha e que a vitória militar só poderia ser obtida se houvesse um triunfo na frente espiritual.

    Yehoshua obedece sem hesitar e, apesar de inexperiente em combates, repele Amalek “com a lâmina da espada”. O futuro sucessor de Moshé revela ser corajoso, leal, confiável e, apesar de sua modéstia, um líder. Diz o Midrash: “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”, pois, como ensina o Talmud, um líder do Povo Judeu não deixa este mundo antes do Eterno ter prepara­do seu sucessor.

    Durante os anos em que Israel permanece no deserto, Yehoshua estará sempre ao lado de Moshé, tão próximos e unidos como podem sê-lo discípulo e mestre. Diz a Torá que Yehoshua “não saía de dentro da Tenda da Reunião” (Ibid, 33:11), a tenda de Moshé. Estava presente quando o mestre falava com o Eterno, quando ensinava a Torá a Israel. Quando D’us ordena a Moshé que suba ao Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, é Yehoshua quem tem o privilégio de acompanhá-lo e o espera no sopé da montanha por 40 dias e 40 noites. Era também ele quem, segundo o Zohar, vigiava e protegia o Tabernáculo.

    A primeira indicação de que Yehoshua sucederá Moshé ocorre alguns dias antes do fatídico episódio dos 12 espiões. Relata a Torá que o espírito da profecia pousará sobre dois anciãos – Eldad e Medad (Números11:26), e eles revelam que “Moshé morrerá e Yehoshua bin Nunirá sucedê-lo, e que será ele quem levará Israel à Terra Prometida e supervisionará sua distribuição”. As palavras dos dois anciãos abalam os judeus, à exceção de Moshé.

    Quando Israel chega à fronteira da Terra Prometida, prestes a entrar, Moshé envia 12 homens – um líder de cada uma das Tribos – em uma missão de espionagem. (Ver artigo na página 6). Entre eles estavam Yehoshua bin Nun e Caleb ben Yefune, em quem Moshé confiava. É nessa ocasião que Moshé muda o nome do discípulo para Yehoshua, para fortalecê-lo, como uma forma de empoderá-lo e também como prece para que “D’us o salve da trama dos espiões”.

    Quarenta dias depois os 12 “espiões” voltam. Dez relatam que a Terra era grandiosa, mas que Israel não teria condições de a conquistar. O Povo Judeu entra em desespero “e chorou naquela noite”. (Números 14:3). Era a noite do nono dia do mês de Av do calendário judaico.

    Apenas Yehoshua e Caleb mantiveram-se resolutos e confiantes. Eles tentam persuadir Israel, mas de nada adiantam suas palavras. Desapontado com a falta de fé de Seu Povo, o Eterno decreta que toda a geração que saíra do Egito, com mais de 20 anos – excetuando-se Yehoshua e Caleb – não entraria em Eretz Israel, devendo perecer no deserto. Durante os 38 anos seguintes o Povo Judeu perambulou no deserto, até perecer toda a geração que deixara o Egito.

    Uma nova geração estava prestes a iniciar a conquista da Terra Prometida quando D’us diz a Moshé que nem ele nem Aaron entrariam em Canaã. Nosso profeta então pede ao Eterno que nomeie um sucessor, “um homem que sai adiante deles e que entre diante deles” (Ibid, 27:17) . Um líder que possa guiá-los com eficácia e vigor, grande amor e ilimitada devoção, alguém que conheça a natureza humana e possa lidar com as divergências de opinião de seus integrantes.

    O Eterno responde à Moshé: “Toma para ti Yehoshua bin Nun”. Coloca tua mão sobre ele (...) diante de toda a congregação (...) E, darás de teu brilho a ele para que lhe obedeçam os Filhos de Israel”. (Ibid, 27:18 até 21). O Midrash compara a transmissão do esplendor de Moshé para Yehoshua à chama de uma vela que pode acender uma outra sem perder sua luz.

    Ao receber uma parte do espírito de Moshé, Yehoshua, “cheio do Espírito da sabedoria”, torna-se condutor da Palavra Divina.Sentia-se, no entanto, indigno para assumir o lugar de Moshé, mas seu mestre o encoraja e lhe diz que quando D’us o encarregara de salvar o povo do Egito ele também tinha recusado, mas, “finalmente aceitei, e tu também aceitarás”.

    Antes de deixar este mundo, Moshé instrui seu amado discípulo perante todo Israel: “Sê forte e corajoso porque tu entrarás com este povo à terra que o Eterno jurou a teus pais dar-lhes e tu os farás herdar. O Eterno é quem vai diante de ti, não te deixará, nem te abandonará, não temas”. (Deuteronômio, 31:6).

    Yehoshua assume a liderança

    A morte de Moshé afetara profundamente o Povo de Israel; aos pés do Monte Nevó a nação órfã estava enlutada. Yehoshua, inconsolável, esquece 300 preceitos e adquire 700 dúvidas. Mas passados os dias de luto o Eterno o sacode de sua dor: “Levanta-te, atravessa o Jordão, tu e todo o povo”. (Sefer Yehoshua, 1:2)

    A missão da qual D’us incumbira Yehoshua era árdua. Ao entrar na terra de Canaã a vida do Povo de Israel passaria por uma mudança radical, pois terminariam os milagres sobrenaturais através dos quais D’us cuidara de seu Povo. Durante 40 anos o alimento descia dos céus, a água brotava de poços que surgiam onde quer que acampassem e uma nuvem os guiava. Mas, assim que entrassem na Terra teriam que lutar para a conquistar e se defender. Eles teriam que produzir seu próprio sustento, os Filhos de Israel passariam a levar uma vida normal, sem, no entanto, esquecer que a fonte de tudo é D’us.

    O Eterno o encoraja, assegurando que ninguém irá resistir-lhe: “Todos os dias de tua vida, como fui com Moshé, serei contigo, não te desampararei e não te deixarei. Sê firme e corajoso, porque tu farás este povo herdar a Terra que jurei dar a teus pais”. (Ibid, 1:5). D’us lhe promete que irá prevalecer sobre as nações canaanitas e que nenhum dentre os Filhos de Israel irá desafiar sua liderança. A união da Nação Judaica em volta de seu líder era primordial para levar Israel à vitória. No entanto, adverte o Eterno, para ser bem-sucedido, ele não deverá se desviar dos mandamentos da Torá que Moshé transmitira a Israel e deverá zelar por seu estudo.

    Entrando em Eretz Israel

    Os Filhos de Israel, acampados em Sitim, em frente a Jericó, a leste do rio Jordão, estavam prestes a entrar em Canaã. A região era, na época, habitada por sete tribos que viviam em cidades fortificadas, cada uma governada por seu próprio “rei”.

    A conquista de Jericó era de vital importância, pois dava acesso a toda Eretz Israel. Yehoshua envia, pois, Phinehas e Caleb para verificar as fortificações e o estado de espírito dos habitantes. Após se infiltrar até as impenetráveis muralhas de Jericó, eles se escondem em uma hospedaria situada junto aos muros.

    O local pertencia a Rahav, uma cortesã de uma beleza extraordinária que lhes revela que os ajudava por saber que D’us prometera aquela terra a Israel e que ninguém podia lutar contra Sua Vontade. Phinehas e Caleb voltam ao acampamento com a informação que Yehoshua queria ouvir, de que “todos os moradores da terra estão aterrorizados diante de nós”. (Ibid, 2:24). O Povo Judeu estava prestes a voltar para a Terra que o Eterno prometera dar como herança a Israel.

    Antes de atravessarem o rio Jordão, D’us revela a Yehoshua que Ele irá realizar milagres para “engrandecê-lo perante os olhos de Israel” (Ibid, 3:7) e consolidar a confiança do povo em seu novo líder. Os milagres seriam uma prova de que o Eterno estava com Israel. Na manhã de 10 de Nissan, com a Arca Sagrada carregada pelos Cohanim, abrindo o caminho, o Povo de Israel chega às margens do rio. Relata o Livro de Yehoshuaque, quando “os pés dos Cohanim que carregavam a Arca, molharam-se na beira da água (...) pararam as águas (...) e se levantaram verticalmente, como uma muralha”. (Ibid, 3: 15 e 16). O leito do rio secou em frente a Jericó e o Povo Judeu passou a pé, a seco, como fizera outrora no Mar Vermelho.

    Em lembrança do milagre que D’us realizara para Seu Povo, 12 grandes pedras retiradas do local onde parou o fluxo do rio, por 12 homens – um de cada tribo – e foram levadas para Guigal. Lá foi erguido um monumento. Guilgal, a primeira parada de Israel no lado ocidental do Jordão, tornou-se a capital da nação durante os 14 anos seguintes.

    No entanto, eles ainda não estavam prontos para tomar posse da Terra, pois precisavam cumprir dois mandamentos: o brit e o sacrifício de Pessach. No deserto, a maioria dos homens não fora circuncidada por causa das condições de vida e do clima árido da região. Yehoshua realiza então, uma circuncisão em massa e, no dia 14 de Nissan, os judeus oferecem o sacrifício pascal e celebram Pessach.

    Logo em seguida, Yehoshua vai para os arredores de Jericó, onde se depara com um guerreiro com uma espada desembainhada na mão. Era um anjo, um “comandante do exército do Eterno”. De acordo com Rashi, era Michael, o anjo protetor de Israel, que o informa que viera para ajudar na conquista de Jericó, e lhe diz que o Todo Poderoso mobilizaria todas as Suas forças a favor de Israel.

    A conquista dos Reinos do Sul

    De acordo com o Talmud, durante sete anos Israel lutou contra os povos que habitavam na região, porém, no Livro de Yehoshua estão registradas apenas cinco de suas inúmeras campanhas militares: as conquistas de Jericó e Ai, a rendição dos guibonitas e as conquistas dos Reinos do Sul e do Norte.

    O primeiro enfrentamento entre Israel e os povos de Canaã ocorreu em Jericó. A estrondosa vitória de Israel, no entanto, não foi o resultado de uma ação militar, pois D’us determinara que a cidade caísse de uma maneira milagrosa. O Todo Poderoso instrui Yehoshua como agir. No decorrer de sete dias todos os guerreiros de Israel, a Arca Sagrada e sete Cohanim tocando sete shofarim rodearam Jericó. O estrondo dos sons visava confundir e assustar os habitantes da cidade sitiada. O número sete representa a presença de D’us na Criação, enquanto que a repetição da sequência desse número e a conseqüente queda das impenetráveis muralhas de Jericó seria uma prova de que Ele estava dando a Terra a Seu povo.

    Nos primeiros seis dias o exército de Yehoshua, a Arca e os Cohanim deram uma única volta e os shofarim tocaram uma única vez. No sétimo dia rodearam a cidade sete vezes e os Cohanim tocaram os shofarim sete vezes. E, quando os Cohanim tocaram pela sétima vez os shofarim, Yehoshua diz ao povo: “Ao ouvir o último toque do shofar, gritai porque o Eterno vos deu a cidade”. (Ibid, 6:16). Ele ordena a destruição de Jericó com tudo o que contém, com uma única exceção – Rahav e todos os que se haviam abrigado em sua casa seriam poupados. Proíbe, também, saques. Os bens do inimigo deviam ser queimados, em oferenda a D’us.

    E ainda adverte que se alguém violasse a proibição poria em perigo todo Israel. Assim que se ouviu no vale o som de Israel, as muralhas de Jericó caíram e o povo, liderado por Yehoshua, conquista a cidade. Os próprios espiões resgataram Rahav e, segundo certas fontes, outras 260 pessoas que ela abrigara. Levada ao acampamento de Israel, ela se converte ao judaísmo e se casa com Yehoshua. Oito profetas, entre eles Jeremias e Baruch, descenderiam dessa união.

    Sem dar descanso ao inimigo, Yehoshua decide atacar Ai, antiga cidade que dominava o planalto central. Mais uma vez, ele envia homens para averiguar o inimigo. Eles voltam com uma avaliação por demais otimista, afirmando não ser necessário que a nação inteira lutasse contra o próximo alvo. No entanto, a pequena tropa destacada para tomar Ai é facilmente repelida pelo inimigo e 36 judeus perdem a vida.

    A derrota abala Israel. Yehoshua sabia que aquilo seria fatal para a moral de seus homens e fortaleceria o inimigo. Arrasado, pergunta à D’us por que Ele abandonara Seu Povo. O Eterno lhe responde que Israel pecara. O erro precisava ser corrigido e que enquanto não o fosse, a Presença Divina permaneceria afastada de toda a Nação.

    Perante toda Israel o culpado e sua transgressão são revelados. Apesar de Yehoshua ter advertido de que nada poderia ser levado como despojo de Jericó, Achan, respeitado membro da tribo de Yehuda, apossara-se de alguns objetos. A ganância de uma única pessoa resultara na derrota de Israel. Punido o culpado e restabelecida a disciplina, Yehoshua planeja cuidadosamente um novo ataque a Ai. D’us lhe reassegura de que a derrota fora temporária e ordena que siga em frente. Mas teria que levar todos seus homens, pois a nação deveria permanecer unida.

    Os arrojados planos de batalha de Yehoshua dão certo e Ai cai em suas mãos. A vitória reabilita o nome e a valentia do Povo Judeu e Yehoshua prova ser brilhante estrategista, além de um valente guerreiro.

    A derrota na primeira batalha, no entanto, terá conseqüências, pois, para os canaanitas, era prova de que Israel não era invencível. Eles se unem para fazer frente a Yehoshua e seu exército.

    Yehoshua faz parar o Sol

    Assim como determina a Torá, antes de dar início às conquistas, Yehoshua apresentara suas condições de paz aos inimigos. Em sua mensagem, afirmava que Israel se preparava para reivindicar sua herança, pedindo, “que partissem pacificamente ou que ficassem aceitando viver sob governo judeu”. Apenas uma das tribos optou por deixar a Terra; o restante decidiu ficar e lutar. Mas, vendo o avanço de Israel, um dos povos, os guibonitas, decidem romper a aliança dos reis canaanitas e fazer um acordo de paz com Yehoshua. Acreditando que o objetivo de Israel era aniquilar todos os povos de Canaã e que era tarde demais para aceitar as condições anteriormente oferecidas, fingem “vir de terras distantes” e fazem um acordo. Eles sabiam que Israel não romperia um compromisso ainda que feito sob falsos pretextos.

    Enfurecidos com os antigos aliados, cinco reis canaanitas atacam Guibon, cujos habitantes pedem socorro a Yehoshua. Ao alvorecer do dia seguinte, ele surge com seu exército no alto dos montes que circundam a cidade sitiada. Tinham percorrido uma jornada de vários dias em apenas uma noite. Surpreendido, o inimigo entra em debandada. Os que não tombaram pelas espadas de Israel foram mortos por uma chuva de pedras que D’us lança sobre eles. A batalha ainda estava sendo travada quando Yehoshua agradece a D’us pelos milagres que acabara de realizar. Em seguida, perante toda Israel, proclama: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no vale de Ayalon”. (Ibid, 10:12). E, como relata o Livro de Yehoshua, “não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Ibid, 10:14). De acordo com o Pirkei de Rabi Eliezer, Yehoshua pediu pelo milagre porque já era sexta-feira à tarde e temia que a batalha fosse estender-se pelo Shabat, eele queria que o dia se prolongasse até Israel completar sua vitória. O milagre era mais uma prova de que D’us lutava ao lado de Israel.

    Derrotados os cinco reis canaanitas, Yehoshua prossegue com suas conquistas. Planejamento cuidadoso, manobras ousadas e um espírito de camaradagem, solidariedade e auto-sacrifício vão conduzir Israel a mais e mais vitórias.

    A conquista dos Reinos do Norte

    Conquistado o sul de Eretz Israel, Yehoshua se volta para o norte. Ao contrário das guerras no sul, relativamente curtas, as do norte foram difíceis e levaram muitos anos, pois a aliança entre os reis do norte resultara na criação de uma poderosa força bélica, em número e mobilização. Mesmo assim não conseguiram fazer frente a Yehoshua e seus homens. Rápidos, audaciosos e imprevisíveis, eles surgiam do nada, surpreendendo o inimigo. Atacavam e derrotavam-nos, prosseguindo até dominar a maior parte de Canaã. Permaneceram em vários enclaves onde ainda habitavam outros povos, mas esses já não ousavam lutar contra Israel.

    Yehoshua bin Nun foi o comandante ideal. Liderava seus homens à guerra gritando “Acharei” – “Sigam-me”. Seus homens lhe devotavam lealdade absoluta. Jamais Israel esteve tão unido quanto sob a sua liderança. Brilhante estrategista, ele permanece imbatível em termos militares. Seu nome consta no Hall of Fame da Academia Militar de West Point como o primeiro e maior estrategista e comandante de campo de nossa civilização. Suas campanhas militares são consideradas verdadeiros manuais de combate, e muitos generais contemporâneos admitem que, não fosse por algumas táticas de Yehoshua, muitas operações em seus países teriam fracassado.

    A divisão da Terra

    Após sete anos de lutas, D’us fez ver a Yehoshua que ele já estava velho para continuar combatendo. Chegara a hora de os “Filhos de Israel receberem sua herança na terra de Canaã”. O Eterno o instrui para distribuir a Terra entre o povo, mesmo os territórios que ainda não haviam sido conquistados, pois era importante que cada tribo soubesse o que era seu de direito. Duas tribos e meio já haviam recebido de Moshé territórios conquistados no lado oriental do Jordão. A tribo de Levi não receberia, como as demais, um território específico, mas cidades espalhadas por toda Eretz Israel, pois sua herança era servir a D’us e ensinar a Torá ao Povo. A distribuição da Terra às outras tribos foi realizada por Yehoshua e Eleazar, o Cohen Gadol, na presença dos líderes de cada tribo, mediante sorteio, e consultando-se o Urim V Turim1, prova de que era D’us, Ele Próprio, Quem determinara qual porção pertencia a cada tribo.

    Desde que haviam entrado em Canaã, o Tabernáculo estava em Guilgal, mas agora que o Povo estava-se assentando em sua Terra, era necessário erguer um centro espiritual e religioso. O local escolhido para erguer o Santuário foi Shiló, no território de Efraim, onde permaneceu por 369 anos.

    Terminada a distribuição das terras, D’us diz a Yehoshua para estabelecer Cidades-refúgio, onde podiam-se abrigar indivíduos que cometessem assassinatos acidentais. E, em seguida, as cidades dos Levitas, num total de 48, incluindo as seis Cidades-refúgio.

    E assim relata o Livro de Yehoshua: “E o Eterno deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais, e a possuíram e habitaram nela. E o Eterno lhes deu descanso de seus inimigos em redor, conforme tudo quanto jurara a seus pais, e nenhum de seus inimigos ficou em pé diante deles.... Nada falhou de todas as coisas boas que o Eterno havia falado à Casa de Israel, tudo se cumpriu”. (Ibid 21:41-43)

    A despedida de Yehoshua

    E foi muito tempo depois que o Eterno deu descanso a Israel. Yehoshua chamou a todo Israel”. (Ibid 23:1). Ele sentia que se aproximava o fim de seus dias e que estava para deixar seu povo amado. Portanto, preocupado em preparar a nação para o futuro sem sua presença, convoca seu povo em duas assembléias. Na primeira ele exorta Israel a preservar a Torá e cumprir seus mandamentos. Ressalta que se concretizaram as promessas que Israel recebera do Eterno e que o povo testemunhara milagres. Diz que já havia distribuído todo o território da Terra e que cabia, então, aos judeus lutar pelo que era seu, podendo contar com a ajuda Divina. Diz-lhes que não devem temer sua morte iminente, pois D’us – e não ele – fora o responsável pelas vitórias de Israel. Seu sucesso não dependera dele, mas da lealdade do povo à Torá. Se eles continuassem fiéis a D’us e a Seus mandamentos, Ele os faria vitoriosos.

    Caso contrário, os canaanitas lá permaneceriam, infligindo amargas consequências sobre eles. Ele sabia que os idólatras que viviam nas terras não conquistadas e aqueles que ainda habitavam entre os judeus constituíam uma ameaça. Exorta-os a serem fortes e guardar todos os mandamentos e prevenir-se contra as influências do meio-ambiente pagão. Yehoshua convoca a segunda assembléia em Shechem (Nablus) para despedir-se de seu povo. Narra-lhes toda a história de Israel desde os dias de Avraham, nosso patriarca, conclamando-os a permanecer firmes em seu pacto de obediência a D’us e à Torá. Entre suas palavras finais, ele os desafia: “Escolham, neste dia de hoje, a quem irão servir, pois eu e minha casa, serviremos a D’us!” (Ibid, 24:150). E todo o povo respondeu, sem hesitação: “Permaneceremos, para sempre, fiéis a nosso D’us e a nossa Torá!”.
    Isso ocorreu no ano de 2516, no 26o ano de liderança de Yehoshua, e dois anos depois, aos 110 anos de idade, ele faleceria. O grande líder foi enterrado em sua propriedade, em Timnat-Serach, no monte Efraim.

    O Livro de Yehoshua termina com um tributo à grandeza de Yehoshua, a “Lua”. O sucessor de Moshé cumprira plenamente sua difícil missão e, no final de sua vida, D’us a ele se refere com o título que havia conferido a seu mestre: “Servo do Eterno”.

    Bibliografia:
    Rabi Scherman, Nosson e Rabi Zlotowitz, Meir, The Rubin Edition of the Prophets: Joshua and Judges,
    The Early Prophets - with a commentary anthologized from the Rabbinic writings, ArtScroll Series
    Rabi Munk, Elie, The Call of the Torah, an anthology of interpretatios and commentary on the Five Books of Moses, Ed. Mesorah Publications
    O Livro de Josué com comentários do Rabino Avraham Blau, Ed. Maayanot
    Wiesel, Elie, Five Biblical Portraits, Ed. University of Notre Dame Press

    1 Peitoral usado pelo Cohen Gadol, onde estava gravado o Nome de D’us e das Tribos. As respostas a questões levantadas eram transmitidas por letras que se iluminavam.

    Fonte: www.morasha.com.br

     

  • Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

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    13/09/2011 às 17h56
    <table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%"><tbody><tr><td height="23"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Nossos Profetas:</td></tr><tr><td width="10" height="2"> </td><td height="2">

    <span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Yehoshua bin Nun

    </td></tr></tbody></table>

    Assim falou Yehoshua: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no Vale de Ayalon (...) E o Sol se deteve e a Lua parou (...) Não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Sefer Yehoshua)

    Profeta e guerreiro, legislador e juiz, Yehoshua foi o principal discípulo de Moshé Rabeinu. Durante 40 anos permaneceu fielmente ao lado de seu mestre, servindo-o, acompanhando-o, absorvendo seus ensinamentos. Foi a Yehoshua que Moshé transmitiu a Lei Oral que recebera de D’us, no Sinai, incumbindo-o de preservá-la e transmiti-la aos anciãos, e estes, por sua vez, às gerações seguintes. Diz o Talmud que “o rosto de Moshé era como o Sol e o de Yehoshua como a Lua”, pois Yehoshua era o reflexo dos ensinamentos de seu mestre. Esta era a sua grandeza, a razão pela qual D’us o escolhera para dar continuidade à missão de seu antecessor, o maior profeta do Povo Judeu.

    Caberia a Yehoshua liderar a geração que nascera no deserto durante a conquista da Terra de Israel e, a seguir, dividi-la entre as tribos de Israel. Ademais, ele teria que ajudar a moldar uma nova vida para os Bnei Israel, incutindo neles uma verdade fundamental: mantendo-se fiéis à Aliança com D’us e Sua Torá, o Eterno os abençoaria com vitórias e prosperidade. Durante os anos de conquista, ele revela ser um gênio militar, o maior estrategista de toda a história judaica. Considerado um rei, apesar de não ter sido coroado, ele possuía as qualidades de verdadeiro líder do Povo Judeu, que sob seu comando viveu dias de glória.

    Poucas são as informações biográficas disponíveisna Torá sobre Yehoshua bin Nun. Apesar de podermos encontrar mais dados no Midrash e no Talmud, é no Sefer Yehoshua, o primeiro livro dos Profetas, que nos são reveladas sua personalidade e trajetória. A obra de sua própria autoria, com exceção do último trecho que relata sua morte, é, de certa forma, a continuação dos Cinco Livros de Moshé. Nela estão descritos os anos de conquista e assentamento do Povo Judeu na Terra Prometida. O Sefer Yehoshua especifica em várias ocasiões os limites da Terra que D’us prometeu a Israel.

    “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”
     
    Yehoshua, filho de Nun, nasceu no Egito, na tribo de Efraim. Não se sabe o nome de sua mãe nem há qualquer informação sobre sua família. A figura predominante, que mais vai influenciar sua vida, é Moshé, seu mestre. Até seu nome, “Yehoshua”, que, em hebraico, significa “D’us salva” ou “D’us salvará”, foi Moshé quem lhe deu ao adicionar a seu nome original, Hoshea, a letra yud, uma letra do Nome do Eterno. De acordo com o Targun Yonathan, a razão que levou Moshé a mudar-lhe o nome foi sua grande modéstia.

    De estatura imponente e inteligência privilegiada, Yehoshua bin Nun era o melhor dentre os discípulos de Moshé. Nachmânides, Rabi Moshé ben Nachman, aponta a vocalização singular de seu nome na Torá, sugerindo que as duas palavras “bin nun” deveriam ser lidas juntas. O nome, cuja raiz vem da palavra hebraica biná, significa “aquele que compreende”, em respeito à sua aguçada inteligência.

    Yehoshua entra repentinamente na história de nosso povo. Logo após a travessia do Mar Vermelho, quando os Filhos de Israel são atacados por Amalek, Moshé o incumbe de repelir o ataque: “Escolha alguns homens e saia à luta com Amalek; amanhã, estarei sobre o cume da colina com o cajado de D’us em minhas mãos”, diz-lhe (Êxodo,17: 9). De acordo com o Zohar, Moshé sabia que o combate seria realizado em duas frentes – na arena espiritual e no campo de batalha e que a vitória militar só poderia ser obtida se houvesse um triunfo na frente espiritual.

    Yehoshua obedece sem hesitar e, apesar de inexperiente em combates, repele Amalek “com a lâmina da espada”. O futuro sucessor de Moshé revela ser corajoso, leal, confiável e, apesar de sua modéstia, um líder. Diz o Midrash: “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”, pois, como ensina o Talmud, um líder do Povo Judeu não deixa este mundo antes do Eterno ter prepara­do seu sucessor.

    Durante os anos em que Israel permanece no deserto, Yehoshua estará sempre ao lado de Moshé, tão próximos e unidos como podem sê-lo discípulo e mestre. Diz a Torá que Yehoshua “não saía de dentro da Tenda da Reunião” (Ibid, 33:11), a tenda de Moshé. Estava presente quando o mestre falava com o Eterno, quando ensinava a Torá a Israel. Quando D’us ordena a Moshé que suba ao Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, é Yehoshua quem tem o privilégio de acompanhá-lo e o espera no sopé da montanha por 40 dias e 40 noites. Era também ele quem, segundo o Zohar, vigiava e protegia o Tabernáculo.

    A primeira indicação de que Yehoshua sucederá Moshé ocorre alguns dias antes do fatídico episódio dos 12 espiões. Relata a Torá que o espírito da profecia pousará sobre dois anciãos – Eldad e Medad (Números11:26), e eles revelam que “Moshé morrerá e Yehoshua bin Nunirá sucedê-lo, e que será ele quem levará Israel à Terra Prometida e supervisionará sua distribuição”. As palavras dos dois anciãos abalam os judeus, à exceção de Moshé.

    Quando Israel chega à fronteira da Terra Prometida, prestes a entrar, Moshé envia 12 homens – um líder de cada uma das Tribos – em uma missão de espionagem. (Ver artigo na página 6). Entre eles estavam Yehoshua bin Nun e Caleb ben Yefune, em quem Moshé confiava. É nessa ocasião que Moshé muda o nome do discípulo para Yehoshua, para fortalecê-lo, como uma forma de empoderá-lo e também como prece para que “D’us o salve da trama dos espiões”.

    Quarenta dias depois os 12 “espiões” voltam. Dez relatam que a Terra era grandiosa, mas que Israel não teria condições de a conquistar. O Povo Judeu entra em desespero “e chorou naquela noite”. (Números 14:3). Era a noite do nono dia do mês de Av do calendário judaico.

    Apenas Yehoshua e Caleb mantiveram-se resolutos e confiantes. Eles tentam persuadir Israel, mas de nada adiantam suas palavras. Desapontado com a falta de fé de Seu Povo, o Eterno decreta que toda a geração que saíra do Egito, com mais de 20 anos – excetuando-se Yehoshua e Caleb – não entraria em Eretz Israel, devendo perecer no deserto. Durante os 38 anos seguintes o Povo Judeu perambulou no deserto, até perecer toda a geração que deixara o Egito.

    Uma nova geração estava prestes a iniciar a conquista da Terra Prometida quando D’us diz a Moshé que nem ele nem Aaron entrariam em Canaã. Nosso profeta então pede ao Eterno que nomeie um sucessor, “um homem que sai adiante deles e que entre diante deles” (Ibid, 27:17) . Um líder que possa guiá-los com eficácia e vigor, grande amor e ilimitada devoção, alguém que conheça a natureza humana e possa lidar com as divergências de opinião de seus integrantes.

    O Eterno responde à Moshé: “Toma para ti Yehoshua bin Nun”. Coloca tua mão sobre ele (...) diante de toda a congregação (...) E, darás de teu brilho a ele para que lhe obedeçam os Filhos de Israel”. (Ibid, 27:18 até 21). O Midrash compara a transmissão do esplendor de Moshé para Yehoshua à chama de uma vela que pode acender uma outra sem perder sua luz.

    Ao receber uma parte do espírito de Moshé, Yehoshua, “cheio do Espírito da sabedoria”, torna-se condutor da Palavra Divina.Sentia-se, no entanto, indigno para assumir o lugar de Moshé, mas seu mestre o encoraja e lhe diz que quando D’us o encarregara de salvar o povo do Egito ele também tinha recusado, mas, “finalmente aceitei, e tu também aceitarás”.

    Antes de deixar este mundo, Moshé instrui seu amado discípulo perante todo Israel: “Sê forte e corajoso porque tu entrarás com este povo à terra que o Eterno jurou a teus pais dar-lhes e tu os farás herdar. O Eterno é quem vai diante de ti, não te deixará, nem te abandonará, não temas”. (Deuteronômio, 31:6).

    Yehoshua assume a liderança

    A morte de Moshé afetara profundamente o Povo de Israel; aos pés do Monte Nevó a nação órfã estava enlutada. Yehoshua, inconsolável, esquece 300 preceitos e adquire 700 dúvidas. Mas passados os dias de luto o Eterno o sacode de sua dor: “Levanta-te, atravessa o Jordão, tu e todo o povo”. (Sefer Yehoshua, 1:2)

    A missão da qual D’us incumbira Yehoshua era árdua. Ao entrar na terra de Canaã a vida do Povo de Israel passaria por uma mudança radical, pois terminariam os milagres sobrenaturais através dos quais D’us cuidara de seu Povo. Durante 40 anos o alimento descia dos céus, a água brotava de poços que surgiam onde quer que acampassem e uma nuvem os guiava. Mas, assim que entrassem na Terra teriam que lutar para a conquistar e se defender. Eles teriam que produzir seu próprio sustento, os Filhos de Israel passariam a levar uma vida normal, sem, no entanto, esquecer que a fonte de tudo é D’us.

    O Eterno o encoraja, assegurando que ninguém irá resistir-lhe: “Todos os dias de tua vida, como fui com Moshé, serei contigo, não te desampararei e não te deixarei. Sê firme e corajoso, porque tu farás este povo herdar a Terra que jurei dar a teus pais”. (Ibid, 1:5). D’us lhe promete que irá prevalecer sobre as nações canaanitas e que nenhum dentre os Filhos de Israel irá desafiar sua liderança. A união da Nação Judaica em volta de seu líder era primordial para levar Israel à vitória. No entanto, adverte o Eterno, para ser bem-sucedido, ele não deverá se desviar dos mandamentos da Torá que Moshé transmitira a Israel e deverá zelar por seu estudo.

    Entrando em Eretz Israel

    Os Filhos de Israel, acampados em Sitim, em frente a Jericó, a leste do rio Jordão, estavam prestes a entrar em Canaã. A região era, na época, habitada por sete tribos que viviam em cidades fortificadas, cada uma governada por seu próprio “rei”.

    A conquista de Jericó era de vital importância, pois dava acesso a toda Eretz Israel. Yehoshua envia, pois, Phinehas e Caleb para verificar as fortificações e o estado de espírito dos habitantes. Após se infiltrar até as impenetráveis muralhas de Jericó, eles se escondem em uma hospedaria situada junto aos muros.

    O local pertencia a Rahav, uma cortesã de uma beleza extraordinária que lhes revela que os ajudava por saber que D’us prometera aquela terra a Israel e que ninguém podia lutar contra Sua Vontade. Phinehas e Caleb voltam ao acampamento com a informação que Yehoshua queria ouvir, de que “todos os moradores da terra estão aterrorizados diante de nós”. (Ibid, 2:24). O Povo Judeu estava prestes a voltar para a Terra que o Eterno prometera dar como herança a Israel.

    Antes de atravessarem o rio Jordão, D’us revela a Yehoshua que Ele irá realizar milagres para “engrandecê-lo perante os olhos de Israel” (Ibid, 3:7) e consolidar a confiança do povo em seu novo líder. Os milagres seriam uma prova de que o Eterno estava com Israel. Na manhã de 10 de Nissan, com a Arca Sagrada carregada pelos Cohanim, abrindo o caminho, o Povo de Israel chega às margens do rio. Relata o Livro de Yehoshuaque, quando “os pés dos Cohanim que carregavam a Arca, molharam-se na beira da água (...) pararam as águas (...) e se levantaram verticalmente, como uma muralha”. (Ibid, 3: 15 e 16). O leito do rio secou em frente a Jericó e o Povo Judeu passou a pé, a seco, como fizera outrora no Mar Vermelho.

    Em lembrança do milagre que D’us realizara para Seu Povo, 12 grandes pedras retiradas do local onde parou o fluxo do rio, por 12 homens – um de cada tribo – e foram levadas para Guigal. Lá foi erguido um monumento. Guilgal, a primeira parada de Israel no lado ocidental do Jordão, tornou-se a capital da nação durante os 14 anos seguintes.

    No entanto, eles ainda não estavam prontos para tomar posse da Terra, pois precisavam cumprir dois mandamentos: o brit e o sacrifício de Pessach. No deserto, a maioria dos homens não fora circuncidada por causa das condições de vida e do clima árido da região. Yehoshua realiza então, uma circuncisão em massa e, no dia 14 de Nissan, os judeus oferecem o sacrifício pascal e celebram Pessach.

    Logo em seguida, Yehoshua vai para os arredores de Jericó, onde se depara com um guerreiro com uma espada desembainhada na mão. Era um anjo, um “comandante do exército do Eterno”. De acordo com Rashi, era Michael, o anjo protetor de Israel, que o informa que viera para ajudar na conquista de Jericó, e lhe diz que o Todo Poderoso mobilizaria todas as Suas forças a favor de Israel.

    A conquista dos Reinos do Sul

    De acordo com o Talmud, durante sete anos Israel lutou contra os povos que habitavam na região, porém, no Livro de Yehoshua estão registradas apenas cinco de suas inúmeras campanhas militares: as conquistas de Jericó e Ai, a rendição dos guibonitas e as conquistas dos Reinos do Sul e do Norte.

    O primeiro enfrentamento entre Israel e os povos de Canaã ocorreu em Jericó. A estrondosa vitória de Israel, no entanto, não foi o resultado de uma ação militar, pois D’us determinara que a cidade caísse de uma maneira milagrosa. O Todo Poderoso instrui Yehoshua como agir. No decorrer de sete dias todos os guerreiros de Israel, a Arca Sagrada e sete Cohanim tocando sete shofarim rodearam Jericó. O estrondo dos sons visava confundir e assustar os habitantes da cidade sitiada. O número sete representa a presença de D’us na Criação, enquanto que a repetição da sequência desse número e a conseqüente queda das impenetráveis muralhas de Jericó seria uma prova de que Ele estava dando a Terra a Seu povo.

    Nos primeiros seis dias o exército de Yehoshua, a Arca e os Cohanim deram uma única volta e os shofarim tocaram uma única vez. No sétimo dia rodearam a cidade sete vezes e os Cohanim tocaram os shofarim sete vezes. E, quando os Cohanim tocaram pela sétima vez os shofarim, Yehoshua diz ao povo: “Ao ouvir o último toque do shofar, gritai porque o Eterno vos deu a cidade”. (Ibid, 6:16). Ele ordena a destruição de Jericó com tudo o que contém, com uma única exceção – Rahav e todos os que se haviam abrigado em sua casa seriam poupados. Proíbe, também, saques. Os bens do inimigo deviam ser queimados, em oferenda a D’us.

    E ainda adverte que se alguém violasse a proibição poria em perigo todo Israel. Assim que se ouviu no vale o som de Israel, as muralhas de Jericó caíram e o povo, liderado por Yehoshua, conquista a cidade. Os próprios espiões resgataram Rahav e, segundo certas fontes, outras 260 pessoas que ela abrigara. Levada ao acampamento de Israel, ela se converte ao judaísmo e se casa com Yehoshua. Oito profetas, entre eles Jeremias e Baruch, descenderiam dessa união.

    Sem dar descanso ao inimigo, Yehoshua decide atacar Ai, antiga cidade que dominava o planalto central. Mais uma vez, ele envia homens para averiguar o inimigo. Eles voltam com uma avaliação por demais otimista, afirmando não ser necessário que a nação inteira lutasse contra o próximo alvo. No entanto, a pequena tropa destacada para tomar Ai é facilmente repelida pelo inimigo e 36 judeus perdem a vida.

    A derrota abala Israel. Yehoshua sabia que aquilo seria fatal para a moral de seus homens e fortaleceria o inimigo. Arrasado, pergunta à D’us por que Ele abandonara Seu Povo. O Eterno lhe responde que Israel pecara. O erro precisava ser corrigido e que enquanto não o fosse, a Presença Divina permaneceria afastada de toda a Nação.

    Perante toda Israel o culpado e sua transgressão são revelados. Apesar de Yehoshua ter advertido de que nada poderia ser levado como despojo de Jericó, Achan, respeitado membro da tribo de Yehuda, apossara-se de alguns objetos. A ganância de uma única pessoa resultara na derrota de Israel. Punido o culpado e restabelecida a disciplina, Yehoshua planeja cuidadosamente um novo ataque a Ai. D’us lhe reassegura de que a derrota fora temporária e ordena que siga em frente. Mas teria que levar todos seus homens, pois a nação deveria permanecer unida.

    Os arrojados planos de batalha de Yehoshua dão certo e Ai cai em suas mãos. A vitória reabilita o nome e a valentia do Povo Judeu e Yehoshua prova ser brilhante estrategista, além de um valente guerreiro.

    A derrota na primeira batalha, no entanto, terá conseqüências, pois, para os canaanitas, era prova de que Israel não era invencível. Eles se unem para fazer frente a Yehoshua e seu exército.

    Yehoshua faz parar o Sol

    Assim como determina a Torá, antes de dar início às conquistas, Yehoshua apresentara suas condições de paz aos inimigos. Em sua mensagem, afirmava que Israel se preparava para reivindicar sua herança, pedindo, “que partissem pacificamente ou que ficassem aceitando viver sob governo judeu”. Apenas uma das tribos optou por deixar a Terra; o restante decidiu ficar e lutar. Mas, vendo o avanço de Israel, um dos povos, os guibonitas, decidem romper a aliança dos reis canaanitas e fazer um acordo de paz com Yehoshua. Acreditando que o objetivo de Israel era aniquilar todos os povos de Canaã e que era tarde demais para aceitar as condições anteriormente oferecidas, fingem “vir de terras distantes” e fazem um acordo. Eles sabiam que Israel não romperia um compromisso ainda que feito sob falsos pretextos.

    Enfurecidos com os antigos aliados, cinco reis canaanitas atacam Guibon, cujos habitantes pedem socorro a Yehoshua. Ao alvorecer do dia seguinte, ele surge com seu exército no alto dos montes que circundam a cidade sitiada. Tinham percorrido uma jornada de vários dias em apenas uma noite. Surpreendido, o inimigo entra em debandada. Os que não tombaram pelas espadas de Israel foram mortos por uma chuva de pedras que D’us lança sobre eles. A batalha ainda estava sendo travada quando Yehoshua agradece a D’us pelos milagres que acabara de realizar. Em seguida, perante toda Israel, proclama: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no vale de Ayalon”. (Ibid, 10:12). E, como relata o Livro de Yehoshua, “não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Ibid, 10:14). De acordo com o Pirkei de Rabi Eliezer, Yehoshua pediu pelo milagre porque já era sexta-feira à tarde e temia que a batalha fosse estender-se pelo Shabat, eele queria que o dia se prolongasse até Israel completar sua vitória. O milagre era mais uma prova de que D’us lutava ao lado de Israel.

    Derrotados os cinco reis canaanitas, Yehoshua prossegue com suas conquistas. Planejamento cuidadoso, manobras ousadas e um espírito de camaradagem, solidariedade e auto-sacrifício vão conduzir Israel a mais e mais vitórias.

    A conquista dos Reinos do Norte

    Conquistado o sul de Eretz Israel, Yehoshua se volta para o norte. Ao contrário das guerras no sul, relativamente curtas, as do norte foram difíceis e levaram muitos anos, pois a aliança entre os reis do norte resultara na criação de uma poderosa força bélica, em número e mobilização. Mesmo assim não conseguiram fazer frente a Yehoshua e seus homens. Rápidos, audaciosos e imprevisíveis, eles surgiam do nada, surpreendendo o inimigo. Atacavam e derrotavam-nos, prosseguindo até dominar a maior parte de Canaã. Permaneceram em vários enclaves onde ainda habitavam outros povos, mas esses já não ousavam lutar contra Israel.

    Yehoshua bin Nun foi o comandante ideal. Liderava seus homens à guerra gritando “Acharei” – “Sigam-me”. Seus homens lhe devotavam lealdade absoluta. Jamais Israel esteve tão unido quanto sob a sua liderança. Brilhante estrategista, ele permanece imbatível em termos militares. Seu nome consta no Hall of Fame da Academia Militar de West Point como o primeiro e maior estrategista e comandante de campo de nossa civilização. Suas campanhas militares são consideradas verdadeiros manuais de combate, e muitos generais contemporâneos admitem que, não fosse por algumas táticas de Yehoshua, muitas operações em seus países teriam fracassado.

    A divisão da Terra

    Após sete anos de lutas, D’us fez ver a Yehoshua que ele já estava velho para continuar combatendo. Chegara a hora de os “Filhos de Israel receberem sua herança na terra de Canaã”. O Eterno o instrui para distribuir a Terra entre o povo, mesmo os territórios que ainda não haviam sido conquistados, pois era importante que cada tribo soubesse o que era seu de direito. Duas tribos e meio já haviam recebido de Moshé territórios conquistados no lado oriental do Jordão. A tribo de Levi não receberia, como as demais, um território específico, mas cidades espalhadas por toda Eretz Israel, pois sua herança era servir a D’us e ensinar a Torá ao Povo. A distribuição da Terra às outras tribos foi realizada por Yehoshua e Eleazar, o Cohen Gadol, na presença dos líderes de cada tribo, mediante sorteio, e consultando-se o Urim V Turim1, prova de que era D’us, Ele Próprio, Quem determinara qual porção pertencia a cada tribo.

    Desde que haviam entrado em Canaã, o Tabernáculo estava em Guilgal, mas agora que o Povo estava-se assentando em sua Terra, era necessário erguer um centro espiritual e religioso. O local escolhido para erguer o Santuário foi Shiló, no território de Efraim, onde permaneceu por 369 anos.

    Terminada a distribuição das terras, D’us diz a Yehoshua para estabelecer Cidades-refúgio, onde podiam-se abrigar indivíduos que cometessem assassinatos acidentais. E, em seguida, as cidades dos Levitas, num total de 48, incluindo as seis Cidades-refúgio.

    E assim relata o Livro de Yehoshua: “E o Eterno deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais, e a possuíram e habitaram nela. E o Eterno lhes deu descanso de seus inimigos em redor, conforme tudo quanto jurara a seus pais, e nenhum de seus inimigos ficou em pé diante deles.... Nada falhou de todas as coisas boas que o Eterno havia falado à Casa de Israel, tudo se cumpriu”. (Ibid 21:41-43)

    A despedida de Yehoshua

    E foi muito tempo depois que o Eterno deu descanso a Israel. Yehoshua chamou a todo Israel”. (Ibid 23:1). Ele sentia que se aproximava o fim de seus dias e que estava para deixar seu povo amado. Portanto, preocupado em preparar a nação para o futuro sem sua presença, convoca seu povo em duas assembléias. Na primeira ele exorta Israel a preservar a Torá e cumprir seus mandamentos. Ressalta que se concretizaram as promessas que Israel recebera do Eterno e que o povo testemunhara milagres. Diz que já havia distribuído todo o território da Terra e que cabia, então, aos judeus lutar pelo que era seu, podendo contar com a ajuda Divina. Diz-lhes que não devem temer sua morte iminente, pois D’us – e não ele – fora o responsável pelas vitórias de Israel. Seu sucesso não dependera dele, mas da lealdade do povo à Torá. Se eles continuassem fiéis a D’us e a Seus mandamentos, Ele os faria vitoriosos.

    Caso contrário, os canaanitas lá permaneceriam, infligindo amargas consequências sobre eles. Ele sabia que os idólatras que viviam nas terras não conquistadas e aqueles que ainda habitavam entre os judeus constituíam uma ameaça. Exorta-os a serem fortes e guardar todos os mandamentos e prevenir-se contra as influências do meio-ambiente pagão. Yehoshua convoca a segunda assembléia em Shechem (Nablus) para despedir-se de seu povo. Narra-lhes toda a história de Israel desde os dias de Avraham, nosso patriarca, conclamando-os a permanecer firmes em seu pacto de obediência a D’us e à Torá. Entre suas palavras finais, ele os desafia: “Escolham, neste dia de hoje, a quem irão servir, pois eu e minha casa, serviremos a D’us!” (Ibid, 24:150). E todo o povo respondeu, sem hesitação: “Permaneceremos, para sempre, fiéis a nosso D’us e a nossa Torá!”.
    Isso ocorreu no ano de 2516, no 26o ano de liderança de Yehoshua, e dois anos depois, aos 110 anos de idade, ele faleceria. O grande líder foi enterrado em sua propriedade, em Timnat-Serach, no monte Efraim.

    O Livro de Yehoshua termina com um tributo à grandeza de Yehoshua, a “Lua”. O sucessor de Moshé cumprira plenamente sua difícil missão e, no final de sua vida, D’us a ele se refere com o título que havia conferido a seu mestre: “Servo do Eterno”.

    Bibliografia:
    Rabi Scherman, Nosson e Rabi Zlotowitz, Meir, The Rubin Edition of the Prophets: Joshua and Judges,
    The Early Prophets - with a commentary anthologized from the Rabbinic writings, ArtScroll Series
    Rabi Munk, Elie, The Call of the Torah, an anthology of interpretatios and commentary on the Five Books of Moses, Ed. Mesorah Publications
    O Livro de Josué com comentários do Rabino Avraham Blau, Ed. Maayanot
    Wiesel, Elie, Five Biblical Portraits, Ed. University of Notre Dame Press

    1 Peitoral usado pelo Cohen Gadol, onde estava gravado o Nome de D’us e das Tribos. As respostas a questões levantadas eram transmitidas por letras que se iluminavam.

    Fonte: www.morasha.com.br

     

  • O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER!

    18

    Nov
    18/11/2009 às 00h30
    O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER!

    a) O judaísmo começa com Abrahão, que reconheceu um D-us como Criador do Universo.

    b) A Teoria do Big Bang, aceita pela maioria dos cientistas da atualidade, está em consonância com o ensinamento judaico de que o Universo passou a existir do nada e de uma hora para outra.

    c) O judaísmo insiste que D-us, o Criador, é somente Um – uma crença no monoteísmo que rejeita os muitos deuses das religiões pagãs, os dois do dualismo e os três componentes da trindade cristã.

    d) O judaísmo acredita que D-us, o Criador, é também em um Deus Misericordioso – um D-us que mantém uma relação pessoal com todas as suas criaturas.

    e) O judaísmo acredita que D-us é bom por definição segundo o monoteísmo ético, o Criador Todo-Poderoso opta por se guiar voluntariamente somente pelos princípios da verdade, bondade e justiça.

    f) Os dois nomes hebraicos para D-us traduzidos a língua portuguesa como Eterno e D-us se referem a duas qualidades combinadas harmonicamente: o atributo mais feminino da bondade e o mais masculino, da justiça escrita.

    g) Uma prova absoluta da existência de D-us não é possível nem desejável, por que isso poderia eliminar a crença o judaísmo aceita a certeza da existência de D-us como a mais lógica entre as alternativas possíveis.

    100% digitado para o grupo Shavei Israel em Recife

    Ricardo de Albuquerque Crasto.

    Rabino Benjamin Blech – O mais completo guia sobre judaísmo.

    Contato: ricardocrasto@gmail.com

    www.shaveiisraelemrecife.xpg.com.br

    **** JUDAÍSMO MESSIÂNICO NÃO EXISTE ***



  • PARASHA - MASSÊ

    24

    Jul
    24/07/2009 às 10h40
    TEXTO BÍBLICO

    Moshe nos prescreveu a Torah por herança da congregação de Yaakov (Dt 33.4)

    PARASHÁ - HAFTARÁ - TEHILIM
    PARASHÁ
    MASSEI
    Nm 33:1 - 36:13


    Nm 33
    1 São estas as caminhadas dos filhos de Israel que saíram da terra do Egito, segundo os seus exércitos, sob as ordens de Moisés e Arão. 2 Escreveu Moisés as suas saídas, caminhada após caminhada, conforme o mandado do ETERNO e são estas as suas caminhadas, segundo as suas saídas: 3 partiram, pois, de Ramessés no décimo quinto dia do primeiro mês no dia seguinte ao da Páscoa, saíram os filhos de Israel, corajosamente, aos olhos de todos os egípcios, 4 enquanto estes sepultavam todos os seus primogênitos, a quem o ETERNO havia ferido entre eles também contra os deuses executou o ETERNO juízos. 5 Partidos, pois, os filhos de Israel de Ramessés, acamparam-se em Sucote. 6 E partiram de Sucote e acamparam-se em Etã, que está no fim do deserto. 7 E partiram de Etã, e voltaram a Pi-Hairote, que está defronte de Baal-Zefom, e acamparam-se diante de Migdol. 8 E partiram de Pi-Hairote, passaram pelo meio do mar ao deserto e, depois de terem andado caminho de três dias no deserto de Etã, acamparam-se em Mara. 9 E partiram de Mara e vieram a Elim. Em Elim, havia doze fontes de águas e setenta palmeiras e acamparam-se ali. 10 E partiram de Elim e acamparam-se junto ao mar Vermelho 11 partiram do mar Vermelho e acamparam-se no deserto de Sim 12 partiram do deserto de Sim e acamparam-se em Dofca 13 partiram de Dofca e acamparam-se em Alus 14 partiram de Alus e acamparam-se em Refidim, porém não havia ali água, para que o povo bebesse 15 partiram de Refidim e acamparam-se no deserto do Sinai 16 partiram do deserto do Sinai e acamparam-se em Quibrote-Hataavá 17 partiram de Quibrote-Hataavá e acamparam-se em Hazerote 18 partiram de Hazerote e acamparam-se em Ritma 19 partiram de Ritma e acamparam-se em Rimom-Perez 20 partiram de Rimom-Perez e acamparam-se em Libna 21 partiram de Libna e acamparam-se em Rissa 22 partiram de Rissa e acamparam-se em Queelata 23 partiram de Queelata e acamparam-se no monte Sefer 24 partiram do monte Sefer e acamparam-se em Harada 25 partiram de Harada e acamparam-se em Maquelote 26 partiram de Maquelote e acamparam-se em Taate 27 partiram de Taate e acamparam-se em Tera 28 partiram de Tera e acamparam-se em Mitca 29 partiram de Mitca e acamparam-se em Hasmona 30 partiram de Hasmona e acamparam-se em Moserote 31 partiram de Moserote e acamparam-se em Benê-Jaacã 32 partiram de Benê-Jaacã e acamparam-se em Hor-Hagidgade 33 partiram de Hor-Hagidgade e acamparam-se em Jotbatá 34 partiram de Jotbatá e acamparam-se em Abrona 35 partiram de Abrona e acamparam-se em Eziom-Geber 36 partiram de Eziom-Geber e acamparam-se no deserto de Zim, que é Cades 37 partiram de Cades e acamparam-se no monte Hor, na fronteira da terra de Edom. 38 Então, Arão, o sacerdote, subiu ao monte Hor, segundo o mandado do ETERNO e morreu ali, no quinto mês do ano quadragésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês. 39 Era Arão da idade de cento e vinte e três anos, quando morreu no monte Hor. 40 Então, ouviu o cananeu, rei de Arade, que habitava o Sul da terra de Canaã, que chegavam os filhos de Israel. 41 E partiram do monte Hor e acamparam-se em Zalmona 42 partiram de Zalmona e acamparam-se em Punom 43 partiram de Punom e acamparam-se em Obote 44 partiram de Obote e acamparam-se em Ijé-Abarim, no limite de Moabe 45 partiram de Ijé-Abarim e acamparam-se em Dibom-Gade 46 partiram de Dibom-Gade e acamparam-se em Almom-Diblataim 47 partiram de Almom-Diblataim e acamparam-se nos montes de Abarim, defronte de Nebo 48 partiram dos montes de Abarim e acamparam-se nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó. 49 E acamparam-se junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim, nas campinas de Moabe. 50 Disse o ETERNO a Moisés, nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó: 51 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando houverdes passado o Jordão para a terra de Canaã, 52 desapossareis de diante de vós todos os moradores da terra, destruireis todas as pedras com figura e também todas as suas imagens fundidas e deitareis abaixo todos os seus ídolos 53 tomareis a terra em possessão e nela habitareis, porque esta terra, eu vo-la dei para a possuirdes 54 herdareis a terra por sortes, segundo as vossas famílias à tribo mais numerosa dareis herança maior à pequena, herança menor. Onde lhe cair a sorte, esse lugar lhe pertencerá herdareis segundo as tribos de vossos pais. 55 Porém, se não desapossardes de diante de vós os moradores da terra, então, os que deixardes ficar ser-vos-ão como espinhos nos vossos olhos e como aguilhões nas vossas ilhargas e vos perturbarão na terra em que habitardes. 56 E será que farei a vós outros como pensei fazer-lhes a eles. Nm 34 1 Disse mais o ETERNO a Moisés: 2 Dá ordem aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra de Canaã, será esta a que vos cairá em herança: a terra de Canaã, segundo os seus limites. 3 A região sul vos será desde o deserto de Zim até aos limites de Edom e o limite do sul vos será desde a extremidade do mar Salgado para o lado oriental. 4 Este limite vos irá rodeando do sul para a subida de Acrabim e passará até Zim e as suas saídas serão do sul a Cades-Barnéia e sairá a Hazar-Adar e passará a Azmom. 5 Rodeará mais este limite de Azmom até ao ribeiro do Egito e as suas saídas serão para o lado do mar. 6 Por vosso limite ocidental tereis o mar Grande este vos será a fronteira do ocidente. 7 Este vos será o limite do norte: desde o mar Grande marcareis ao monte Hor. 8 Desde o monte Hor marcareis até à entrada de Hamate e as saídas deste limite serão até Zedade 9 dali, seguirá até Zifrom, e as suas saídas serão em Hazar-Enã este vos será o limite do norte. 10 E, por limite do lado oriental, marcareis de Hazar-Enã até Sefã. 11 O limite descerá desde Sefã até Ribla, para o lado oriental de Aim depois, descerá este e irá ao longo da borda do mar de Quinerete para o lado oriental 12 descerá ainda ao longo do Jordão, e as suas saídas serão no mar Salgado esta vos será a terra, segundo os limites de seu contorno. 13 Moisés deu ordem aos filhos de Israel, dizendo: Esta é a terra que herdareis por sortes, a qual o ETERNO mandou dar às nove tribos e à meia tribo. 14 Porque a tribo dos filhos dos rubenitas, segundo a casa de seus pais, e a tribo dos filhos dos gaditas, segundo a casa de seus pais, já receberam também a meia tribo de Manassés já recebeu a sua herança. 15 Estas duas tribos e meia receberam a sua herança deste lado do Jordão, na altura de Jericó, do lado oriental. 16 Disse mais o ETERNO a Moisés: 17 São estes os nomes dos homens que vos repartirão a terra por herança: Eleazar, o sacerdote, e Josué, filho de Num. 18 Tomareis mais de cada tribo um príncipe, para repartir a terra em herança. 19 São estes os nomes dos homens: da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné 20 da tribo dos filhos de Simeão, Samuel, filho de Amiúde 21 da tribo de Benjamim, Elidade, filho de Quislom 22 da tribo dos filhos de Dã, o príncipe Buqui, filho de Jogli 23 dos filhos de José, da tribo dos filhos de Manassés, o príncipe Haniel, filho de Éfode 24 da tribo dos filhos de Efraim, o príncipe Quemuel, filho de Siftã 25 da tribo dos filhos de Zebulom, o príncipe Elizafã, filho de Parnaque 26 da tribo dos filhos de Issacar, o príncipe Paltiel, filho de Azã 27 da tribo dos filhos de Aser, o príncipe Aiúde, filho de Selomi 28 da tribo dos filhos de Naftali, o príncipe Pedael, filho de Amiúde. 29 A estes o ETERNO ordenou que repartissem a herança pelos filhos de Israel, na terra de Canaã. Nm 35 1 Disse mais o ETERNO a Moisés, nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó: 2 Dá ordem aos filhos de Israel que, da herança da sua possessão, dêem cidades aos levitas, em que habitem e também, em torno delas, dareis aos levitas arredores para o seu gado. 3 Terão eles estas cidades para habitá-las porém os seus arredores serão para o gado, para os rebanhos e para todos os seus animais. 4 Os arredores das cidades que dareis aos levitas, desde o muro da cidade para fora, serão de mil côvados em redor. 5 Fora da cidade, do lado oriental, medireis dois mil côvados do lado sul, dois mil côvados do lado ocidental, dois mil côvados e do lado norte, dois mil côvados, ficando a cidade no meio estes lhes serão os arredores das cidades. 6 Das cidades, pois, que dareis aos levitas, seis haverá de refúgio, as quais dareis para que, nelas, se acolha o homicida além destas, lhes dareis quarenta e duas cidades. 7 Todas as cidades que dareis aos levitas serão quarenta e oito cidades, juntamente com os seus arredores. 8 Quanto às cidades que derdes da herança dos filhos de Israel, se for numerosa a tribo, tomareis muitas se for pequena, tomareis poucas cada um dará das suas cidades aos levitas, na proporção da herança que lhe tocar. 9 Disse mais o ETERNO a Moisés: 10 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando passardes o Jordão para a terra de Canaã, 11 escolhei para vós outros cidades que vos sirvam de refúgio, para que, nelas, se acolha o homicida que matar alguém involuntariamente. 12 Estas cidades vos serão para refúgio do vingador do sangue, para que o homicida não morra antes de ser apresentado perante a congregação para julgamento. 13 As cidades que derdes serão seis cidades de refúgio para vós outros. 14 Três destas cidades dareis deste lado do Jordão e três dareis na terra de Canaã cidades de refúgio serão. 15 Serão de refúgio estas seis cidades para os filhos de Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio deles, para que, nelas, se acolha aquele que matar alguém involuntariamente. 16 Todavia, se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro, e este morrer, é homicida o homicida será morto. 17 Ou se alguém ferir a outrem, com pedra na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida o homicida será morto. 18 Ou se alguém ferir a outrem com instrumento de pau que tiver na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida o homicida será morto. 19 O vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á. 20 Se alguém empurrar a outrem com ódio ou com mau intento lançar contra ele alguma coisa, e ele morrer, 21 ou, por inimizade, o ferir com a mão, e este morrer, será morto aquele que o feriu é homicida o vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á. 22 Porém, se o empurrar subitamente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento, sem mau intento, 23 ou, não o vendo, deixar cair sobre ele alguma pedra que possa causar-lhe a morte, e ele morrer, não sendo ele seu inimigo, nem o tendo procurado para o mal, 24 então, a congregação julgará entre o matador e o vingador do sangue, segundo estas leis, 25 e livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e o fará voltar à sua cidade de refúgio, onde se tinha acolhido ali, ficará até à morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o santo óleo. 26 Porém, se, de alguma sorte, o homicida sair dos limites da sua cidade de refúgio, onde se tinha acolhido, 27 e o vingador do sangue o achar fora dos limites dela, se o vingador do sangue matar o homicida, não será culpado do sangue. 28 Pois deve ficar na sua cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote porém, depois da morte deste, o homicida voltará à terra da sua possessão. 29 Estas coisas vos serão por estatuto de direito a vossas gerações, em todas as vossas moradas. 30 Todo aquele que matar a outrem será morto conforme o depoimento das testemunhas mas uma só testemunha não deporá contra alguém para que morra. 31 Não aceitareis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte antes, será ele morto. 32 Também não aceitareis resgate por aquele que se acolher à sua cidade de refúgio, para tornar a habitar na sua terra, antes da morte do sumo sacerdote. 33 Assim, não profanareis a terra em que estais porque o sangue profana a terra nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela for derramado, senão com o sangue daquele que o derramou. 34 Não contaminareis, pois, a terra na qual vós habitais, no meio da qual eu habito pois eu, o ETERNO, habito no meio dos filhos de Israel.



    Nm 36
    1 Chegaram os cabeças das casas paternas da família dos filhos de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, das famílias dos filhos de José, e falaram diante de Moisés e diante dos príncipes, cabeças das casas paternas dos filhos de Israel, 2 e disseram: O ETERNO ordenou a meu senhor que dê esta terra por sorte em herança aos filhos de Israel e a meu senhor foi ordenado pelo ETERNO que a herança do nosso irmão Zelofeade se desse a suas filhas. Porém, casando-se elas com algum dos filhos das outras tribos dos filhos de Israel, então, a sua herança seria diminuída da herança de nossos pais e acrescentada à herança da tribo a que vierem pertencer assim, se tiraria da nossa herança que nos tocou em sorte. 4 Vindo também o Ano do Jubileu dos filhos de Israel, a herança delas se acrescentaria à herança da tribo daqueles a que vierem pertencer assim, a sua herança será tirada da tribo de nossos pais. 5 Então, Moisés deu ordem aos filhos de Israel, segundo o mandado do ETERNO, dizendo: A tribo dos filhos de José fala o que é justo. 6 Esta é a palavra que o ETERNO mandou acerca das filhas de Zelofeade, dizendo: Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo de seu pai. 7 Assim, a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo pois os filhos de Israel se hão de vincular cada um à herança da tribo de seus pais. 8 Qualquer filha que possuir alguma herança das tribos dos filhos de Israel se casará com alguém da família da tribo de seu pai, para que os filhos de Israel possuam cada um a herança de seus pais. 9 Assim, a herança não passará de uma tribo a outra pois as tribos dos filhos de Israel se hão de vincular cada uma à sua herança. 10 Como o ETERNO ordenara a Moisés, assim fizeram as filhas de Zelofeade, 11 pois Macla, Tirza, Hogla, Milca e Noa, filhas de Zelofeade, se casaram com os filhos de seus tios paternos. 12 Casaram-se nas famílias dos filhos de Manassés, filho de José, e a herança delas permaneceu na tribo da família de seu pai. 13 São estes os mandamentos e os juízos que ordenou o ETERNO, por intermédio de Moisés, aos filhos de Israel nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó.



    HAFTARAH DE MASSEI

    Jr 2:4-28 3:4



    4 Ouvi a palavra do ETERNO, ó casa de Jacó e todas as famílias da casa de Israel. 5 Assim diz o ETERNO: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos, 6 e sem perguntarem: Onde está o ETERNO, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum? 7 Eu vos introduzi numa terra fértil, para que comêsseis o seu fruto e o seu bem mas, depois de terdes entrado nela, vós a contaminastes e da minha herança fizestes abominação. 8 Os sacerdotes não disseram: Onde está o ETERNO? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito. 9 Portanto, ainda pleitearei convosco, diz o ETERNO, e até com os filhos de vossos filhos pleitearei. 10 Passai às terras do mar de Chipre e vede mandai mensageiros a Quedar, e atentai bem, e vede se jamais sucedeu coisa semelhante. 11 Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito. 12 Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o ETERNO. 13 Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. 14 Acaso, é Israel escravo ou servo nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? 15 Os leões novos rugiram contra ele, levantaram a voz da terra dele fizeram uma desolação as suas cidades estão queimadas, e não há quem nelas habite. 16 Até os filhos de Mênfis e de Tafnes te pastaram o alto da cabeça. 17 Acaso, tudo isto não te sucedeu por haveres deixado o ETERNO, teu D-us, quando te guiava pelo caminho? 18 Agora, pois, que lucro terás indo ao Egito para beberes as águas do Nilo ou indo à Assíria para beberes as águas do Eufrates? 19 A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o ETERNO, teu D-us, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o ETERNO dos Exércitos. 20 Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías. 21 Eu mesmo te plantei como vide excelente, da semente mais pura como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, como de vide brava? 22 Pelo que ainda que te laves com salitre e amontoes potassa, continua a mácula da tua iniqüidade perante mim, diz o D-us ETERNO. 23 Como podes dizer: Não estou maculada, não andei após os baalins? Vê o teu rasto no vale, reconhece o que fizeste, dromedária nova de ligeiros pés, que andas ziguezagueando pelo caminho 24 jumenta selvagem, acostumada ao deserto e que, no ardor do cio, sorve o vento. Quem a impediria de satisfazer ao seu desejo? Os que a procuram não têm de fatigar-se no mês dela a acharão. 25 Guarda-te de que os teus pés andem desnudos e a tua garganta tenha sede. Mas tu dizes: Não, é inútil porque amo os estranhos e após eles irei. 26 Como se envergonha o ladrão quando o apanham, assim se envergonham os da casa de Israel eles, os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas, 27 que dizem a um pedaço de madeira: Tu és meu pai e à pedra: Tu me geraste. Pois me viraram as costas e não o rosto mas, em vindo a angústia, dizem: Levanta-te e livra-nos. 28 Onde, pois, estão os teus deuses, que para ti mesmo fizeste? Eles que se levantem se te podem livrar no tempo da tua angústia porque os teus deuses, ó Judá, são tantos como as tuas cidades.



    Jr 3
    4 Não é fato que agora mesmo tu me invocas, dizendo: Pai meu, tu és o amigo da minha mocidade?



    MASSEI

    Sl 49



    1 Povos todos, escutai isto dai ouvidos, moradores todos da terra, 2 tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres. 3 Os meus lábios falarão sabedoria, e o meu coração terá pensamentos judiciosos. 4 Inclinarei os ouvidos a uma parábola, decifrarei o meu enigma ao som da harpa. 5 Por que hei de eu temer nos dias da tribulação, quando me salteia a iniqüidade dos que me perseguem, 6 dos que confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam? 7 Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a D-us o seu resgate 8 (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.), 9 para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova 10 porquanto vê-se morrerem os sábios e perecerem tanto o estulto como o inepto, os quais deixam a outros as suas riquezas. 11 O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações chegam a dar seu próprio nome às suas terras. 12 Todavia, o homem não permanece em sua ostentação é, antes, como os animais, que perecem. 13 Tal proceder é estultícia deles assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. 14 Como ovelhas são postos na sepultura a morte é o seu pastor eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome a sepultura é o lugar em que habitam. 15 Mas D-us remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. 16 Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa 17 pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. 18 Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, 19 irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. 20 O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.











    Porção Semanal: Massê - Bereshit 47:28 - 49:






    36:13) inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo judeu durante seus quarenta anos no deserto, começando com seu Êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão. Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá delineia as fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol. Após estabelecer os parâmetros para as várias categorias de assassinato, o livro Bamidbar conclui com informação mais completa a respeito das filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.





    Mensagem da Parashá



    Uma rota para o equilíbrio
    por Rabi Yonason Goldson

    DO povo judeu é único no sentido de ser verdadeiramente um, não uma coleção de indivíduos juntando-se para formar uma nação, mas uma única alma coletiva dividida em entidades separadas. Cada um tem uma identidade definindo seu papel especial como parte integral do todo. Assim como o corpo humano não funciona adequadamente a menos que cada parte faça seu trabalho, assim também a neshamá judaica coletiva adoece quando os indivíduos que a compõem não cumprem suas responsabilidades. E quando o corpo não está bem, todas suas partes sofrem. O poder e responsabilidade a nós confiados por D'us são impressionantes, e as conseqüências de nossas falhas são potencialmente desastrosas. O Criador, em Sua infinita sabedoria, entendeu que a maioria de nós inevitavelmente tropeçaria de vez em quando durante nossa passagem pela vida neste mundo, portanto Ele construiu em Seu plano da criação um plano de emergência: quando uma pessoa tropeça, outra pode ajudá-la quando algum judeu danifica o universo por agir de forma irrefletida ou descuidada, outro judeu pode reparar seu dano. Aqueles tsadikim, os justos que mergulham no estudo e prática da Torá de D'us, são a equipe da reparação. Ao atingirem níveis ainda mais elevados de entendimento e observância através de sua sensibilidade a cada nuance e entonação das palavras da Torá, retificam os enganos cometidos pelo restante de nós, e nos guiam em direção a um maior entendimento de nós mesmos, para que não erremos novamente. Nas palavras da porção desta semana da Torá há uma sutil alusão a estas idéias. Quando alguém reconta suas viagens, normalmente diz que viajou a um determinado lugar e lá permaneceu. A Torá, entretanto, ao recontar as jornadas dos filhos de Israel, emprega um fraseado estranho, sem mencionar chegada alguma. Além disso, a lista começa declarando: "E Moshê escreveu as suas saídas, conforme as suas jornadas… e essas são suas jornadas conforme as suas saídas." (Bamidbar 33:2) além da aparente inconsistência e redundância, o próprio significado do versículo é evasivo. As palavras deste versículo contêm o seguinte significado alegórico: em nossas jornadas pela vida, como as viagens dos filhos de Israel pelo deserto, às vezes "viajamos" para fora do caminho que D'us preparou para nós, e nos tornamos perdidos em um deserto espiritual. Nestes momentos, os justos dentre nós "saem" para retificar o que fizemos pela sua persistência pessoal no estudo e prática da Torá, guiam-nos de volta ao caminho certo pelo exemplo que estabelecem. Dessa maneira, após "nos afastarmos" de um lugar, eles "acampam" no próximo, significando que eles restabelecem o balanço celestial do universo, e restauram a direção do povo judeu à sua correta orientação.

    Quem são estes tsadikim?

    Ninguém deveria ficar satisfeito com suas conquistas, dizem nossos sábios, até que tenha atingido o nível de nossos antepassados Avraham, Yitschac e Yaacov. Esta não é uma tarefa impossível? Assustadora, talvez, mas não impossível, pois os sábios com suas palavras pretendiam transmitir-nos que assim como os Patriarcas aperfeiçoaram-se ao perceber o completo potencial que D'us lhes concedeu, assim também seremos como eles se desenvolvermos ao máximo nosso potencial. Dessa maneira, pedimos três vezes ao dia ao Criador em nossas preces para "colocar nosso quinhão junto deles – os justos – para sempre". Ele nos guie e nos ajude a desenvolvermo-nos até o limite de nosso potencial, para que possamos ser contados juntos com os justos neste mundo e no vindouro.









    Moshê e os locais do acampamento

    D’us ordenou a Moshê: "Anote o nome de cada lugar onde Benê Yisrael acampou durante os 40 anos em que caminhou pelo deserto." O primeiro nome que Moshê escreveu foi "Ramsés." Nesta cidade egípcia, Benê Yisrael havia se reunido para começar a jornada pelo deserto. De Ramsés, tinham seguido a um local no deserto chamado Sukot. Por que era chamado de Sukot? Está relacionado à palavra Lechassot, cobrir, porque em Sucot, D’us cobriu Benê Yisrael com as nuvens da glória. Moshê continuou a anotar o nome de cada lugar onde Benê Yisrael tinha acampado. A lista completa abrangia 42 locais, terminando com "as planícies de Moav." Por que D’us desejava estes nomes registrados na Torá

    Por que D’us pediu a Moshê que listasse todas as paradas feitas por Benê Yisrael? Que interesse poderiam ter para as futuras gerações?

    Eis aqui algumas respostas:

    1. Após o pecado dos espiões, D’us puniu a geração de Moshê com quarenta anos vagando pelo deserto. Poderíamos pensar que D’us forçou os judeus a vagar constantemente. Por isso D’us disse a Moshê que registrasse todos os locais em que acamparam, para nos mostrar que Benê Yisrael freqüentemente acampava e descansava. Repousaram em 14 locais antes que pecassem com os espiões. Desconte estes da lista total de 42 locais. Teremos então que, após o decreto de D’us e permanecer no deserto por 40 anos, eles passaram por apenas 28 lugares. Destes 28, subtraímos outros 8 lugares pelos quais Benê Yisrael viajaram no quadragésimo ano, após a morte de Aharon. (Estes oito não faziam parte de suas caminhadas pelo contrário, foram erros de Benê Yisrael). Após a morte de Aharon, estavam tão temerosos dos ataques inimigos que retrocederam oito paradas.) Assim, restam 20 lugares, nos quais acamparam durante um período de 38 anos. (O pecado dos espiões ocorreu no segundo ano.) Em outras palavras, os judeus puderam parar e descansar, em média, dois anos em cada local. Desta forma percebemos que quando D’us decreta uma punição, Ele o faz com misericórdia. Ao lermos na Torá esta lista de locais entendemos melhor isso. Sabemos também que os judeus de nada sentiam falta, enquanto viajavam pelo deserto. D’us lhes fornecia o maná, água do Poço de Miriam, além de rodeá-los com nuvens de glória.

    Os tsadikim entre Benê Yisrael nunca tiveram que "vagar." Como viajavam?

    As nuvens de glória que se espalhavam sob Benê Yisrael os carregavam. Eram transportados por estas nuvens, sem nenhum esforço de sua parte. 2. Quando gerações posteriores de Benê Yisrael estivessem morando em Erets Yisrael, leriam a lista de locais de acampamento na Torá. Cada local foi assim denominado devido a algum evento que lá acontecera.

    Por exemplo, um pai leria o nome do local: Dafca. Diria então aos filhos:

    "Ouçam, crianças! Em Dafca, D’us fez cair o maná do céu para nossos antepassados! Eles estavam num deserto árido onde nada crescia, e ficaram preocupados. Onde conseguiriam alimento? Mas D’us lhes forneceu. Este local foi chamado Dafca porque os corações do Povo de Israel batem ansiosamente devido à falta de alimento." (A tradução da palavra dofec é bater.) E quando o pai pronunciasse o nome Ritma, diria aos filhos: "Este local foi chamado Ritma porque foi lá que os espiões falaram lashon hará sobre Erets Yisrael."

    Lashon hará é comparado à madeira da piaçava (Ritma). Por que?

    O Midrash explica:

    A assombrosa qualidade da madeira da piaçava

    Dois viajantes no deserto descansavam sob uma moita de piaçavas. Cortaram alguns dos galhos, e prepararam um fogo para cozinhar sua comida. Um ano depois, passaram pelo mesmo local novamente. "Olhe, este é o local onde paramos no ano passado!" um mostrou ao outro. "Vamos descansar aqui outra vez!" Pisaram sobre as cinzas de sua antiga fogueira com os pés descalços, pois não tinham sapatos. De repente, sentiram os pés chamuscados! Os carvões da piaçava ainda estavam quentes por dentro, embora não se pudesse imaginar isso apenas os olhando. "Como é fantástica esta madeira de piaçava! Ainda está incandescente após um ano inteiro!" observou um deles. Agora podemos entender por que nossos sábios comparavam lashon hará à madeira da piaçava. Se alguém dá ouvidos ao lashon hará sobre outra pessoa, pode aparentemente esquecer. Mas enraizado em sua mente, o lashon hará ainda "continua incandescente" seu efeito perverso perdura por muito tempo. Como os espiões haviam falado lashon hará, e Benê Yisrael o tinham aceitado, este local foi chamado "Ritma", lembrando-nos da madeira da piaçava. Destes exemplos, vemos que o nome de cada local de acampamento é importante. Toda vez que um judeu o ler, lembrará das maravilhas que D’us ali realizou, ou algum incidente ocorrido com Benê Yisrael.



    3. O Midrash oferece uma outra razão:
    Estes locais merecem uma menção honrosa porque acomodaram os judeus durante suas caminhadas. Foram honrados, embora lugares não tenham vontade própria. Isto nos ensina a grande recompensa da hospitalidade. Se um judeu, por livre escolha, abre sua casa a alguém que precisa de alimento e um local para dormir, muito mais D’us o honrará!











    Vivendo Com o Rebe





    A porção Massê começa: "Estas são as jornadas…" enumerando as quarenta e duas viagens dos Filhos de Israel, desde quando saíram do Egito até chegar ao Jordão, perto de Jericó. (Yarden Yericho). O fraseado da Torá, no entanto, levanta uma questão óbvia. Usou apenas uma jornada "da terra do Egito". Por que então a forma plural de "estas são as jornadas?" O termo Mitzrayim (Egito) deriva da palavra meytzarim (restrições). Mitzrayim, portanto, refere-se não somente a um país específico mas também a uma condição de confinamento, tanto físico quanto espiritual. O termo Yericho deriva da palavra rei'ach (cheiro). Alude também a Mashiach, sobre quem se diz: "veharicho (Ele o deixará perfumado) com o temor a D’us…" (Yeshayahu 11:3). Assim Mashiach é chamado "moir'ach veda'in – ele está apto a julgar uma pessoa meramente pelo seu 'cheiro' (Sanhedrin 93b). As 42 jornadas, portanto, dizem respeito aos 42 estados de deixar Mitzrayim (restrições pessoais ou nacionais e confinamentos), antes que cheguemos à verdadeira e suprema liberdade de Yericho, a redenção messiânica. O êxodo do Egito físico foi realmente uma liberação, mas somente relativa à escravidão prévia. Em termos de nossa meta suprema não foi ainda a verdadeira e total liberdade. Cada uma das 42 jornadas representava uma progressão adicional, um ascensão libertadora relativa ao estado precedente. Em termos do nível final e mais elevado a ser atingido, no entanto, este permanecia uma forma de Mitzrayim. O termo "jornadas" (no plural) assim, nos ensina que devemos sempre pressionar, progredir e ascender, independentemente de realizações passadas. Nós somos, e permanecemos, no Mitzrayim, de uma forma ou de outra, até que cheguemos a Yarden Yericho – a liberdade de Mashiach – brevemente em nossos dias.


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    Extraído de Living with Mashiach, por Rabi Immanuel Schochet, adaptado das palestras do Rebe





    A Terra Santa…onde você está





    Um chassid certa vez perguntou ao Tsêmach Tsêdek, Rabi Menachem Mendel, terceiro Rebe de Chabad-Lubavitch, se deveria estabelecer-se na Terra de Israel. O Tsêmach Tsêdek replicou: "Transforme o local onde você está em Terra Santa." O que significa essa resposta? Para responder, devemos primeiro entender o que é Erets Yisrael, a Terra Santa. A Terra Santa é um lugar onde a Divindade, a santidade e o Judaísmo são abertamente revelados. Num sentido supremo, isso será realizado na Era Messiânica, quando o Templo Sagrado será reconstruído e a observância de todos os mandamentos associados com a santidade da terra serão restaurados. Esta é a essência da Era Messiânica. O relacionamento entre o homem e D’us não será mais baseado somente na fé, mas também será nutrido por uma percepção direta da Presença de D’us aqui na terra. O cenário físico do mundo não mudará na Era da Redenção. O que será diferente é nosso conhecimento e percepção de D’us. A diretiva "Transforme este local em Terra Santa" significa que todo indivíduo deve e pode atrair a Divindade à sua vida e ao seu ambiente. Cada um de nós deveria saber que seu "lugar", ou seja, cada dimensão de nosso ambiente e cada momento do tempo que vivemos pode ser transformado na Terra Santa, num local onde a Divindade seja abertamente revelada.





    A vida como ela é



    A vida como ela é

    O irmão mais novo de minha mulher casou-se na semana passada, e observando o jovem casal arrumando o novo lar lembrou-se de todas aquelas etapas da vida quando dizemos a nós mesmos: "Ok, agora está começando. Agora é pra valer." Quando terminamos o Ensino Médio – é aí que a vida começa. Então percebemos que não é bem assim primeiro temos que conseguir um diploma, primeiro precisamos nos casar, mas então nossos amigos casados sorriem e dizem: "Isso não é nada, estão apenas brincando de casinha, espere até nascer o primeiro filho, então vocês entenderão o que é a vida." Porém estamos ainda trabalhando para deslanchar a carreira, e quando conseguimos isso percebemos que os planos realmente sérios terão de esperar até que as crianças cresçam e possam cuidar de si mesmas, e então é apenas uma questão de sobreviver àqueles anos que faltam para a aposentadoria, para que possamos começar a viver. O Lubavitcher Rebe promoveu certa vez um farbrenguen (reunião chassídica) em honra de um grupo de chassidim que estava voltando naquela noite para seus lares em Israel. Conforme a noite avançava, aumentava o número de participantes que lançava um olhar ao relógio na parede. O avião deveria decolar em algumas horas, e ainda precisavam fazer as malas e cuidar dos assuntos de última hora. Percebendo sua ansiedade, o Rebe sorriu e contou a seguinte história: Foi na metade da década de 1920, nos tenebrosos dias da tentativa bolchevique para desenraizar a fé judaica na Rússia Soviética. O sogro do Rebe, Rabi Yossef Yitschak Schneersohn, que liderava a rede subterrânea destinada a manter vivo o judaísmo, era constantemente vigiado pela Yevsektzia e NKVD (Polícia Secreta), que o seguiam onde quer que ele fosse. Todos sabiam que era apenas uma questão de tempo antes que agarrassem sua presa. "Certa noite, bem tarde" – relatou o Rebe – "entrei no estúdio de meu sogro em seu apartamento em Leningrado. Por várias horas, ele estivera recebendo pessoas em yechidut (audiência privada entre o Rebe e um chassid) – uma tarefa física e espiritualmente extenuante para um Rebe. Em mais ou menos meia hora, ele teria de sair para a estação de trens, onde pegaria um trem rumo a Moscou para uma reunião com um homem de negócios estrangeiro com a finalidade de conseguir fundos para apoiar sua obra. Desnecessário dizer, encontrar com um cidadão estrangeiro – um 'capitalista' - especialmente para os propósitos mencionados, era extremamente perigoso naqueles dias, muitos perderam a vida por 'crimes' bem menores. "Para minha grande surpresa, encontrei meu sogro trabalhando calmamente em sua mesa, arrumando seus papéis, como se estivesse em meio a um dia normal de trabalho. Não havia sinal do cansaço de passar várias horas escutando pessoas com os dilemas mais dolorosos e pessoais, e nenhum sinal do fato de que em meia hora ele estaria saindo para a estação numa missão perigosa. Não pude conter-me e perguntei-lhe: ‘Sei que o Chassidismo Chabad é baseado no princípio de que a mente governa o coração. Sei a espécie de educação que o senhor recebeu e como foi treinado no auto-sacrifício pelos judeus e pelo judaísmo. Mas a este ponto? Poder sentar-se à mesa numa hora dessas, como se não houvesse nada mais em seus planos?’ Como resposta, Rabi Yossef Yitschak disse ao genro: "Não podemos fazer nossos dias mais longos, nem podemos adicionar horas a nossas noites. Porém, podemos maximizar nosso aproveitamento do tempo, considerando cada segmento de tempo como um mundo em si mesmo. Quando devotamos uma porção de tempo – seja uma hora, um dia ou um minuto – a uma determinada tarefa, devemos nos concentrar totalmente naquilo que estamos fazendo, como se não existisse mais nada no mundo." O ensinamento do Chassidismo Chabad devota muita discussão à qualidade de penimyut. O que é penimyut? A palavra mais aproximada que temos é "interioridade". Penimyut significa integridade, profundidade e consistência. É o oposto de superficialidade e equivocação. O conhecimento não pode ser separado da experiência, e conhecimento e experiência não podem se apartar da ação. Você jamais encontrará partes do penimi – seu cérebro, seu coração, suas ações - ao contrário, encontrará sempre a pessoa completa ali. O penimi não pensa simplesmente um pensamento, vivencia um sentimento, faz uma ação – ele os vive. Quando ele devota uma parcela de tempo – seja uma jornada, uma hora, um dia, um minuto – a uma determinada tarefa, está totalmente investido naquilo que está fazendo, como se nada mais existisse no mundo. Isso não equivale a dizer que vive indiscriminadamente. Pelo contrário é profundamente consciente das diferenças entre coisas importantes e coisas de menor importância, entre meios e fins, entre jornadas e destinos. Mas esteja envolvido no que for, está completamente ali. Nunca está simplesmente "fazendo" ou "livrando-se de alguma coisa". Quando se aplica a algo, está totalmente investido em fazer aquilo a que se propôs. A leitura da Torá desta semana inclui o registro, por Moshê, das 42 'jornadas' dos israelitas pelo deserto – quarenta e duas jornadas que, segundo Rabi Yisrael Báal Shem Tov, são revividas na jornada pessoal de cada indivíduo durante a vida. As 42 jornadas são, evidentemente, fases e estágios de uma jornada maior – o progresso desde os confins do Egito até a Terra Prometida. Mas cada uma é também uma entidade em si mesma – a Torá as chama de "jornadas" (massaot), não "estações". Não estamos aqui para passar pela vida, a Torá está nos dizendo: "Estamos aqui para vivê-la!"


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    Por Yanki Tauber, baseado nos ensinamentos









    Porção Semanal: Massê

    Versículo 33:1



    Estas são as jornadas dos filhos de Israel



    Nosso capítulo se inicia: "Estas são as jornadas dos filhos de Israel." Entretanto, prossegue para contar os 42 acampamentos nos quais eles pararam durante sua caminhada pelo Deserto do Sinai! Porém estes acampamentos não foram um fim em si mesmos, apenas estações ao longo do caminho e meios para levar a nação de Israel em direção à sua meta de chegar à Terra Prometida. Por isso, as próprias paradas são chamadas de "jornadas."



    Rabi Menachem Mendel Schneerson, Lubavitcher Rebe



    O chassid e o tolo da Feira de Leipzig



    Certa vez, Rabi Hillel de Paritch foi dominado por um intenso desejo de passar o Shabat com seu Rebe, Rabi Menachem Mendel de Lubavitch. Mas realizar este desejo era uma outra história: a semana já estava adiantada, e a distância entre Babroisk (onde Reb Hillel morava na época) e Lubavitch era enorme. Parecia não haver meios de conseguir chegar ao Rebe em tempo para o Shabat. Mas então um jovem chassid ofereceu-se para fazer a viagem. Seu cintilante coche novo e os soberbos cavalos dariam conta do recado, insistiu ele. Entretanto, o tempo era de suprema importância, e Rabi Hillel deveria aceitar duas condições: viajariam pela auto estrada (geralmente, Reb Hillel recusava-se a fazer uso da estrada pavimentada, pois esta fora construída pelo perverso czar Nikolai) e Rabi Hillel não passaria muito tempo em suas preces.

    Devido às circunstâncias, Reb Hillel concordou.

    Naquela noite, dormiram em uma estalagem à beira da estrada. Pela manhã, o jovem rezou, fez seu desjejum e então procurou Reb Hillel. Ainda rezando. Pouco depois procurou-o novamente – a mesma coisa. Passaram-se as horas, e o chassid mais velho continuava a abrir seu coração perante o Criador. Quando Reb Hillel finalmente terminou, seu companheiro de viagem estava bastante aborrecido. "Não entendo – o senhor queria passar o Shabat com o Rebe, e prometeu apressar-se com as preces. Agora nossas chances de chegar a Lubavitch em tempo estão arruinadas!" Reb Hillel respondeu: "Vamos dizer que você desejasse viajar à Feira de Leipzig para adquirir uma mercadoria rara, que não se encontra em nenhum outro lugar. Mas no caminho encontra outro mercador, que está oferecendo os mesmos artigos a um preço muito bom. Apenas um tolo diria: 'Mas preciso ir a Leipzig!' O objetivo da viagem não é uma cidade ou outra, mas a mercadoria desejada. "Por que uma pessoa procuraria o Rebe, se não fosse pelo seu conselho sobre 'o serviço do coração'? Se não for para aprender como despertar a pessoa ao amor e reverência a D'us em oração? Portanto, se no caminho para Lubavitch minha prece tem sucesso, eu deveria dispensar a mercadoria e correr para Leipzig?"









    Shabat, Kuguel e lição em altas finanças

    por Steve Hyatt



    O Shabat no Chabad ao norte de Nevada, localizado no centro da "Maior Cidadezinha do Mundo", Reno, é sempre uma ocasião festiva e alegre. Desde o frango assado até o kugel de batatas de dar água na boca, Rebetsin Sarah Cunin agrada nossas papilas gustativas com muitas das melhores iguarias do Shabat. Lembro-me de um Shabat em especial há alguns meses. Sexta-feira à noite fomos festejar com os deliciosos quitutes da Rebetsin. No dia seguinte, Rabi Mendel Cunin liderou nossa crescente congregação durante um animado serviço matinal de Shabat, após o qual todos se reuniram para compartilhar e apreciar juntos um maravilhoso kidush. Entre suntuosos pedaços de bobka de chocolate e transbordantes colheradas de cholent fumegante (cozido que é mantido quente durante todo o Shabat), discutimos as verdadeiras alegrias do Shabat e as leis pertinentes à proibição de trabalhar neste dia especial. A maioria de nós estava confusa sobre a definição de trabalho, e o que pode ou não pode ser feito no Shabat. Aprendemos que trabalho é definido como as tarefas associadas com a construção do santuário nos tempos antigos. Depois de uma acalorada discussão, todos passamos a entender melhor este conceito básico e tão importante. Divertindo-nos imensamente, continuamos a atirar perguntas ao Rabino, e com a agilidade de um campeão ele as respondia com graça e paciência. Durante aquela tarde alguém perguntou ao Rabino se era permitido ter um negócio que permanecesse aberto no Shabat, mesmo que o proprietário judeu não trabalhasse, mas sim guardasse o Shabat. O Rabino deixou claro que um judeu deveria afastar-se desse tipo de empreendimento e além disso, não deveria extrair qualquer lucro financeiro de dinheiro ganho no Shabat. Não prestei realmente muita atenção nessa parte da discussão porque não sou dono de um negócio e não faço coisa alguma para ganhar dinheiro no Shabat. Encerramos aquela tarde com uma maravilhosa discussão sobre o conceito de coincidência. No fim, todos concordamos que não existe essa história de coincidência na vida, e que a mão de D’us pode ser vista em muitas maneiras diferentes, bastando a pessoa simplesmente abrir os olhos e o coração. Mais tarde naquele dia, cheguei em casa e ouvi alguém deixando uma mensagem na secretária eletrônica. Era a corretora de imóveis, chamando do Oregon. Ela estava informando que após cinco meses de tentativas para vender minha casa, cinco meses durante os quais eu não recebera uma única oferta, finalmente tínhamos uma proposta legítima para o imóvel. Ela prosseguiu dizendo que a pessoa estava deixando o país para umas férias e que era imperativo fechar o negócio imediatamente. Fiquei ali na porta, paralisado, com medo. Tínhamos nos mudado do Oregon para Reno em janeiro. Durante meses, eu rezava a cada dia para que "hoje" fosse o dia de alguém querer comprar nossa casa. Com o passar dos meses, fiquei cada vez menos esperançoso de que conseguíssemos vendê-la a um preço justo. Quanto mais o tempo passava, mais preocupado eu ficava. E agora estava literalmente de pé na entrada de minha casa nova e a corretora dizia que tínhamos de responder imediatamente, ou poderíamos perder o único negócio existente. Uma voz em minha cabeça começou a gritar: "Pegue o telefone! Não estrague o negócio, pegue o telefone agora mesmo!" Enquanto eu passava pela porta, a corretora desligou. Creio que fiquei ali parado olhando para o telefone durante uma hora. Parte de mim estava insistindo para chamá-la de volta, mas a outra parte ficava me lembrando que era Shabat, e que eu deveria esperar até o dia seguinte. Enquanto eu travava esta monumental batalha interior, as palavras de Rabi Cunin voltaram à minha mente. "Em última análise, nada positivo jamais deriva de dinheiro ganho no Shabat. De alguma forma, termina por se perder ou para pagar algum compromisso negativo. Não importa como você encare isso, uma transação financeira conduzida no Shabat JAMAIS compensa a longo prazo." Finalmente, respirei fundo e caminhei lentamente para outro aposento. Disse a mim mesmo que apesar do pânico em meu coração, era mais importante abraçar os próprios valores e fé, que deixá-los de lado quando eles pareciam ser de certa forma inconvenientes. Passei o restante do dia lendo e relaxando. Após o término do Shabat, peguei calmamente o telefone e liguei para a corretora no Oregon. Ela me informou que depois de me telefonar, ela descobrira que realmente não poderíamos fazer negócio naquele dia pois o corretor da pessoa que queria comprar a casa estaria fora da cidade até segunda-feira. Ela desculpou-se por ter deixado uma mensagem tão urgente, mas pensara que tínhamos apenas um dia para consumar a venda. Fingindo indiferença, eu disse a ela que isso não era um problema, e perguntei de que precisávamos para fechar o negócio. Discutimos a oferta, preparamos uma contra-oferta e combinamos conversar no dia seguinte. Dentro de 36 horas a partir de minha conversa com a corretora, o comprador e eu concordamos quanto ao preço e a venda foi consumada. Enquanto eu depositava o fone lentamente no gancho, maravilhei-me pela série de eventos que tinha acabado de ocorrer. No decorrer dos anos desde que encontrei Chabad, descobri que a procura para tornar-me mais observante e mais espiritual é uma jornada gradual construída passo a passo. Às vezes a jornada é fácil, e em outras vezes as lições são difíceis. Mas uma coisa é certa a jornada está sempre repleta de encanto e entusiasmo. Nos últimos seis anos, posso relatar numerosas conversas sobre a alegria e os prazeres do Shabat. Mas foi apenas neste Shabat em especial, neste Beit Chabad específico, que me encontrei envolvido nessa singular discussão sobre o Shabat. Uma discussão que me impediu de comprometer meus valores e fazer algo de que me arrependeria depois. E se isso não bastasse, somente quando tive de me defrontar com isso e tomar a decisão certa, que finalmente vendi minha casa no Oregon.

    Coincidência? Acho que não.







    Terra de Israel



    Judaica e eterna



    Qual é o entendimento bíblico, rabínico, sobre a Terra de Israel?



    RESPOSTA:



    A Terra de Israel foi prometida a nosso Patriarca Avraham e seu filho, Yitschac, nascido de sua primeira mulher, Sara. A Torá nos conta que "Yitschac será chamado a tua descendência" (Bereshit 21:12). Logo em seguida, D'us disse a Avraham para escutar a esposa: expulsar Yishmael da casa, juntamente com sua mãe egípcia, Hagar (ibid. 21:14 adiante), o que Avraham cumpriu. Isso para que Yitschac, e não Yishmael, herdasse a Terra Santa. A Torá nos diz que Yishmael estabeleceu-se no Deserto de Paran, e que sua mulher era egípcia (ibid. 21:21 o Deserto de Paran fica no Egito, veja Bereshit 25:18 a respeito da localização e do fato de que Yishmael foi viver entre seus irmãos no Egito). A Torá também nos diz que D'us repetiu Sua promessa a respeito da terra a Yaacov (filho de Yitschac) e seus descendentes (Bereshit 28:13), e a Moshê (bisneto de Yitschac) (Shemot 3:8). A alegação judaica sobre a Terra Santa é muito mais antiga que aquela de seus primos árabes. Tem sido nosso país por 3.000 anos, e até que os primeiros invasores árabes chegassem nos anos 700, nenhum descendente de Yishmael jamais reclamou qualquer parte da terra para si. O Islã foi estabelecido somente há 1.300 anos, mais de 1.700 anos depois de os judeus terem feito Jerusalém sua capital! A Terra de Israel é mencionada 2521 vezes na Torá por seu nome, "Israel" outros nomes, como Sion, são mencionados outros milhares de vezes a mais. A cidade de Jerusalém é mencionada 821 vezes na Torá por seu nome Jerusalém, e recebe milhares de outras referências sob outros nomes. A Terra de Israel e a cidade de Jerusalém não são mencionadas uma única vez no Corão, o livro considerado sagrado pelos descendentes de Yishmael nem como "Palestina", nem como "Israel" ou qualquer outro nome! A Torá nos descreve os limites da Terra Santa. Como foi prometido a Avraham, é descrita como "a partir do rio do Egito até o grande Rio, o Eufrates" (Bereshit 15:18). Para detalhes sobre as verdadeiras fronteiras estabelecidas a Moshê, veja Bamidbar 34:2-15). Os limites da Terra Santa estendem-se além das fronteiras atuais do Estado de Israel. Dois dos filhos de Yaacov, Dan e Naftali, estão sepultados na cidade libanesa de Sidon, e os remanescentes da mais antiga sinagoga judaica, com 2.500 anos, foram descobertos nas Colinas de Golan. A antiga cidade de Jericó, que Yehoshua conquistou (veja Yehoshua 6:20), abriga a famosa sinagoga Shalom Al Israel, datando do primeiro século. Algumas partes do reino da Jordânia foram colonizadas por duas e meia das Doze Tribos, e Gaza (que possui sua própria sinagoga antiga) é toda parte de nossa Terra Santa de Israel. Nosso povo realmente viveu e prosperou nestes locais por centenas e milhares de anos. Nosso direito à terra não expira porque fomos forçados a deixá-la. Entretanto, algumas partes do moderno Estado de Israel não são sagradas, pois não são parte da terra de nossos ancestrais, tais como o Deserto de Neguev e a cidade de Eilat. Temos a obrigação de nos proteger do perigo, e cortar a terra em pedaços e entregá-la a pessoas que estão tentando nos destruir (usando as armas que lhes fornecemos e as cidades que lhes demos), são claramente contrários à Lei Judaica. Não temos permissão de entregar a terra, para que o terrorismo possa ser cultivado. Na Lei Judaica, um judeu não tem permissão de entregar parte alguma da Terra Santa a ninguém. Fazer concessões sobre a terra somente traz mais perigo a nosso povo, como temos visto ocorrer atualmente.



    Providência Divina

    Existe?



    RESPOSTA:



    O universo é uma sinfonia D'us é o maestro. Cada átomo, cada sopro de vento, cada grão de sujeira é localizado e dirigido pelo supremo computador - D'us. Isso é Divina Providência - o conceito de que D'us não criou o universo e depois Se afastou para vê-lo arruinar-se por si mesmo, mas que Ele permanece ativamente envolvido, puxando alavancas, apertando botões e ligando chaves por detrás do cenário. Por que Ele faz isso? Uma clássica história chassídica explica. Um rebe certa vez viu uma folha cair de uma árvore e voar até o chão. Ele perguntou à folha: "Por que você caiu?" A folha respondeu: "Não sei - meu galho sacudiu-me para fora." O Rebe perguntou ao galho por que sacudira, e a resposta foi o vento. O vento não soube dizer por que soprara o galho, exceto que tinha sido libertado pelo seu anjo chefe. O anjo, por sua vez, disse ao Rebe que tinha recebido ordens do Próprio D'us para ventar. Então o Rebe fez a pergunta a D'us, e recebeu esta resposta: "Apanhe a folha." O Rebe apanhou-a da terra... para encontrar um pequeno verme abrigando-se na sombra formada embaixo da folha. Tudo - até o cair de uma folha - acontece por uma razão, e cabe a nós e nossa mente descobrir ou reconhecer a administração de D'us por detrás de tudo. Por que Ele não Se envolve mais, ou menos? Bem, se D'us Se envolvesse mais na vida cotidiana, Ele teria de começar a fazer milagres. E Assumir um papel mais dominante e agressivo na direção das ocorrências do universo é inversamente proporcional ao nosso Livre Arbítrio: quanto menos D'us estiver diretamente envolvido, mais liberdade temos, e quanto mais D'us está envolvido, menos liberdade teremos. Em outras palavras, se D'us começasse a atirar relâmpagos nos bandidos, teríamos a opção de fazer coisas más? Não. Mas por outro lado, nem D'us deseja estar totalmente não-envolvido. Portanto, Ele controla as pessoas - Ele controla a natureza. Se, por exemplo, Ele sabe que aquele lugar para onde você está indo não é bom para você, Ele não manda um raio - mas talvez envie um pneu furado.

    Como funciona a Providência Divina? É bom não confundir: Divina Providência com negligência pessoal. Se você ignorar seu despertador, levantar tarde e perder o ônibus para o trabalho, isso não é Divina Providência - é negligência pessoal. Se, entretanto, você pular da cama cedo, mas seu aquecedor está quebrado e você perde tempo chamando o eletricista ao invés de tomar banho, depois corre pela rua até o ponto do ônibus bem a tempo de vê-lo saindo, D'us está tentando dizer-lhe alguma coisa. Da mesma forma, se você faz algo descuidado, como consertar algo em casa no topo de uma escada de mão, cai e quebra a perna, não culpe D'us por isso! Ele não fez isso, você o fez. D'us não intervém diretamente na tomada de decisões pessoais - se Ele aparecesse com um milagre a cada vez que fizéssemos algo tolo, não haveria conseqüências e não aprenderíamos nossa lição. Basicamente funciona assim: eventos e coisas que não podemos controlar são Providência Divina - o clima, a física, as leis da probabilidade. Eventos e coisas que podemos controlar não são - disciplina, responsabilidade. Se algo não dá certo, é porque D'us está lhe dizendo que é melhor que seja assim. Você já teve uma idéia que apareceu na sua cabeça, vinda do nada? É D'us tentando dizer-lhe alguma coisa. Um exemplo clássico é o motorista, altas horas da noite, perdido no meio do nada. Nem uma alma à vista. De repente, aparece um táxi. O taxista encosta, o motorista aproxima-se e diz: "Graças a D'us você apareceu!" Com um olhar distante, o taxista responde: "Nunca passo por aqui - mas por alguma razão decidi fazer este caminho hoje..." Isso é Hashgachá Pratit, Providência Divina. Mas isso significa que D'us controla o taxista? O que aconteceu ao seu Livre Arbítrio? Nada. Ainda está intacto. É que D'us inseriu em sua mente o impulso de fazer uma rota diferente, e ele teve o Livre Arbítrio de agir assim ou não, o que felizmente fez. A palavra hebraica para "anjo" é "malach," que literalmente significa "mensageiro" ou "agente" e geralmente, D'us não envia anjos verdadeiros para fazer coisas para outrem - Ele envia a nós. Portanto, da próxima vez em que você tiver estas idéias "vindas do nada," ponha-as em ação - você se espantará com os resultados.



    O Rebe e Eretz Yisrael

    Uma visita que nunca ocorreu



    Por que o Rebe (Menahem Mendel) nunca veio para Eretz Yisrael, nem para visitar?



    RESPOSTA:



    Contam que certa vez alguém perguntou ao Rebe por que ele não ia morar em Eretz Israel, e o Rebe lhe respondeu que enquanto o navio está

    naufragando, seu comandante é o último a sair. Da mesma forma enquanto tinha trabalho na galut, o Rebe permaneceu lá. Nesta mesma ocasião, o Rebe falou que ele era uma das pessoas que mais incentivou pessoas a fazerem aliyá. Aliás, é conhecida a afirmação enfática do Rebe, mesmo durante a guerra do Golfo, nos momentos mais difíceis, e contrariando a lógica, que o lugar mais seguro do mundo é Eretz Yisrael.





    Estrela de David



    Forma e significado

    Gostaria de saber o que simboliza a estrela de David e porque ela tem seis pontas?

    RESPOSTA:



    Não se sabe com certeza qual é a origem do símbolo da estrela de David. Há várias explicações sobre o formato deste símbolo. Seguem-se aqui algumas delas: 1. Um livro cabalístico interpreta a estrela de David como uma indicação ao governo de D'us, que reina sobre as quatro direções, no céu e na terra, somando-se seis pontos. 2. Outros, veêm as seis pontas como uma alegoria a Mashiach (Messias), descrito por seis virtudes, entre elas sabedoria e valentia. 3. Em grego, a palavra David é composta por 2 Deltas (letra em formato de triângulo - que representa a letra "D"). Por este motivo a estrela é composta por 2 triângulos. 4. Esta estrela possui 12 lados, que demonstra a disposição das 12 tribos de Israel durante sua jornada de 40 anos no deserto, após sua saída do Egito em direção à Terra de Israel. 5. Outra explicação se encontra na seguinte página de nosso site. Com o tempo, a estrela de Davi passou a ser usada como símbolo do povo judeu, encontrando-se em antigas sinagogas e túmulos judaicos, e sendo até mesmo escolhido pelos nazistas, que seu nome seja apagado, para ser obrigatoriamente usado pelos judeus sobre seu braço.









    ISRAEL - A Terra Santa sob a ótica do Rebe



    A mente e o coração do Rebe estavam constantemente voltados para a Terra de Israel. O Rebe sempre nos lembrava que Israel foi dada pelo Criador ao povo eterno como herança eterna. Muitas das lições, projetos, programas e campanhas do Rebe relacionavam-se a fatos ocorridos em Israel. A seguir, transcrevemos excertos de pensamentos do Rebe sobre a Terra de Israel. A singularidade da Terra Há muitos séculos, Israel está no núcleo dos acontecimentos históricos com repercussão em todo o mundo. Inúmeras batalhas e guerras aconteceram por causa de Israel muitos povos sentiram, por algum motivo desconhecido, que este pedaço de terra lhes pertence. Este fato nos chama a atenção: apesar de, geograficamente, ser um país pequeno, praticamente todos os dias os jornais do mundo inteiro trazem notícias de Israel, com destaque. Mesmo pessoas que aparentemente não possuem ligação direta com Israel, se interessam pelo que acontece lá. Qual a razão? Por que um país tão pequeno mereceu ser a causa de tantos conflitos? Qualquer fabricante entrega, junto com seu produto, um manual de instruções. Com certeza, o grande Fabricante de nosso mundo nos entregou Suas instruções, leis que estão contidas na Torá, cuja tradução é "guia" - uma orientação de como utilizar o mundo. A Torá deixa bem claro que a Terra de Israel é a predileta de D'us. Ele a chama de "Minha Terra", onde "os olhos de D'us estão do começo do ano até o fim do ano". Isto significa que uma santidade Divina ímpar paira sobre a Terra de Israel, resultante da Shechiná (Presença Divina) que lá Se encontra, uma santidade eterna, sem alterações, desde o início da Criação até o fim dos tempos. O Grande Guardião do povo de Israel é o Todo-Poderoso, "que não cochila, nem dorme". D'us entregou esta Terra tão especial aos Patriarcas e seus descendentes, o povo judeu. Esta promessa é repetida várias vezes, e toda nossa História gira em torno desta promessa. Por que fomos para o Egito naquela escravidão tão terrível? Para nos moldar e preparar para ir para a Terra Santa. Por que ficamos 40 anos no deserto? Para nos preparar para viver como judeus na Terra Santa. Qual foi o sonho de Moshê Rabênu (Moisés)? Entrar na Terra Prometida. Esta é a razão verdadeira por que Israel se tornou o centro de interesse de todos os povos. Pois a Terra Santa é a única escolhida por D'us para ser Sua herança. Sabendo ou não o motivo, povos e nações eram atraídos, durante toda a História, para aquela Terra. Isto pode ser comparado com desejos, vontades ou atrações que sentimos, às vezes, por algo ou alguém sem realmente saber o porquê. A essência da Terra No mundo há lugares onde a santidade possui menos embalagem, ou seja, não está tão escondida são receptáculos mais propícios para captar e desvendar a santidade e a espiritualidade. O corpo humano serve de exemplo. A inteligência pode ser expressa pela mão, capaz de escrever palavras lógicas porém, isto não pode ser comparado à inteligência encontrada no cérebro. Em outras palavras, o cérebro é muito mais receptáculo para a inteligência do que a mão. O mesmo ocorre no mundo. O intento Divino e o objetivo da Criação do mundo é que o homem faça penetrar em seu meio ambiente e no mundo todo a luz Divina oculta na materialidade. Por isso D'us criou um lugar mais refinado e mais santo entre os demais, onde este objetivo possa ser concretizado. Este é o papel da Terra de Israel - ser o modelo para o resto do mundo cumprir sua missão. Por isso, a Terra de Israel é chamada na literatura sagrada de "centro da Terra", não somente por encontrar-se no centro físico mas, sob o ponto de vista espiritual, é o centro do qual emana a luz Divina para todo o mundo. Isto nos possibilita entender por que rezamos em direção a Jerusalém. Uma vez que a finalidade da prece é a conexão com D'us (a própria palavra tefilá significa "aderir, se conectar"), buscamos fazê-lo através de um lugar que é mais conectado do que qualquer outro na face da Terra. Isto explica a conexão profunda entre a Terra de Israel e o povo de Israel. O mesmo papel que Israel desempenha para o mundo, o judeu representa para a humanidade. O povo de Israel foi escolhido para ser uma "luz para os povos", i.e., penetrar o mundo com a consciência da existência e reconhecimento do Criador para revelar a luz Divina encontrada no mundo. Por isso, no Sinai, D'us nos conferiu o título de um "reino de sacerdotes" e um "povo santo". Realizamos nossa missão através da Torá, ao cumprir as leis da Torá influenciamos o resto do mundo a fazer sua parte - cumprir as Sete Leis de Nôach. Por meio do cumprimento das mitsvot, em sua maior parte ligadas com objetos físicos, transformamos o profano em sagrado. Para concretizar esta missão, foi-nos dada a Terra Santa, local propício para a revelação da missão do homem na Criação. A conexão da Terra de Israel com o povo de Israel não é uma novidade do século 20. Infelizmente, depois de chegar à Terra Santa, esquecemos de nossa missão e por isso sobreveio a galut (exílio). O estado de galut não é somente para quem vive fora de Israel. O mundo ainda não chegou a sua plenitude de paz e tranqüilidade entre os povos e a Terra de Israel ainda depende da boa vontade de mui
  • Cronologia do Anti-semitismo

    12

    Jul
    12/07/2009 às 09h50
    Cronologia do Anti-semitismo

    Entre os séculos XII e XIII- a comunidade Judaica de Sefarad alcança seu maior esplendor.

    Século XII - Assalto às judiarias (bairros judaicos) de Toledo e Leão

    1147- Ao tomar Santarém dos Mouros, D. Afonso Henrique, encontrou naquela cidade uma proeminente comunidade judaica, autônoma e numerosa. Por toda a Idade Média houveram em Portugal várias comunidades judaicas.

    Início do Século XIII- Instalação dos Tribunais do Santo Ofício na Espanha

    1350- O baixo clero estimula a perseguição aos judeus

    1383- Os "homens bons", da Aristocracia Burguesa, requerem da Rainha de Portugal a retirada dos judeus dos cargos oficiais.

    Século XIV - Uma onda de anti-semitismo assola a Espanha

    1391- As pregações fanáticas em Sevilha do arcediano de Écija, Ferrant Martinez, desencadearam terríveis matanças: um progrom em Sevilha, e o ataque às judiarias de Castela e Aragão, milhares de judeus morreram e outros tantos foram forçados a se converter ao catolicismo.

    Século XV - Os sermões do padre valenciano (dito "santo" pela Igreja Católica) Vicente Ferrer provocam a conversão de muitos, instigados pelo medo.

    1449- Entra em vigor a primeira lei de "limpeza de sangue", que proíbe aos judeus o acesso a cargos públicos, profissões e honrarias na Espanha.

    1449- Cristãos de Lisboa que haviam insultado judeus são açoitados a mando do corregedor de Lisboa.

    1478- Reinstalação da Inquisição na Espanha, pedido feito pelos reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão ao Papa, para combater os "infiéis".

    1487 - É impresso o primeiro livro em Portugal, uma Torah (pentateuco) em hebraico.

    1492 - Expulsão dos judeus da Espanha, a maior parte deles vai para Portugal.

    1495 - D. Manuel casando-se com a princesa Isabel, filha dos reis católicos, assina um contrato com esses reis comprometendo-se a expulsar os judeus de Portugal.

    1495- Os judeus, expulsos da Espanha, ao chegarem a Portugal eram escravizados, mas D. Manuel libertou-os.

    1496 - O Rei D. Manuel dá então duas opções aos judeus, a expulsão ou a conversão.

    1496-1497 - Crianças judias menores de 14 anos foram tomadas dos seus pais, obrigadas a se batizarem e foram adotadas por famílias católicas.

    1497 - lei que proibia o questionamento sobre as convicções religiosas dos novos convertidos.

    1499 - (21 e 22 de Abril) Os cristãos novos são proibidos de sair do reino de Portugal.

    1500 - Descoberta do Brasil, a oportunidade de fuga para aqueles que se encontravam perseguidos.

    1503 - Fernando de Noronha, judeu, liderando um grupo de judeus portugueses, assina com D. Manuel um contrato de exploração das novas terras descobertas.

    1506 - Ocorre o terrível progrom de Lisboa, milhares de judeus, homens, mulheres e crianças, são assassinados e queimados.

    1507 - Lei que dava aos cristãos novos os mesmos direitos dos cristãos velhos, abolindo a discriminação.

    1515 - D. Manuel pede ao Papa uma Inquisição segundo o modelo da Inquisição Espanhola.

    1516 - D. Manuel oferece vantagens e estímulos aos que quisessem imigrar para o Brasil, objetivando a colonização das novas terras, e milhares de famílias judaicas aproveitam a oportunidade.

    1524 - D. João III confirma as leis contra a discriminação dos cristãos novos.

    1531 - É nomeado o primeiro inquisidor de Portugal: Frei Diogo da Silva.

    1531 - Martin Afonso de Souza, discípulo do judeu Pedro Nunes Português, é encarregado de uma expedição colonizadora.

    1531 - Terremoto em Portugal. Segundo os frades de Santarém era um castigo divino pela tolerância à presença judaica no Reino.

    1532 - Os cristãos novos são proibidos de sair do Reino por um período de três anos.

    1533 - Martin Afonso de Souza funda o primeiro engenho no Brasil.

    1535 - É renovada a proibição de 1532. O Papa Paulo III concede o perdão geral aos culpados de judaísmo.

    1536 - Instalação da Inquisição em Portugal, os réus culpados de judaísmo são isentos do confisco de seus bens por dez anos.

    1540 - Primeiro auto de fé em Lisboa.

    1544 - (22 de Setembro). Paulo III suspende a execução das sentenças do Santo Ofício.

    1547 - Proibição de os cristãos novos saírem do Reino é renovada por mais três anos. O confisco dos bens é suspenso por mais dez anos. O Papa Paulo III concede outro perdão geral e re-estabelece a Inquisição.

    1558 - O confisco é suspenso por outros dez anos.

    1560 - A Inquisição é instalada em Goa.

    1567 - Outra proibição da saída de cristãos novos do Reino.

    1573 - Renova-se a proibição.

    1577 -. Proibição anulada. A coroa torna isentos os cristãos novos do confisco de bens por mais dez anos, em troca de 225 mil cruzados.

    1577 - Término do período filipino, em que a Espanha dominava Portugal. Imigração judaica massiva para o Brasil. Alguns se dirigiram também à Holanda, América do Norte e América Espanhola, além de regiões Mediterrâneas.

    1579 - . Os culpados de judaísmo voltam a estar sujeitos ao confisco de bens.

    1580 - Revoga-se a permissão de livre saída do Reino.

    1587 - Lei que confirma a antecedente, e todas as anteriores de sentido igual.

    1591 - O Santo Ofício visita pela primeira vez as terras brasileiras, baseado em denúncias de que as gentes dessa terra seguiam práticas e ritos judaicos.

    1591-1618 -período de intensa imigração judaica ao Brasil.

    1601 - Sob a oferta de 170 mil cruzados, a Coroa libera a saída de cristãos novos do Reino e promete nunca mais renovar a proibição.

    1605 - Perdão geral aos culpados de judaísmo. Serviço de 1.700.000 cruzados.

    1610 - Revogada a livre saída de cristãos novos de 1601.

    1618 - O Santo Ofício realiza a segunda visitação ao Brasil.

    1624 - Os primeiros judeus cristãos novos são condenados em Lisboa.

    1626 - O Santo Ofício visita a Angola.

    1627 - Édito de graça.

    1629 - Os cristãos novos são libertos para sair do Reino.

    1637-1644 - Invasão Holandesa ao Brasil, Governo de João Maurício de Nassau, liberdade religiosa no Brasil Holandês. É fundada a primeira sinagoga das Américas, a Sinagoga Tzur Israel. O primeiro rabino das Américas, filho de cristãos novos portugueses, chega ao Brasil: Iaac Aboab da Fonseca. Muitos judeus portugueses imigrados à Holanda vêm para o Brasil.

    1649 - Fazendas dos cristãos novos são isentas do confisco.

    1654 - Expulsão dos Holandeses e tomada de Pernambuco pelos portugueses, alguns judeus saem do Brasil, indo para Holanda, Antilhas, e América do Norte, onde junto aos holandeses fundaram Nova Amsterdã, hoje Nova Iorque.

    1657 - Isenção da confiscação de fazendas de cristãos novos é revogada.

    1674 - Clemente X impede os Inquisidores do exercício de suas funções.

    1678 - As Inquisições são suspensas por Inocêncio XI.

    1681 - O Santo Ofício é restabelecido.

    1683 - Lei de expulsão dos hereges culpados.

    1765 - Último auto de fé público.

    1773 - Abolida a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos.

    1770-1855 - Período de liberalização progressiva e da assimilação judaica pelo resto da população, dada a igualdade perante a lei.

    Artigo recebido por e-mail.
  • PARASHA - PINCHAS

    08

    Jul
    08/07/2009 às 20h40
    PARASHÁ - PINCHAS

    A Parashá Pinechas começa com D'us concedendo sua bênção de paz e sacerdócio a Pinechas, o neto de Aharon, por assassinar um príncipe da tribo de Shimeon e uma princesa medianita enquanto estavam envolvidos em um ato licencioso em público (ao final da Porção da Torá da semana passada). A reação zelosa de Pinechas salva o povo judeu de uma peste que havia irrompido no campo. D'us ordena a Moshê e Eleazar (filho e sucessor de Aharon como Sumo sacerdote) a conduzir um novo recenseamento de toda a nação, o primeiro feito em quase trinta e nove anos. A Torá então relata a reivindicação feita pelas cinco filhas de Tslofchad por uma parte da herança na terra de Israel, pois não tinham irmãos e o pai morrera no deserto. D'us concorda, e pelo mérito destas mulheres justas muitas das leis sobre herança são ensinadas. Depois que D'us mostra a terra de Israel do topo de uma montanha, Moshê recebe ordens de transmitir seu manto de liderança a Yeoshua, colocando a mão sobre sua cabeça, pois Moshê não entraria no país. A porção da Torá conclui com uma completa descrição dos corbanot, sacrifícios, especiais a serem ofertados nos vários dias festivos durante o ano, acima e além do sacrifício (corban tamid) que é trazido toda manhã e tarde. Estas seções são também lidas na Torá por todo o ano, nos dias festivos apropriados.

    VEJA - PARASHA - HAFTARAH E COMENTÁRIOS CLICANDO NO LINK.
    docs.google.com/Doc?docid=dfcn4qqf_44chmdz3cd&hl=e
  • Mashiach e a Ressurreição

    05

    Jul
    05/07/2009 às 19h26
    Mashiach e a Ressurreição

    Por Yaakov Astor (trecho de "Soul Searching", Targum Press)


    O Judaísmo Acredita em Reencarnação?
    A escatologia judaica é composta de três peças básicas:
    A Era de Mashiach.
    O Mundo Vindouro.
    O Mundo da Ressurreição.

    A Era Messiânica
    Mashiach, segundo as tradicionais fontes judaicas, será um ser humano de carne e osso, nascido de mãe e pai,1 ao contrário da ideia cristã que o retrata como o filho de D'us concebido imaculadamente. De fato, Maimonides escreve que o Mashiach completará seu trabalho e morrerá como qualquer pessoa.2

    Qual é o seu trabalho? Terminar a agonia da história e introduzir uma nova era para a humanidade em geral.3 O período no qual ele emerge e completa sua tarefa é chamado de Era Messiânica. Segundo uma opinião talmúdica não é uma era de milagres revelados, onde as regras da natureza são descartadas. Em vez disso, o único elemento novo introduzido ao mundo será a paz entre as nações, com o povo judeu vivendo em sua terra sob a própria soberania, livre de perseguição e anti-semitismo, livre para buscar suas metas espirituais como nunca antes.4

    O Mundo Vindouro
    O Mundo Vindouro em si é chamado nas fontes tradicionais de Olam Habá. No entanto, o mesmo termo é usado para se referir ao renovado mundo utópico do futuro – o Mundo da Ressurreição, olam hat'chiá (conforme explicado no parágrafo a seguir).5 O anterior é o local aonde as almas dos justos vão após a morte – e elas têm ido para lá desde a primeira morte. Aquele local também é algo às vezes chamado de Mundo das Almas.6 É um local onde as almas existem num estado desencarnado, apreciando os prazeres da proximidade de D'us. Assim, as genuínas experiências de quase morte são presumivelmente lampejos ao Mundo das Almas, o lugar no qual a maioria das pessoas pensa quando o termo Mundo Vindouro é mencionado.

    O Mundo da ressurreição
    O Mundo da ressurreição, em contraste, "nenhum olho viu", declara o Talmud,7 é um mundo, segundo a maior parte das autoridades, onde corpo e alma são reunidos para viver eternamente num estado realmente perfeito. Aquele mundo somente virá a existir após Mashiach e será iniciado por um evento conhecido como o "Grande Dia do Julgamento." (Yom HaDin HaGadol)8

    O Mundo da Ressurreição é então a suprema recompensa, um lugar no qual o corpo se torna eterno e espiritual, ao passo que a alma se torna ainda mais espiritual.9

    Em comparação a um conceito como o "Mundo Vindouro", a reencarnação não é, tecnicamente falando, uma verdadeira escatologia. A reencarnação é meramente um veículo para atingir um fim escatológico. É a reentrada da alma num corpo inteiramente novo no mundo atual. A ressurreição, em contraste, é a reunificação da alma com o corpo anterior (novamente reconstituído) ao Mundo Vindouro, uma história que ainda não foi testemunhada.

    A ressurreição é então um puro conceito escatológico. Seu propósito é recompensar o corpo com a eternidade (e a alma com maior perfeição). O propósito da reencarnação geralmente é duplo: ou compensar uma falha numa vida anterior ou criar um estado novo, mais elevado, de perfeição pessoal ainda não atingido.10 A ressurreição é então um tempo de recompensa a reencarnação um tempo de reparo. A ressurreição é a época da colheita a reencarnação o tempo de semear.

    O fato de que a reencarnação é parte da tradição judaica é uma surpresa para muitas pessoas.11 Apesar disso, é mencionada em vários locais nos textos clássicos do misticismo judaico, começando com a importante fonte da Cabalá, o Livro do Zohar.12

    Se a pessoa é mal-sucedida em seu propósito neste mundo, o Eterno, Bendito seja, o desenraíza e o replanta muitas vezes mais. (Zohar I 186 b)

    Todas as almas estão sujeitas à reencarnação e as pessoas não sabem os caminhos do Eterno,
    Bendito seja! Elas não sabem que são levadas perante o tribunal tanto antes de entrarem neste mundo quanto depois que o deixam são ignorantes das muitas reencarnações e obras secretas que têm de passar, e do número de almas nuas, e de quantos espíritos nus vagam no outro mundo sem poder entrar no véu do Palácio do Rei. Os homens não sabem como as almas se revolvem como uma pedra que é atirada de um estilingue. Porém chegará a hora em que estes mistérios serão revelados. (Zohar II 99 b)

    O Zohar e a literatura relacionada13 estão repletos de referências à reencarnação,14 abordando questões como qual corpo é ressuscitado e o que acontece com aqueles corpos que não atingem a perfeição final,15 quantas chances uma alma recebe para atingir a compleicão através da reencarnação,16 se marido e mulher podem reencarnar juntos,17 se uma demora no enterro pode afetar a reencarnação,18 e se uma alma pode reencarnar num animal.19

    O Bahir, atribuído ao sábio do Século Primeiro, Nechuniah ben Hakana, usava a reencarnação para discutir a clássica questão de teodicéia – por que coisas más acontecem a pessoas boas e vice-versa.

    Por que há uma pessoa boa a quem coisas boas acontecem, ao passo que [outra] pessoa justa tem coisas más lhe acontecendo? Isso é porque a [última] pessoa justa fez o mal numa vida prévia, e agora está sentindo as consequencias… Como é isso? Uma pessoa plantou uma vinha e esperava cultivar uvas, mas em vez disso, cresceram uvas azedas. Ele viu que seu plantio e colheita não foram bons, portanto arrancou tudo e plantou novamente. (Bahir 195)20

    A reencarnação é citada por comentaristas autorizados, incluindo o Ramban21 (Nachmanides), Menachem Recanti22 e Rabenu Bachya.23 Dentre os muitos volumes do sagrado Rabi Yitschak Luria, conhecido como o "Ari",24 a maioria dos quais chegou a nós pela pena de seu principal discípulo, Rabi Chaim Vital, são ideias profundas explicando temas relacionados à reencarnação. Na verdade, seu Shaar HaGilgulim, "Os Portões da Reencarnação25", é um livro devotado exclusivamente ao assunto, incluindo detalhes sobre as raízes da alma de muitas personalidades bíblicas e quem eles reencarnaram desde os tempos da Bíblia até o Ari.

    Os ensinamentos do Ari e seus sistemas de ver o mundo se espalharam como fogo após sua morte em todo o mundo judaico da Europa e no Oriente Médio. Se a reencarnação tinha sido aceita em geral pelo povo judaico e pelos intelectuais anteriormente, tornou-se parte do tecido do Judaísmo e da erudição após o Ari, habitando o pensamentos e os escritos de grandes eruditos e líderes dos comentaristas clássicos sobre o Talmud (por exemplo, o Maharsha, Rabi Moshê Eidels)26 ao fundador do Movimento Chassídico, o Baal Shem Tov, bem como o líder do mundo não chassídico, o Gaon de Vilna.27

    A tendência continua até hoje. Mesmo algumas das maiores autoridades que não são necessariamente conhecidas pela sua inclinação mística, assumem a reencarnação como uma doutrina básica aceita.

    Um dos textos que os místicos gostam de citar como uma alusão escritural ao princípio da reencarnação é o seguinte versículo no Livro de Iyov (Jó):

    Veja, todas essas coisas que D'us realiza – duas, até três vezes com um homem – trazer sua alma de volta do poço para que possa ser iluminada com a luz dos vivos. (Jó 33:29)

    Em outras palavras, D'us permitirá que uma pessoa volte ao mundo "dos vivos" vinda do "poço" (que é um dos termos bíblicos clássicos para Gehinom ou Purgatório) uma segunda ou terceira vez (ou múltiplas) vezes. Falando de maneira geral, no entanto, este versículo e outros são entendidos pelos místicos como meras alusões ao conceito da reencarnação. A verdadeira autoridade para o conceito está enraizada na tradição.



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    Notas:
    1. Maimônides, Melachim 11:3
    2. Comentário sobre a Mishná, Sanhedrin 10:1 cf Sanhedrin 99a
    3. Maimônides, Melachim 11:3, 12:5
    4. Sanhedrin 91b, 99a, Berachot 34b, Pesachim 68a Shabat 63a Maimonides, Teshuvá 9:2, Melachim 12:2.
    5. Tosafot, Rosh Hashaná 16b, s.v. leyom din Emunos V'deyos 6:4(final), Raavad, Hilchos Teshuvá 8:8 Kesef Mishná, Teshuvá 8:2 Derech Hashem 1:3:11
    6. Ramban (Nachmanides) Shaar HaGemul. Segundo o Ramban e outras autoridades, o :Mundo das Almas" é freqüentemente mencionado como o Jardim do Éden.
    7. Sanhedrin 99a.
    8. Ramban, Shaar HaGemul. Citando fontes talmúdicas e midráshicas, o Ramban escreve que há três dias de julgamento, i.e., três vezes a alma é julgada.
    1) Rosh Hashaná, quando revisa o ano que passou e determina as circunstâncias materiais para o ano vindouro
    2) Dia da morte, quando revisa a vida que passou e determina o que precisa para continuar a experiência de mais revisão ou está pronta para o Paraíso.
    3) O Grande Dia do Julgamento, que é quando todos que viveram são ressuscitados, os justos para a vida eterna (num mundo físico espiritualizado, segundo o Ramban) e os perversos por aquilo que falta para terminar (segundo outros haverá uma categoria intermediária daqueles que são dignos de continuar num espírito desencarnado, mas não na forma física mais rara do corpo ressuscitado num mundo ressuscitado). Haverá também aparentemente diferentes graus de recompensa (i.e., vivenciando a presença de D'us) neste Mundo Renovado após o Grande Dia de Julgamento, tudo dependendo das ações da pessoa durante a vida. Tem sido questionado: Se uma pessoa é julgada após a sua morte quanto ao seu status no Mundo Vindouro, qual é o propósito do Grande Dia do Julgamento? Uma das respostas diz que depois que uma pessoa morre, todos os filhos, as boas e as más ações e a influência que ela teve sobre os outros ainda "estão em movimento". Somente ao final da história pode ser feita a "contagem final", então, quanto ao impacto que a pessoa teve em sua vida.
    9. Derech Hashem 1:3:13.
    10. Shaar HaGilgulim, cap. 8 Derech Hashem 2:3:10.
    11. Muitos ficam surpresos ao descobrir que a reencarnação era uma crença aceita por muitas das grandes mentes da civilização ocidental. Embora o Judaísmo, obviamente, não concorde necessariamente com todos os pensamentos e filosofias dele, apesar disso Platão, por exemplo, (em Meno, Faedo, Timeus, Fedrus e na República), defende a crença na doutrina da reencarnação. Ele parece ter sido influenciado por mentes gregas clássicas anteriores como Pitágoras e Empédocles. No Século Dezoito, a Idade do Iluminismo e do Racionalismo, pensadores como Voltaire ("Afinal, não é mais surpreendente nascer duas vezes do que nascer uma vez") e Benjamin Franklin expressaram uma afinidade pela noção da reencarnação. No Século dezenove, Schopenhauer escreveu (na obra: Parerga e Paralipomena): "Se um asiático me pedisse uma definição da Europa, eu seria forçado a responder-lhe: `É aquela parte do mundo que é assombrada pela incrível ilusão de que o o nascimento da pessoa é sua primeira entrada na vida'…" Dostoevsky (em sua obra: Irmãos Karamazov) refere-se à ideia, ao passo que Tolstoy parece ter bem definido o fato de que vivemos antes. Thoreau, Emerson, Walt Whitman, Mark Twain e muitos outros reconheceram e/ou defenderam alguma forma de crença na reencarnação. Deve-se notar, porém, que algumas autoridades clássicas da Torá, mais especificamente Saadia Gaon, do Século Dez, negava a reencarnação como dogma judaico. Emunos V'Deyot 6:3.
    12. O Talmud relata que o sábio do segundo século, Rabi Shimon bar Yochai e seu filho Elazar esconderam-se numa gruta para escapar da perseguição romana. Durante treze anos eles estudaram dia e noite sem distração. Segundo a tradição cabalista (Tikunei Zohar) foi durante aqueles treze anos que ele e seu filho compuseram os principais ensinamentos do Zohar. Oculto por muitos séculos, o Zohar foi publicado e disseminado por Rabi Moshê de Leon no século Treze.
    13. Embora o Zohar seja geralmente mencionado como uma obra de um único volume, compreendendo Tikunei Zohar e Zohar Chadash, é na verdade uma compilação de vários tratados menores ou sub-seções.
    14. Zohar I:131a, 186b, 2:94a, 97a, 100a, 105b, 106a, 3:88b, 215a, 216a Tikunei Zohar 6 (22b, 23b), 21 (56 a), 26 (72a), 31 (76b), 32 (76b), 40 (81a), 69 (100b, 103a, 111a, 114b, 115a, 116b), 70 (124b, 126a, 133a, 134a, 137b, 138b) Zohar Chadash 33c, 59a-c, 107a Ruth 89a.
    15. O Zohar (I 131a): "Rabi Yossi respondeu: `Aqueles corpos que são indignos e não atingem seu objetivo serão considerados como se não tivessem existido…' Rabi Yitschak [discordou e] disse: Para estes corpos o Eterno fornecerá outros espíritos, e se considerados dignos obterão uma morada no mundo, mas se não forem, serão cinzas sob os pés dos justos." (Cf. Zohar II 105b.
    16. Ex.: Zohar III 216a Tikunei Zohar 6 (22b), 32 (76b) sugere três ou quatro chances. Tikunei Zohar 69 (103a) sugere que se mesmo um pequeno progresso é feito a cada vez, a alma recebe até mil oportunidades de reencarnação a fim de atingir sua compleição. Zohar III 216a sugere que uma pessoa essencialmente justa que passa pelas agruras de vagar de cidade em cidade, de casa em casa – até mesmo tenta abrir negócios (Zohar Chadash Tikunim 107a) – é com se passasse por várias reencarnações.
    17. A resposta é que sim, é uma possibilidade, Zohar II, 106a.
    18. "Depois que a alma deixou o corpo e o corpo não respira mais, é proibido mantê-lo insepulto (Moed Katon, 28a Baba Kama, 82b). Um corpo morto que é deixado insepulto por 24 horas provoca uma fraqueza nos membros da Carruagem e impede que o desígnio de D'us seja cumprido pois talvez D'us tenha decretado que ele deveria passar pela reencarnação imediata no dia em que morreu, o que seria melhor para a pessoa, mas como o corpo não está enterrado a alma não pode ir à presença de D'us nem ser transferida para outro corpo. Pois uma alma não pode entrar num segundo corpo até que o primeiro seja sepultado…" Zohar III 88b.
    19. Tikunei Zohar 70 (133a). Depois os cabalistas detalham as circunstâncias que podem levar à reencarnação em forma vegetal e até mineral. Shaar HaGilgulim, cap. 22 & 29 Sefer Haredim 33, Ohr Chaim 1:26.
    20. Bahir 122, 155, 184 e 185 também discutem a reencarnação.
    21. Bereshit 38:8, Job 33:30.
    22. Ex. comentário sobre Bereshit 34:1 seu Taamei HaMitsvot (16a) diz que a reencarnação é o segredo por trás dos dez sábios talmúdicos que foram abatidos pelos romanos.
    23. Comentário sobre Bereshit 4:25, Devarim 33:6.
    24. Suas principais obras são Etz Chaim (Árvore da Vida) e Pri Etz Chaim (Fruto da Árvore da Vida), bem como o Shmonê Shaarim (Oito Portões), que tratam sobre tudo que vai do comentário bíblico até inspiração Divina e reencarnação.
    25. Sefer HaGilgulim, "O Livro das Reencarnações," por Chaim Vital é também um livro inteiro dedicado a este tópico.
    26. Comentário sobre Niddah 30b.
    27. Comentário ao Livro de Jonah, e muitos outros locais. Por exemplo, R. Meir Simcha de Dvinsk em Ohr Somayach, Hilchot Teshuvá 5, s.v. v'yodati R. Israel Meir HaKohen [o Chofets Chaim] em Mishnah Berurá 23:5 e Shaar HaTzion 702:6 R. Yaakov Yisroel Kanievsky [o Steipler Gaon] em Chayei Olam.
    28. Guehinom refere-se, geralmente, a uma experiência com tempo limitado (Edyos 2:10) na vida posterior, onde a alma é purgada de suas culpas num processo, depois que tudo foi feito e dito, descrito como doloroso, embora catártico. Num sentido mais profundo, a pessoa grosseira é recompensada na mesma moeda. Assim como agiu grosseiramente ao pecar, agindo como se D'us não estivesse presente, ele é pago tendo de passar pelo Guehinom, um local diferente do Céu, onde a presença de D'us de certa maneira está oculta, ou pelo menos não aberta e livre. (O nome Guehinom vem do vale ao sul de Jerusalém, conhecido como o vale [Guei] do filho de Hinnom, onde certa vez crianças foram sacrificadas a Molech (II Reis 23:10' Yirm. 2:23 7:31-32 19:6). Por este motivo o vale foi considerado amaldiçoado, e Guehinom assim tornou-se um sinônimo para Purgatório.

    Fonte: CHABAD
  • PARASHA - BALAC

    30

    Jun
    30/06/2009 às 23h42
    TEXTO BÍBLICO

    Moshe nos prescreveu a Torah por herança da congregação de Yaakov (Dt 33.4)

    PARASHÁ - HAFTARÁ - TEHILIM

    40 7 בלק BALAC BALAC Nm 22.2 - 25-9 Mq 5.6 - 6-8 Abaixo parashá resumida
    79



    BALAC
    Nm 22:2 - 25:9

    Nm 22

    2 Viu, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus 3 Moabe teve grande medo deste povo, porque era muito e andava angustiado por causa dos filhos de Israel 4 pelo que Moabe disse aos anciãos dos midianitas: Agora, lamberá esta multidão tudo quando houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo. Balaque, filho de Zipor, naquele tempo, era rei dos moabitas. 5 Enviou ele mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Petor, que está junto ao rio Eufrates, na terra dos filhos do seu povo, a chamá-lo, dizendo: Eis que um povo saiu do Egito, cobre a face da terra e está morando defronte de mim. 6 Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois é mais poderoso do que eu para ver se o poderei ferir e lançar fora da terra, porque sei que a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado. 7 Então, foram-se os anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas, levando consigo o preço dos encantamentos e chegaram a Balaão e lhe referiram as palavras de Balaque. 8 Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o ETERNO me falar então, os príncipes dos moabitas ficaram com Balaão. 9 Veio D-us a Balaão e disse: Quem são estes homens contigo? 10 Respondeu Balaão a D-us: Balaque, rei dos moabitas, filho de Zipor, os enviou para que me dissessem: 11 Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra vem, agora, amaldiçoa-mo talvez eu possa combatê-lo e lançá-lo fora. 12 Então, disse D-us a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo porque é povo abençoado. 13 Levantou-se Balaão pela manhã e disse aos príncipes de Balaque: Tornai à vossa terra, porque o ETERNO recusa deixar-me ir convosco. 14 Tendo-se levantado os príncipes dos moabitas, foram a Balaque e disseram: Balaão recusou vir conosco. 15 De novo, enviou Balaque príncipes, em maior número e mais honrados do que os primeiros, 16 os quais chegaram a Balaão e lhe disseram: Assim diz Balaque, filho de Zipor: Peço-te não te demores em vir a mim, 17 porque grandemente te honrarei e farei tudo o que me disseres vem, pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo. 18 Respondeu Balaão aos oficiais de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do ETERNO, meu D-us, para fazer coisa pequena ou grande 19 agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que mais o ETERNO me dirá. 20 Veio, pois, o ETERNO a Balaão, de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens vieram chamar-te, levanta-te, vai com eles todavia, farás somente o que eu te disser. 21 Então, Balaão levantou-se pela manhã, albardou a sua jumenta e partiu com os príncipes de Moabe. 22 Acendeu-se a ira de D-us, porque ele se foi e o Anjo do ETERNO pôs-se-lhe no caminho por adversário. Ora, Balaão ia caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus servos, com ele. 23 Viu, pois, a jumenta o Anjo do ETERNO parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão pelo que se desviou a jumenta do caminho, indo pelo campo então, Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho. 24 Mas o Anjo do ETERNO pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo muro de um e outro lado. 25 Vendo, pois, a jumenta o Anjo do ETERNO, coseu-se contra o muro e comprimiu contra este o pé de Balaão por isso, tornou a espancá-la. 26 Então, o Anjo do ETERNO passou mais adiante e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita, nem para a esquerda. 27 Vendo a jumenta o Anjo do ETERNO, deixou-se cair debaixo de Balaão acendeu-se a ira de Balaão, e espancou a jumenta com a vara. 28 Então, o ETERNO fez falar a jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste já três vezes? 29 Respondeu Balaão à jumenta: Porque zombaste de mim tivera eu uma espada na mão e, agora, te mataria. 30 Replicou a jumenta a Balaão: Porventura, não sou a tua jumenta, em que toda a tua vida cavalgaste até hoje? Acaso, tem sido o meu costume fazer assim contigo? Ele respondeu: Não. 31 Então, o ETERNO abriu os olhos a Balaão, ele viu o Anjo do ETERNO, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão pelo que inclinou a cabeça e prostrou-se com o rosto em terra. 32 Então, o Anjo do ETERNO lhe disse: Por que já três vezes espancaste a jumenta? Eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é perverso diante de mim 33 a jumenta me viu e já três vezes se desviou de diante de mim na verdade, eu, agora, te haveria matado e a ela deixaria com vida. 34 Então, Balaão disse ao Anjo do ETERNO: Pequei, porque não soube que estavas neste caminho para te opores a mim agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei. 35 Tornou o Anjo do ETERNO a Balaão: Vai-te com estes homens mas somente aquilo que eu te disser, isso falarás. Assim, Balaão se foi com os príncipes de Balaque. 36 Tendo Balaque ouvido que Balaão havia chegado, saiu-lhe ao encontro até à cidade de Moabe, que está nos confins do Arnom e na fronteira extrema.37 Perguntou Balaque a Balaão: Porventura, não enviei mensageiros a chamar-te? Por que não vieste a mim? Não p osso eu, na verdade, honrar-te? 38 Respondeu Balaão a Balaque: Eis-me perante ti acaso, poderei eu, agora, falar alguma coisa? A palavra que D-us puser na minha boca, essa falarei. 39 Balaão foi com Balaque, e chegaram a Quiriate-Huzote. 40 Então, Balaque sacrificou bois e ovelhas e deles enviou a Balaão e aos príncipes que estavam com ele. 41 Sucedeu que, pela manhã, Balaque tomou a Balaão e o fez subir a Bamote-Baal e Balaão viu dali a parte mais próxima do povo.

    Nm 23

    1 Então, Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 2 Fez, pois, Balaque como Balaão dissera e Balaque e Balaão ofereceram um novilho e um carneiro sobre cada altar. 3 Disse mais Balaão a Balaque: Fica-te junto do teu holocausto, e eu irei porventura, o ETERNO me sairá ao encontro, e o que me mostrar to notificarei. Então, subiu a um morro desnudo. 4 Encontrando-se D-us com Balaão, este lhe disse: Preparei sete altares e sobre cada um ofereci um novilho e um carneiro. 5 Então, o ETERNO pôs a palavra na boca de Balaão e disse: Torna para Balaque e falarás assim. 6 E, tornando para ele, eis que estava junto do seu holocausto, ele e todos os príncipes dos moabitas. 7 Então, proferiu a sua palavra e disse: Balaque me fez vir de Arã, o rei de Moabe, dos montes do Oriente vem, amaldiçoa-me a Jacó, e vem, denuncia a Israel. 8 Como posso amaldiçoar a quem D-us não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o ETERNO não denunciou? 9 Pois do cimo das penhas vejo Israel e dos outeiros o contemplo: eis que é povo que habita só e não será reputado entre as nações. 10 Quem contou o pó de Jacó ou enumerou a quarta parte de Israel? Que eu morra a morte dos justos, e o meu fim seja como o dele. 11 Então, disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que somente os abençoaste. 12 Mas ele respondeu: Porventura, não terei cuidado de falar o que o ETERNO pôs na minha boca? 13 Então, Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, donde verás o povo verás somente a parte mais próxima dele e não o verás todo e amaldiçoa-mo dali. 14 Levou-o consigo ao campo de Zofim, ao cimo de Pisga e edificou sete altares e sobre cada um ofereceu um novilho e um carneiro. 15 Então, disse Balaão a Balaque: Fica, aqui, junto do teu holocausto, e eu irei ali ao encontro do ETERNO. 16 Encontrando-se o ETERNO com Balaão, pôs-lhe na boca a palavra e disse: Torna para Balaque e assim falarás. 17 Vindo a ele, eis que estava junto do holocausto, e os príncipes dos moabitas, com ele. Perguntou-lhe, pois, Balaque: Que falou o ETERNO? 18 Então, proferiu a sua palavra e disse: Levanta-te, Balaque, e ouve escuta-me, filho de Zipor: 19 D-us não é homem, para que minta nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá? 20 Eis que para abençoar recebi ordem ele abençoou, não o posso revogar. 21 Não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel o ETERNO, seu D-us, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei. 22 D-us os tirou do Egito as forças deles são como as do boi selvagem. 23 Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito D-us! 24 Eis que o povo se levanta como leoa e se ergue como leão não se deita até que devore a presa e beba o sangue dos que forem mortos. 25 Então, disse Balaque a Balaão: Nem o amaldiçoarás, nem o abençoarás. 26 Porém Balaão respondeu e disse a Balaque: Não te disse eu: tudo o que o ETERNO falar, isso farei? 27 Disse mais Balaque a Balaão: Ora, vem, e te levarei a outro lugar porventura, parecerá bem aos olhos de D-us que dali mo amaldiçoes. 28 Então, Balaque levou Balaão consigo ao cimo de Peor, que olha para o lado do deserto.29 Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 30 Balaque, pois, fez como dissera Balaão e ofereceu sobre cada altar um novilho e um carneiro.

    Nm 24

    1 Vendo Balaão que bem parecia aos olhos do ETERNO que abençoasse a Israel, não foi esta vez, como antes, ao encontro de agouros, mas voltou o rosto para o deserto. 2 Levantando Balaão os olhos e vendo Israel acampado segundo as suas tribos, veio sobre ele o Espírito de D-us. 3 Proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos 4 palavra daquele que ouve os ditos de D-us, o que tem a visão do Todo-Poderoso e prostra-se, porém de olhos abertos: 5 Que boas são as tuas tendas, ó Jacó! Que boas são as tuas moradas, ó Israel! 6 Como vales que se estendem, como jardins à beira dos rios, como árvores de sândalo que o ETERNO plantou, como cedros junto às águas. 7 Águas manarão de seus baldes, e as suas sementeiras terão águas abundantes o seu rei se levantará mais do que Agague, e o seu reino será exaltado. 8 D-us tirou do Egito a Israel, cujas forças são como as do boi selvagem consumirá as nações, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e, com as suas setas, os atravessará. 9 Este abaixou-se, deitou-se como leão e como leoa quem o despertará? Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem. 10 Então, a ira de Balaque se acendeu contra Balaão, e bateu ele as suas palmas. Disse Balaque a Balaão: Chamei-te para amaldiçoares os meus inimigos porém, agora, já três vezes, somente os abençoaste. 11 Agora, pois, vai-te embora para tua casa eu dissera que te cumularia de honras mas eis que o ETERNO te privou delas. 12 Então, Balaão disse a Balaque: Não falei eu também aos teus mensageiros, que me enviaste, dizendo: 13 ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e ouro, não poderia traspassar o mandado do ETERNO, fazendo de mim mesmo bem ou mal o que o ETERNO falar, isso falarei? 14 Agora, eis que vou ao meu povo vem, avisar-te-ei do que fará este povo ao teu, nos últimos dias. 15 Então, proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos, 16 palavra daquele que ouve os ditos de D-us e sabe a ciência do Altíssimo daquele que tem a visão do Todo-Poderoso e prostra-se, porém de olhos abertos: 17 Vê-lo-ei, mas não agora contemplá-lo-ei, mas não de perto uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete. 18 Edom será uma possessão Seir, seus inimigos, também será uma possessão mas Israel fará proezas.19 De Jacó sairá o dominador e exterminará os que restam das cidades. 20 Viu Balaão a Amaleque, proferiu a sua palavra e disse: Amaleque é o primeiro das nações porém o seu fim será destruição. 21 Viu os queneus, proferiu a sua palavra e disse: Segura está a tua habitação, e puseste o teu ninho na penha. 22 Todavia, o queneu será consumido. Até quando? Assur te levará cativo. 23 Proferiu ainda a sua palavra e disse: Ai! Quem viverá, quando D-us fizer isto? 24 Homens virão das costas de Quitim em suas naus afligirão a Assur e a Héber e também eles mesmos perecerão.25 Então, Balaão se levantou, e se foi, e voltou para a sua terra e também Balaque se foi pelo seu caminho.

    Nm 25
    1 Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. 2 Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. 3 Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do ETERNO se acendeu contra Israel. 4 Disse o ETERNO a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao ETERNO ao ar livre, e a ardente ira do ETERNO se retirará de Israel. 5 Então, Moisés disse aos juízes de Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor. 6 Eis que um homem dos filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de Moisés e de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da tenda da congregação. 7 Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, 8 foi após o homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. 9 Os que morreram da praga foram vinte e quatro mil.




    HAFTARA DE BALAC
    Mq 5:6(7) - 6:8


    Mq 5
    7 O restante de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho do ETERNO, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem depende os filhos de homens. 8 O restante de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais das selvas, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, se passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. 9 A tua mão se exaltará sobre os teus adversários e todos os teus inimigos serão eliminados. 10 E sucederá, naquele dia, diz o ETERNO, que eu eliminarei do meio de ti os teus cavalos e destruirei os teus carros de guerra 11 destruirei as cidades da tua terra e deitarei abaixo todas as tuas fortalezas 12 eliminarei as feitiçarias das tuas mãos, e não terás adivinhadores 13 do meio de ti eliminarei as tuas imagens de escultura e as tuas colunas, e tu já não te inclinarás diante da obra das tuas mãos 14 eliminarei do meio de ti os teus postes-ídolos e destruirei as tuas cidades. 15 Com ira e furor, tomarei vingança sobre as nações que não me obedeceram.





    Mq 6


    1 Ouvi, agora, o que diz o ETERNO: Levanta-te, defende a tua causa perante os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. 2 Ouvi, montes, a controvérsia do ETERNO, e vós, duráveis fundamentos da terra, porque o ETERNO tem controvérsia com o seu povo e com Israel entrará em juízo. 3 Povo meu, que te tenho feito? E com que te enfadei? Respondremi e enviei adiante de ti Moisés, Arão e Miriã. 5 Povo meu, lembra-te, agora, do que maquinou Balaque, rei de e-me! 4 Pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, e do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheças os atos de justiça do ETERNO. 6 Com que me apresentarei ao ETERNO e me inclinarei ante o D-us excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? 7 Agradar-se-á o ETERNO de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? 8 Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o ETERNO pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu D-us.



    BALAC

    Sl 79


    1 Ó D-us, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a um montão de ruínas. 2 Deram os cadáveres dos teus servos por cibo às aves dos céus e a carne dos teus santos, às feras da terra. 3 Derramaram como água o sangue deles ao redor de Jerusalém, e não houve quem lhes desse sepultura. 4 Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam.5 Até quando, ETERNO? Será para sempre a tua ira? Arderá como fogo o teu zelo? 6 Derrama o teu furor sobre as nações que te não conhecem e sobre os reinos que não invocam o teu nome. 7 Porque eles devoraram a Jacó e lhe assolaram as moradas. 8 Não recordes contra nós as iniqüidades de nossos pais apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias, pois estamos sobremodo abatidos. 9 Assiste-nos, ó D-us e Salvador nosso, pela glória do teu nome livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome. 10 Por que diriam as nações: Onde está o seu D-us? Seja, à nossa vista, manifesta entre as nações a vingança do sangue que dos teus servos é derramado. 11 Chegue à tua presença o gemido do cativo consoante a grandeza do teu poder, preserva os sentenciados à morte. 12 Retribui, ETERNO, aos nossos vizinhos, sete vezes tanto, o opróbrio com que te vituperaram. 13 Quanto a nós, teu povo e ovelhas do teu pasto, para sempre te daremos graças de geração em geração proclamaremos os teus louvores.




    A Parashá Balac muda das viagens do povo judeu no deserto para contar a história de Bilam, o profeta pagão que tentou amaldiçoar os Filhos de Israel. Contratado por Balac, o rei de Moav, Bilam concorda em embarcar numa jornada até o acampamento israelita entretanto, primeiro pede permissão a D'us, e vai com a condição de que falaria apenas aquilo que D'us colocasse em sua boca. Durante a viagem, um anjo brandindo uma espada bloqueia o caminho de Bilam, fazendo que sua montaria desvie-se repetidas vezes da estrada. Incapaz de ver o anjo, Bilam reage golpeando o jumento desobediente por três vezes. Milagrosamente, D'us faz com que o animal fale com Bilam, e D'us desvela os olhos do humilhado profeta, para que possa ver o anjo de pé em seu caminho. O anjo então lembra a Bilam uma vez mais que ele pode apenas falar as palavras que o Criador colocar em sua boca. Chegando próximo do acampamento dos judeus, Bilam tenta amaldiçoá-los repetidamente todas as vezes D'us o impede, e em vez disso ele termina por pronunciar várias bênçãos e preces, para consternação de Bilam. A Porção da Torá termina com a licenciosidade dos homens judeus com as filhas promíscuas de Moav e Median, e o indecente ato público de Zimri, um príncipe da Tribo de Shimon, com uma princesa medianita. Pinechas, neto de Aharon, reage zelosamente furando-os até a morte com uma lança, detendo uma peste que D'us havia feito irromper no acampamento.


    O Talmud (Tratado Berachot 12b) declara que os Sábios queriam incluir a porção Balac desta semana da Torá em nosso recital diário da prece fundamental Shemá. A questão, é claro: por que? O que há de tão especial na Porção Balac da Torá para justificar que seja recitada diariamente em uma de nossas preces mais importantes? A resposta pode ser encontrada em um versículo em particular - "Eles são uma nação que se levanta como um jovem leão" (Bamidbar 23:24). O Sfas Emes explica que os rabinos consideraram este versículo tão importante porque representa uma das mais elevadas aclamações do povo judeu. Como o leão, somos uma nação que sempre se levanta não importa o quanto caímos, sempre nos levantamos. Isso é o que são os judeus, e é o traço de caráter do qual mais nos orgulhamos. Somos um povo que se ergue das cinzas. Essa é uma qualidade expressa por qualquer um que tenha alguma ligação com uma família que passou pelo Holocausto, e sobrevive hoje para chamar-se judeu. Nos campos de concentração, Eichmann tirou a cortina de uma Arca Sagrada e colocou-a sobre a entrada da câmara de gás. Sobre ela estava escrito o versículo: "Este é o portão para D'us os justos passarão por ele." Fez isso como zombaria - zombando de D'us, do povo judeu, e de tudo aquilo além do reino deste mundo físico. Porém a mensagem era bem verdadeira - os judeus que passaram por aquela cortina tornaram-se justos. Eichmann e os nazistas desapareceram há muito tempo, mas colocamos de volta aquela cortina em nossas arcas. Erguemo-nos novamente como um leão, e existem agora mais cortinas e mais sinagogas para colocá-las do que jamais houve antes. Não importa quantas vezes possamos cair, sempre nos levantamos novamente. Esta é a característica do povo de Israel. Os profetas chamam-nos de "uma nação de sobreviventes." O Rei Salomão escreveu: "Um justo que cai sete vezes e se levanta novamente" (Mishlê 24:16). O que é, exatamente, um justo? Um indivíduo justo não é necessariamente quem jamais comete pecado, mas sim a pessoa que peca e levanta-se novamente. Esta é a mensagem que Rabi Yitschac Hutner escreveu a um de seus alunos que estava desanimado sobre sua aparente falta de conquistas e desenvolvimento espirituais. Rabi Hutner disse-lhe: "Não desista. É disso que trata a vida - as batalhas, os conflitos. Nossos sábios dizem que o único modo de tornar-se um indivíduo justo é após a queda. Isso é o que o torna melhor. O crescimento vem apenas com conflito. Não é automático. Às vezes você precisa perder algumas batalhas antes de vencer a guerra." É disso que trata a teshuvá, retorno ao caminho de Torá e mitsvot. Haverá batalhas, retrocessos, conflitos e perdas. Mas temos de nos levantar outra vez. É uma lição na história judaica e uma lição a cada um de nós. Às vezes, nós, como judeus, podemos estar dormindo. Podemos passar anos sem cumprir mitsvot. E então despertamos como um leão e mudamos. Somos uma nação que não é derrotada, uma nação de sobreviventes. É devido a esta característica que ainda estamos aqui hoje.




    Os moabitas escolhem Balac como líder contra o povo judeu



    Quando os judeus chegaram às imediações de Moav, os residentes locais tremeram. O rei de Moav ouvira a notícia de que os judeus derrotaram as nações que não lhes deram passagem, vencendo os poderosos gigantes Sichon e Og. Moav também negara permissão para os judeus passarem por suas terras, e era uma nação ainda menor que aquelas já conquistadas pelos judeus. Apesar deles saberem que a chegada do povo judeu não representava perigo a suas vidas (pois ouviram que D'us proibira Moshê de travar guerra contra Moav), ainda assim, os moabitas apavoravam-se que sua terra fosse saqueada. Também temiam que o povo judeu exterminasse todos os vizinhos a sua volta. Sobretudo, os moabitas portavam o antigo ódio contra o povo judeu. O que podiam fazer frente a esse "perigo"? Primeiro, fizeram as pazes com seus vizinhos midyanitas, fazendo uma coalizão para lutar contra os judeus. Depois, elegeram um novo rei, Tsur, que era uma pessoa sábia e forte. Uma vez que Tsur não era de estirpe real, porém um mero nobre, tampouco um moabita nativo, mas um midyanita, não seria elegível para o cargo em tempos normais. Agora, no entanto, sua reputação como poderoso herói de guerra e um mágico superior compeliram sua escolha. Eleito, seu nome passou a ser Balac, e sua tarefa, encontrar uma maneira de vencer os judeus. Apesar dos moabitas esperarem que organizasse um exército para guerrear, Balac anunciou: "Não faz sentido lutar contra os judeus, porque perderemos. Suas vitórias são extraordinárias! Enquanto lutavam contra Sichon, seu líder conseguiu deter o sol em sua trajetória. Descubramos onde reside seu poder secreto!" Os moabitas sabiam que Moshê passara anos em Midyan, na casa de Yitrô. Enviaram mensageiros aos sábios de Midyan, indagando: "Revelem-nos como os inimigos podem vencer os judeus. Moshê viveu muitos anos aqui, talvez vocês conheçam o segredo de seu sucesso." Os sábios responderam: "De fato, Moshê foi nutrido em nosso seio. Um midyanita convidou-o a sua casa, concedeu-lhe a filha em casamento e proveu-lhe dinheiro. Depois de deixar a casa de seu sogro, Moshê destruiu a nação do Egito inteira! Os judeus não precisam de armas ou de um grande exército. Seu poder está em sua palavra. Simplesmente, Moshê pronuncia o Nome de D'us, e seus inimigos morrem. Os judeus vencem as guerras porque oram pela vitória." "Combata os judeus exatamente com o mesmo método. Nosso conselho é que convoque Bilam, cujo poder da fala iguala-se ao de Moshê."



    Os poderes mágicos de Bilam



    A fama de Bilam como profundo filósofo e intérprete profissional de sonhos era internacional. Mais tarde, também se tornaria conhecido como mágico de poderosos efeitos. Reis de perto e de longe pagavam-lhe somas fabulosas para pronunciar maldições sobre seus adversários, ou outorgar-lhes bênçãos de sucesso. Balac estava pessoalmente convencido do poder de Bilam, por que há anos Bilam profetizara que Balac tornar-se-ia rei, e agora, as palavras de Bilam tornaram-se realidade. Além disso, desde que o rei Balac era melhor mágico que todos os habitantes de Moav (que eram todos proficientes nesta arte), ele, mais que qualquer outro, apreciava o domínio de Bilam sobre as forças da impureza. Balac escolhera convidar Bilam para amaldiçoar os judeus, pois acreditava que estes estavam sujeitos às forças naturais (mazal), como todas as outras nações. (Não se dava conta de que os judeus estão sob a Providência direta de D'us.) Se o próprio Balac era feiticeiro, por que precisava de Bilam? De fato, a perícia de um completava a do outro. Balac era instruído em assuntos práticos por exemplo, podia determinar exatamente onde alguém deveria postar-se para amaldiçoar efetivamente. Bilam possuía as chaves interiores, as palavras apropriadas com as quais amaldiçoar.



    A quem os dois podem ser relacionados?



    Um (Bilam) era como um cirurgião que podia manejar o bisturi, mas não estava familiarizado com as partes do corpo. O outro (Balac) era como um anatomista que consegue identificar o órgão doente, porém não pode realizar a cirurgia. Juntos, poderiam empreender uma operação. Similarmente, Bilam sabia a hora exata em que uma maldição pode ser efetiva, e Balac sabia o local de onde deveria ser pronunciada. O Talmud relata que, todos os dias, há um momento em que D'us fica irado. Isto significa que é justamente nesta hora que Ele julga os pecadores. Evidentemente, aquele que é culpado de transgressão, fica mais vulnerável nesta hora. Bilam tinha o dom de saber exatamente quando ocorriam estes momentos. Uma maldição proferida nestes instantes poderia expor sua vítima ao julgamento Divino. Balac concluiu: "Que eu convoque Bilam! Juntos, sobrepujaremos o povo judeu." A magia pode prejudicar um judeu? O Talmud nos conta a seguinte história: Certa vez, uma bruxa queria matar Rabi Chaniná com magia. Para que a magia surtisse efeito, ela precisava pegar o pó de sob os pés de Rabi Chaniná. Sem medo algum, Rabi Chaniná disse: "Pegue o pó e comprove! A magia não fará efeito. Sei que "Não há outro, só D'us!" Uma vez que Rabi Chaniná tinha plena certeza de que a magia não podia mudar o que D'us ordena, a feiticeira foi incapaz de prejudicá-lo.

    Balac envia mensageiros a Bilam



    Balac requisitou que os homens sábios de Midyan se unissem à delegação que estava enviando a Bilam. Os midyanitas consentiram, e apesar de estarem em guerra com Moav, os dois antigos inimigos aliaram-se por causa de seu ódio comum aos judeus. Temendo que Bilam se esquivasse por não ter seus instrumentos de magia à mão, os delegados levaram consigo um jogo, para esse caso. Chegaram na cidade natal de Bilam, a cidade de Petor em Aram Naharayim, e disseram a Bilam em nome de Balac: "Uma nação de 600.000 homens escapou do Egito. Você, Bilam, não nos garantiu que enfeitiçou todas as fronteiras do Egito, para que os judeus jamais pudessem sair? Bem, eles o fizeram, apesar de jamais haverem tido seu próprio rei ou terra, mataram os poderosos gigantes Sichon e Og. "Não responda que nada disso é de nossa conta, pois os judeus estão agora às nossas fronteiras!" "Nunca vi um povo mais estranho! Não podemos vê-los, pois estão ocultos pelas Nuvens de Glória, enquanto nos observam. Eu, Balac, requisito que venha ao meu auxílio. Esta nação batalha com palavras. Você também possui o poder das palavras. Se vier e amaldiçoar esse povo, nós os demoliremos. "Recompensar-lhe-ei generosamente por seus serviços. Se vier conosco, será um convidado de honra numa grande festa em sua homenagem." Geralmente, Bilam demonstrava pouco interesse nos destinatários de suas bênçãos e maldições. Era um profissional que trabalhava pelo dinheiro. De fato, contanto que o trabalho fosse lucrativo, amaldiçoaria alguém que abençoara anteriormente, e vice-versa. Não obstante, a oferta de Balac despertou forte interesse pessoal por parte de Bilam. Não desejava nada além de prejudicar os judeus. Bilam era neto de Lavan, sogro do patriarca Yaacov. Acreditava na calúnia dos filhos de Lavan: "Yaacov roubou e despojou nosso pai de todas as suas posses." Bilam, portanto, odiava os descendentes de Yaacov com todo seu coração. Enquanto servia como conselheiro do Faraó no Egito, Bilam aconselhou o rei egípcio a banhar-se no sangue das crianças judias. Também instigou o Faraó a lançar os meninos judeus recém-nascidos ao Nilo. Bilam era especialmente hostil a Moshê, uma vez que sentia que sua própria sabedoria igualava-se a de Moshê. Bilam respondeu: "Fiquem aqui esta noite. Preparar-me-ei para receber uma profecia de D'us, que me dirá o que fazer."Os mensageiros surpreenderam-se, porque Bilam não concordou imediatamente. Os representantes de Midyan, ao contrário dos moabitas, não queriam esperar. Por quê? Os midyanitas eram sábios, e ao ouvir que Bilam precisava da autorização de D'us pensaram: "Nossa causa já está perdida. Se Bilam precisa da permissão de D'us para maldizer os judeus, devemos ir embora, pois os judeus são como os filhos de D'us e que pai permite que alguém amaldiçoe seus filhos?"



    D'us fala com Bilam



    À noite, D'us apareceu a Bilam e falou com ele. Em honra aos judeus, Bilam recebeu uma profecia, mesmo sendo um perverso. Geralmente, Bilam percebia D'us através de seus poderes de feitiçaria. Agora, pela primeira vez, D'us concedeu-lhe uma visão profética através do espírito sagrado de profecia. Apesar do impuro Balac não ser merecedor de elevação, D'us concedeu-lhe uma visão profética em honra aos judeus. Às vezes, D'us revela-Se aos perversos por causa dos tsadikim. Assim, Ele falou a Lavan num sonho profético em prol de Yaacov e ao rei filisteu Avimêlech pelo mérito de Avraham. Mesmo assim, D'us não falou com Bilam da mesma forma como falava com os profetas judeus. Mandou uma nuvem que O separava de Bilam, que não podia ver o esplendor da Shechiná (Presença Divina). D'us perguntou a Bilam: "Quem são esses (perversos) homens que estão com você?" Esta pergunta era um teste para Bilam, que deveria ter respondido: "Mestre do Universo, Você é Onisciente Você não precisa me perguntar quem são." Porém, fervia de desejo de amaldiçoar os judeus, Bilam interpretou mal a pergunta de D'us, como uma indicação de que Ele não está sempre consciente do que acontece nesta terra. "Nesses momentos," pensou, "minhas maldições podem realizar-se." Respondeu arrogantemente: "Balac filho de Tsipor, rei de Moav, enviou-os a mim para pedir-me que amaldiçoe os judeus. (Veja como até mesmo os reis procuram minha ajuda!)."D'us desorientou Bilam propositadamente, colocando-lhe uma pergunta ambígua como punição, por Bilam ter desviado sua geração. Bilam, entre outros males, inovou antros de apostas e casas de prostituição.Antes da época de Bilam, as nações gentias mantinham oficialmente um certo padrão de decência, reconhecendo que imoralidade fora uma das razões para que o Dilúvio destruísse o mundo. Bilam, ele próprio entregando-se as mais baixas formas da lascívia, ensinou à humanidade como indulgir na imoralidade. Na noite em que os sábios de Moav hospedaram-se em sua casa, apresentou-os à suas práticas imorais. Assim sendo, D'us retribuiu a Bilam desencaminhando-o. D'us replicou a indagação de Bilam: "Você não deve ir com esses homens!" O ardiloso Bilam pensou: "Talvez Ele não queira perturbar-me, um justo, a viajar para um país distante." Indagou, esperançoso: "Devo então amaldiçoar os judeus estando aqui?" "Não," replicou D'us, "você não deve amaldiçoá-los de lugar algum." Bilam indagou: "Se assim é, deixe-me, em vez disso, abençoar os judeus" (e uma bênção em momento não oportuno equivale a uma maldição). "Eles não necessitam de sua bênção," respondeu D'us. "São abençoados através de seus patriarcas, e Eu os abençôo diariamente, sancionando a bênção sacerdotal." Na manhã seguinte, Bilam anunciou: "D'us não me permite ir com vocês". Bilam queria dar a impressão de que D'us havia lhe proibido ir porque era abaixo de sua dignidade acompanhar pessoas de tão pouca importância ele só podia viajar com ministros ou reis. Ele não admitiu que D'us havia lhe proibido de amaldiçoar os judeus. Quando Balac ficou sabendo da resposta de Bilam, disse: "Bilam não está satisfeito com minha oferta. Devemos oferecer-lhe mais riquezas e honras!" O rei Balac escolheu uma nova delegação. Estes eram príncipes de alta estirpe real. Instruiu-os a dizer a Bilam: "Por favor, não se recuse a vir! Balac lhe pagará quantias mais altas pelos seus serviços." Desta vez, Bilam confessou aos mensageiros: "Não posso transgredir os comandos de D'us, mesmo se Balac oferecesse-me todo o ouro e prata de seus tesouros." De fato, o ladino Bilam estava indicando a exorbitante taxa que exigiria - toda a fortuna de Balac. "Esta soma não é exagerada," refletiu o ganancioso Bilam. "Muito pelo contrário, sou uma mão de obra barata. Balac contratou-me para aniquilar uma nação inteira. Se não fosse por mim, teria mobilizado e financiado um exército inteiro, o que lhe custaria muito mais que seu tesouro inteiro. Além disso, seu exército poderia não vencer a guerra, enquanto que o êxito de minhas maldições é garantido." "Pernoitem aqui hoje," disse Bilam aos príncipes moabitas. "Deixem-me ver o que mais D'us me dirá." Apesar de ter ouvido claramente D'us proibi-lo de amaldiçoar os judeus seu desejo de unir-se a Balac era tão ardente por causa da sua avidez por dinheiro e honra, que fez outra tentativa de obter permissão. Ao ver a insistência de Bilam, D'us aquiesceu, uma vez que "todo homem é levado pela senda que deseja trilhar."Uma pessoa deve implorar constantemente a D'us para mostrar-lhe o caminho apropriado a seguir. Não deve presumir que seu caminho atual é necessariamente correto, pois pode jamais descobrir a verdade. Em vez disso, uma pessoa deve buscar esclarecimentos consistentes em todos os assuntos. Se for sincero em seu desejo, receberá ajuda de Cima. D'us disse: "Perverso, sabe por que Eu quis impedi-lo de unir-se a Balac? Desejei impedir sua morte. Não desejo a morte nem mesmo de um perverso. Se insistir em seguir a trilha da destruição, então vá." D'us também permitiu a Bilam que vá para que depois não dissesse: "D'us está com medo de minhas maldições. Portanto, Ele não me deixa amaldiçoar Seu povo."Bilam ficou satisfeito com a resposta de D'us: "Assim como Ele mudou de idéia deixando-me ir," pensou, "Ele ainda mudará de idéia sobre eu amaldiçoar os judeus



    Os estranhos e miraculosos acontecimentos ocorridos durante a viagem de Bilam



    Levado por um fanático ódio aos judeus, naquela manhã Bilam levantou-se mais cedo que de costume. Ele mesmo selou sua mula, apesar deste serviço subserviente ser, em geral, designado a seus servos. D'us disse: "Perverso, você pensa que sua devoção a sua missão ganhará superioridade para as forças da impureza? Há outro antes de você, o patriarca dos judeus, Avraham, que agiu com avidez similar e devoção a um propósito sagrado. Ao ser ordenado a sacrificar seu filho Yitschac, também ele levantou-se cedo e selou, ele próprio, seu burro implantando, desta forma, uma dedicação que é mais forte que a sua." Bilam partiu, acompanhado por dois servos e seguido pelos príncipes de Moav. D'us preencheu a rota de Bilam com obstáculos, a fim de adverti-lo de que estava prosseguindo em direção a sua própria destruição. Ele enviou o Anjo da Misericórdia para obstruir seu caminho, porém Bilam escolheu ignorar um sinal após o outro. D'us fez com que a mula de Bilam sentisse a presença do anjo, de modo que Bilam pudesse sentir-se humilde ao perceber que seu animal sabia mais que ele. Quando a mula sentiu que tinha um anjo diante de si, ameaçando-a com uma espada, não se atreveu a continuar. O caminho era ladeado de campos abertos, e a mula correu para as planícies. Bilam não sabia explicar o estranho comportamento do animal. Contudo, recusava-se a refletir sobre o significado dos extraordinários eventos, apenas ficou cada vez mais irado e golpeou sua besta. O animal, voltou então para o caminho, de onde o anjo já havia desaparecido. Imediatamente, o anjo reapareceu, e a mula o viu de novo. Com receio de continuar, a mula foi para a beira do caminho, onde havia um montículo de pedras. A mula pressionou o pé de Bilam contra as pedras, machucando-o. Desde então, Bilam passou a mancar.



    Por que Bilam foi ferido?



    Nosso patriarca Yaacov chegou a um acordo com Lavan: "Nem nós nem nossos descendentes atravessarão este lugar para prejudicar uns aos outros." Selando o acordo, erigiram um monte de pedras (Bereshit capítulo 32:44-54). Este era o mesmo monte de pedras no qual Bilam, descendente de Lavan, esbarrou, passando por ali com o objetivo de prejudicar os descendentes de Yaacov. Ele estava violando o acordo. Como castigo, o monte de pedras feriu seu pé. Porém isto não o dissuadiu de continuar a viagem. Quando a mula quis dar a volta, evitando o anjo, Bilam chicoteou-a novamente. Pela terceira vez, a mula ficou parada no meio do caminho. Só que agora, o caminho estava cercado dos dois lados, e a mula não podia se desviar. Encolheu-se sob Bilam, negando-se a se mover. Bilam deveria ter refletido. Já possuía a mula por muitos anos, e ela nunca havia se comportado daquele jeito. Deveria ter percebido que D'us o impedia de prosseguir. Ao invés disso, Bilam enfureceu-se, dando uma terrível surra na mula.



    Por quê o anjo apareceu três vezes?



    Da primeira vez que o anjo apareceu, havia campo aberto dos dois lados do caminho. D'us mostrava: "Se você pretende maldizer os filhos de Avraham, só pode maldizer os descendentes de Yishmael, que são perversos e merecem uma maldição. Mas não se atreva a amaldiçoar os filhos de Yitschac, pois são tsadikim."Na segunda aparição, só podia escapar por um lado, simbolizando: "Se você quer maldizer os descendentes de Yitschac, só pode maldizer os filhos de Essav, o perverso, mas jamais os filhos de Yaacov."Da terceira vez, o asno não podia se mexer nem para a direita, nem para a esquerda, mostrando a Bilam: "Se você quer maldizer os descendentes de Yaacov, o caminho está bloqueado de ambos os lados. É impossível. Os doze filhos de Yaacov são tsadikim, e seus descendentes são santos." D'us realizaria agora um milagre cujo potencial Ele estabelecera durante os seis dias da criação - fazer a mula conversar com Bilam em linguagem humana. Este milagre tinha como objetivo incutir em Bilam a impressão de que a fala é um dom de D'us. Exatamente como Ele pode investir uma besta muda com o poder da fala, assim Ele impediria Bilam de fazer quaisquer declarações não favoráveis contra os judeus.



    A mula reclamou a Bilam: "O que fiz a você para merecer apanhar três vezes?"



    Bilam deve ter ficado assombrado e aterrorizado ao ouvir a mula falar. Todavia, estava tão obcecado em atingir seu perverso objetivo que estava insensível sequer às mais bizarras ocorrências. Replicou a sangue frio: "Você me fez de bobo! Se apenas tivesse uma espada em minhas mãos, te mataria agora!" Começou a procurar uma arma para matá-la. A mula comentou: "Aparentemente, você não pode destruir-me sem uma espada, não obstante está a caminho de erradicar uma nação inteira com palavras?!" Os príncipes de Moav, cavalgando com Bilam, ficaram sem palavras. Jamais testemunharam algo tão extraordinário quanto uma conversa entre um ser humano e um animal. Além disso, as palavras da mula faziam sentido. "É verdade," os príncipes começaram a rir. "Vejam, este homem proclama que pode destruir um povo inteiro apenas com palavras, e agora está procurando freneticamente uma espada para matar sua mula!" Essa ridicularização foi um golpe devastador para o orgulho de Bilam. "Por que você está montando uma mula que não lhe obedece?" - perguntaram os príncipes. "Ela não me pertence, tomei-a emprestado," explicou Bilam. "Não é verdade," desmentiu-o a mula, "Sou sua mula." "Contudo," continuou Bilam, "ela não está acostumada a transportar pessoas, apenas cargas." "Não," objetou a mula. "Estou acostumada a que me monte." "Talvez eu a usei uma vez," desconversou Bilam. A mula corrigiu-o: "Você sempre montava em mim durante o dia, e à noite usava-me para seus baixos propósitos! Alguma vez já agi de maneira similar desde que me conhece?" "Não, não agiu," confessou o envergonhado Bilam. Somente depois é que D'us abriu os olhos de Bilam, que de repente notou o anjo a sua frente, brandindo a espada. Bilam compreendeu que fora ameaçado de morte. Ajoelhou-se e prostrou-se ao solo, em sinal de reverência. O anjo censurou-o: "Por que bateu na mula três vezes? Se ela não tivesse se desviado de mim cada vez, eu teria te matado. No entanto, não fui enviado para cá para defender sua mula. Vim para avisar você a não prosseguir com seus planos perversos. A nação que você procura exterminar é tão amada pelo Todo Poderoso, que Ele ordenou a todos os seus varões que viessem visitá-Lo três vezes por ano no Templo Sagrado (para as Festas)." Temendo por sua vida, Bilam tornou-se submisso e fingiu remorso. "Pequei," confessou impetuosamente, esperando que o anjo poupasse sua vida. "Deveria ter percebido, pelos acontecimentos extraordinários, que D'us estava tentando impedir-me de seguir meu curso. Agora, se você desaprova que eu continue viajando, voltarei." As palavras: "Se você desaprovar," que Bilam dirigiu ao anjo, eram insolentes. Implicavam: "D'us permitiu-me partir, e agora Ele envia um anjo para relembrar Suas palavras. Se Ele quer que eu volte, Ele Mesmo deveria ter me dito. Também no passado D'us foi inconsistente. Primeiro, Ele ordenou a Avraham que oferecesse seu filho em sacrifício, e depois Ele ordenou que um anjo contradissesse Sua Palavra." Bilam era astuto. Intencionalmente, disse: "Pequei." Sabia que se alguém confessa seu pecado, o anjo não tem poder de tocá-lo. Em seu coração, porém, continuava o mesmo perverso de antes sequioso por maldizer os judeus. Por isso, D'us permitiu que ele continuasse na vereda do mal que ele próprio escolhera. O anjo respondeu: "Você pode prosseguir viagem. Mas saiba que será capaz de dizer apenas o que colocarei em sua boca." Bilam montou alegremente, esperando "persuadir" o Todo Poderoso a deixá-lo amaldiçoar os judeus.



    Bilam é recebido por Balac, e ambos preparam-se para maldizer o povo judeu



    De acordo com instruções anteriores de Balac, ao chegarem às proximidades de Moav, os delegados notificaram o rei, que saiu para prestar a Bilam a honra de uma recepção real. "Por que não aceitou minha oferta imediatamente?" Balac reprovou Bilam. "Você acha que sou incapaz de honrá-lo?" (Involuntariamente, uma faísca de profecia escapou de seus lábios. Na verdade, não seria capaz de honrar Bilam.) Bilam explicou a Balac que ele não concordara imediatamente porque D'us proibiu-o de partir. "Agora também tenho poder para falar apenas as palavras que D'us coloca em minha boca."Não obstante, ambos confiavam em que Bilam seria capaz de enfraquecer os judeus com seus poderes e prejudicá-los através de seu mau olhado. Conforme Balac e Bilam cavalgavam ao longo do rio Arnon em direção aos subúrbios da capital, o rei mostrou a Bilam, à distância, faixas de terra que os judeus conquistaram de Sichon e Og, terras que originalmente pertenceram a seu próprio país. Ao chegarem à capital, Bilam percebeu que era densamente populosa, e fervilhava de atividade. Antes da chegada de Bilam, Balac ordenara a todas as grandes lojas e mercados dos subúrbios de Moav que se transferissem para o centro da capital. Esperava que a visão da cidade agitada com vida e atividade despertasse a simpatia de Bilam. Desta maneira, cheio de compaixão por uma população inocente de homens, mulheres e crianças ameaçadas por uma invasão, Bilam esforçar-se-ia ao máximo para incapacitar os judeus. Bilam e os príncipes de Moav instalaram-se em alojamentos pré-determinados. O rei Balac enviou-lhes uma refeição de sua cozinha, porém a despeito de suas grandes promessas, era realmente escassa. Naquele dia, Balac abateu muito gado para seu próprio banquete suntuoso para Bilam, contudo, enviou de má vontade não mais que um bezerro e um carneiro, ambos pequenos e defeituosos. Bilam ficou ultrajado, e jurou furiosamente: "Eu o ensinarei a não ser tão avarento. Amanhã, mandarei erigir sete altares em sete lugares diferentes, e oferecer um touro e um carneiro em cada um. E deverá repetir as oferendas cada vez que eu estiver pronto para maldizer os judeus. Que isto lhe sirva de lição."Na manhã seguinte, Balac e Bilam encontraram-se a fim de começarem os preparativos necessários para amaldiçoarem os judeus. Bilam esperava reconhecer o minuto exato de ira de D'us, para aproveitar a oportunidade e pronunciar a maldição. Balac, que era superior a Bilam no conhecimento de onde uma maldição deve ser pronunciada, levou Bilam a uma colina de onde podiam observar a Tribo de Dan. Balac sabia que os judeus eram uma nação bendita por D'us. Não obstante, propunha-se a aniquilar os judeus que cometiam pecados. Se os encontrasse, D'us teria que cumprir a maldição, pois esses judeus mereciam uma punição. No futuro, alguns homens da tribo de Dan erigiriam um ídolo Bilam exultou quando viu a tribo que pecaria, pois acreditava que sua maldição faria efeito sobre esta tribo. Bilam instruiu Balac: "Construa sete altares neste local, e ofereça um novilho e um carneiro a D'us." Bilam esperava encontrar graça aos olhos de D'us com esses sacrifícios. Proclamou: "Construí sete altares, correspondendo aos sete altares erigidos pelos sete tsadikim: Adam e seu filho Hêvel, Nôach, Avraham, Yitschac, Yaacov e Moshê. " Apesar de Bilam e Balac não oferecerem sacrifícios por motivos puros, mas com perversos propósitos posteriores, não obstante D'us recompensou-os. Balac, como resultado, tornou-se o ancestral de Ruth, a moabita, convertida e matriarca da real dinastia de David. Aprendemos disso que devemos sempre realizar atos externos de retidão e virtude, estudar Torá e cumprir as mitsvot, mesmo se seus motivos não forem totalmente puros. Subseqüentemente, realizará esses atos com sinceridade. É certo e apropriado que um judeu estude Torá e cumpra as mitsvot, mesmo que, naquele momento, falte-lhe a requerida dedicação mental a D'us. O cumprimento de Torá e mitsvot na prática exercem, por si sós, uma influência benéfica sobre ele. Bilam ordenou a Balac: "Permaneça ao lado dos sacrifícios, enquanto eu subo ao topo da colina. Tenho de meditar sozinho para que D'us possa falar comigo. No passado, Ele nunca Se dirigiu a mim durante o dia, e não tenho certeza de que Ele virá ao meu encontro agora." Bilam andou sozinho até o topo da colina, arrastando com dificuldade sua perna defeituosa. Apesar de seu ferimento ainda doer, recusava-se a atrasar a missão e dar-se o tempo para recuperar-se pois estava ansioso demais para amaldiçoar os judeus. Bilam pensou: "Logo chegará um momento no qual D'us fica desgostoso com o mundo." Todavia, ele esperou, esperou, mas esse momento jamais chegou. Na verdade, D'us agiu com muita bondade com o povo judeu. Durante todos aqueles dias em que Bilam tentou maldizer os judeus, D'us conteve sua ira. Depois que Bilam meditou um pouco, D'us apareceu para ele, em honra ao povo judeu. (Contudo, a revelação de Bilam foi inferior à experimentada pelos profetas judeus. D'us dirigiu-se a ele de maneira casual e desdenhosa, e não com amor.) A Torá não diz "vayicrá" - D'us chamou Bilam. A Torá emprega a palavra "vayicar", significa que D'us "encontrou por casualidade" com Bilam. Também significa que D'us ficou aborrecido por ter de falar com alguém tão impuro como Bilam. D'us perguntou a Bilam: "Perverso, o que você está fazendo aqui?" "Preparei sete altares com sacrifícios," replicou Bilam, "como presentes a Ti." Um vendedor sempre trapaceava seus clientes, usando falsos pesos. Certo dia, um inspetor entrou na loja e disse-lhe: "Você está sendo acusado de fraude." "Eu sei," replicou o vendedor, "já enviei um presente a sua casa." Similarmente, Bilam esperava o favorecimento de D'us subornando-O com sacrifícios. D'us respondeu: "Prefiro uma colher cheia de farinha oferecida pelos judeus, descendentes de Meu amado Avraham, aos suntuosos sacrifícios daqueles que Eu odeio. Não quero as oferendas de um perverso. Volte para o rei Balac e fale com ele." Bilam implorou a D'us para que o deixasse amaldiçoar o povo judeu mas enquanto no seu íntimo formulara uma maldição, D'us enrolou sua língua, forçando-o a pronunciar o oposto do que pensava. (De cada bênção pode-se adivinhar a maldição que Bilam pretendia proferir.) Foi como se D'us tivesse posto um freio em sua boca, obrigando-o a dizer apenas o que D'us queria que ele dissesse. Bilam já não podia escolher suas próprias palavras. Bilam retornou a Balac e aos príncipes de Moav. Encontrou-os ainda concentrados sobre as oferendas dos sacrifícios. Bilam estava pronto para lançar sua primeira maldição. Mas o "freio" que tinha em sua boca alterava tudo o que ele pensava dizer. Qual não foi a surpresa de Balac e dos príncipes de Moav ao ouvir Bilam pronunciar as bênçãos mais portentosas



    A primeira bênção de Bilam: A origem e destino do povo judeu são únicas

    Quando as bênçãos começaram a sair de sua boca, Bilam elevou sua voz o mais alto que pôde. Esperava evocar a inveja e hostilidade das nações gentias ao escutarem louvores ao povo judeu. As bênçãos de Bilam estavam encobertas como parábolas poéticas. Proclamou: "Balac, o rei de Moav trouxe-me de Aram, das antigas montanhas, dizendo, 'Venhamos, e amaldiçoe (para) mim Yaacov e venha, desperte a ira [de D'us] contra Israel.'" O profundo significado das palavras de Bilam era: Você, Balac, e eu, somos os mais ingratos dos homens. Ambos devemos nossas vidas aos judeus. Como, então, você pôde trazer-me de Aram para amaldiçoá-los? Foi neste exato local que seu patriarca, Yaacov, ficou com meu patriarca, Lavan. Antes da chegada de Yaacov, Lavan não tinha filhos. Nasci apenas por causa dos méritos de Yaacov. Você, Balac, sobreviveu por causa das "antigas montanhas," os patriarcas desta nação (chamados de "montanhas"). Você é um moabita, um descendente de Lot. Se não fosse por seu patriarca Avraham, Lot não teria sido resgatado da destruição de Sodoma, e você não estaria vivo hoje. Mais que isso, não percebe que D'us protege esse povo? Ele prometeu a seu patriarca Avraham: "Os que te amaldiçoarem, Eu os amaldiçoarei." Portanto, alguém que os amaldiçoa está se amaldiçoando. Quando enviou-me a mensagem: "Venha, amaldiçoe (para mim) Yaacov", você na verdade indicava: "Venha, amaldiçoe-me (amaldiçoando Yaacov)." "Como posso amaldiçoar, enquanto D'us não amaldiçoa [mas ao contrário, Ele os abençoa]?! E como posso despertar a ira [Divina] contra eles, se D'us não está irado?!" Parece que D'us abençoa os judeus mesmo quando merecem uma maldição. Assim, de que vale minha tentativa de amaldiçoar os judeus, se D'us não deseja que eles sejam amaldiçoados? Das afirmações acima, de Bilam, podemos discernir seus pensamentos. Em seu coração, implorava a D'us que o deixasse pronunciar uma maldição. D'us, no entanto, frustrou suas intenções, e assim ele proclamou que ninguém poderia amaldiçoar esta nação. Bilam decidiu então encontrar culpa e defeito nos patriarcas, para que o mal recaia sobre os judeus por causa deles. Por quê foi esta sua primeira maldição? Duas pessoas entraram na floresta para derrubarem uma árvore. O mais tolo começou a podar um galho após o outro, um trabalho bastante tedioso. O mais esperto raciocinou: "Se pudermos encontrar as raízes desta árvore e fizermos um esforço supremo para cortá-la, conseguiremos também podar todos os seus galhos." Assim, Bilam, o perverso, pensou: "Em vez de amaldiçoar cada tribo separadamente, erradicarei as raízes. Se encontrar alguma impureza na origem deste povo, eu a amaldiçoarei, e desta forma, prejudicarei o povo inteiro." Em seguida Bilam concentrou seus pensamentos em nossos patriarcas, com o a intenção de encontrar neles alguma jaça. Mas ao contrário, uma bênção brotou de seus lábios, pois a origem dos judeus era pura: "Do topo das rochas eu o vejo e das colinas eu o contemplo." Vejo os judeus descenderem de patriarcas sagrados, chamados de "rochas", e das sagradas matriarcas, chamadas de "colinas". como as rochas no mundo físico, os patriarcas são a fundação espiritual do mundo.) Desde a origem este povo é santo, suas almas anseiam por santidade. Por isso, nunca se assimilarão totalmente como os não-judeus (mesmo se ficarem associados temporariamente.) Eles guardam e cuidam cuidadosamente de sua origem: "Eis que o povo viverá na solidão e não será contado entre as nações." O povo judeu não se casará com não-judeus, tampouco adotarão as crenças e culturas dos não judeus à sua volta. Recusam-se a profanar o Shabat, a abolir o berit milá (circuncisão), ou a adorar as divindades dos não-judeus."Quem pode contar o pó de Yaacov?" Quem pode contar o número de mitsvot que um judeu realiza desde a hora em que nasce até a hora em que retorna ao pó?! Já está circunciso na tenra idade de oito dias. Se for um primogênito, é redimido por um cohen quando atinge a idade de trinta dias. Aos três anos, seus pais começam a educá-lo em Torá e mitsvot aos treze, toma sobre si a esponsabilidade de todas as mitsvot. Um judeu nunca se senta para uma refeição sem a bênção de "hamotsi" e após a refeição, novamente recita bênçãos. Quem pode amaldiçoar uma nação cujos membros dedicam suas vidas a cumprir os mandamentos de D'us? Quem pode contar o número de mitsvot que um judeu realiza, mesmo com materiais inferiores, como terra e pó? Quando o judeu ara, observa a proibição de "Não ararás com um boi e um burro juntos," e quando semeia, "Não semearás teu campo com duas espécies de sementes." Ele utiliza cinzas para a mitsvá da vaca vermelha, e pó para as águas de Sotá. Quem pode amaldiçoar uma nação que cumpre até mesmo a mais pequena das mitsvot de D'us? Quem pode contar as pequenas crianças judias que, como D'us predisse, "multiplicar-se-ão como o pó da terra"? (Todas as contagens no deserto excluíam os varões com menos de vinte anos de idade.) Através da bênção de Bilam podemos discernir a maldição que elaborara em seu coração ele desejava diminuir o número de judeus. "E o número da quarta parte de Israel." Quem pode contar a população de mesmo uma das quatro divisões de estandartes dos judeus? De acordo com outra interpretação, Bilam disse: "D'us conta a semente dos judeus, esperando que nasça um tsadic." Quando Bilam pronunciou estas palavras proféticas, comentou intempestivamente: "Como pode D'us, Que é santo, e seus anjos, que são santos, mesmo olhar para tais assuntos?" Como punição, Bilam ficou cego de um olho. "Que eu morra a morte dos justos e que meu fim seja como o deles!" Ao perceber que em vez de amaldiçoar os judeus estava involuntariamente abençoando-os repetidamente, Bilam decidiu que seria melhor morrer a continuar sofrendo tal agonia! Entretanto, o espírito de profecia que falava através de seus lábios também elevou esses pensamentos, e ele encontrou-se pedindo a morte dos judeus justos e virtuosos, que entrassem no Paraíso depois de partir deste mundo. Este é um dos versículos nos quais a Torá Escrita expressa a crença fundamental de que a alma continua a existir depois da morte física, e que os tsadikim experimentam a plenitude e felicidade eternas do Paraíso. Por isso, Bilam teria desejado a morte dos judeus justos. Balac ficou escutando as palavras de Bilam com cada vez mais assombro e consternação. "O que você fez comigo?" - censurou-o. "Eu lhe convoquei para amaldiçoar meus inimigos, e você os abençoa!" "Não posso fazer nada a esse respeito," replicou Bilam, "pois sou forçado a falar o que D'us coloca em minha boca." Quando os príncipes de Moav ouviram essas palavras, perceberam que Bilam não conseguiria amaldiçoar os judeus. A maioria partiu, apenas alguns permaneceram com Balac, na vã esperança de que Bilam ainda obtivesse êxito. Balac disse então a Bilam: "Deixe-me levá-lo a outra colina, onde estou tendo a visão, através de meus poderes mágicos, que os judeus, um dia, sofrerão uma trágica perda. Talvez essa calamidade seja resultado de minha maldição!"Balac levou Bilam à montanha sobre a qual Moshê estava destinado a falecer. "Medite sobre os perversos do povo," aconselhou Balac a Bilam, "e não sobre os tsadikim. Talvez você consiga prejudicá-los." Bilam instruiu Balac a erguer novamente sete altares, e a sacrificar um touro e um carneiro sobre cada um. "Permaneça aqui para oferecer os sacrifícios," disse Bilam a Balac. "Eu ficarei mais adiante, para que D'us se dirija a mim." Ao ser instruído por D'us para conceder mais bênçãos sobre os judeus, não quis voltar a Balac. "Por que devo voltar e deixá-lo irado?" - disse. Contudo, D'us forçou Bilam a voltar e pronunciar a próxima bênção. Ao ver Bilam se aproximando, Balac perguntou-lhe cinicamente: "O que D'us, a Quem você é obviamente subserviente, lhe disse para profetizar?" Por conseguinte, Bilam começou seu discurso censurando Balac por essas palavras desrespeitosas



    A segunda profecia de Bilam: a grandeza do povo judeu os protege contra maldições

    "Levante-se, Balac, e ouça, escute-me, Oh filho de Tsipor."

    Não trate levianamente minha profecia, Balac. Você não deve permanecer sentado enquanto ouve as palavras de D'us. Levante-se e fique de pé! "D'us não é um homem, para que Ele seja falso, nem um ser humano que Se arrependa." Um homem às vezes faz uma promessa, e mais tarde recusa-se a cumpri-la, ou arrepende-se de tê-la feito. D'us, contudo, mantém Sua palavra. Ele prometeu aos patriarcas que Ele levaria os judeus a Terra de Israel e lhes daria sua posse. Você acha que Ele quebraria Sua promessa e deixaria você destrui-los no deserto? Da bênção de Bilam podemos apreender a maldição que desejava pronunciar: que D'us deveria quebrar a aliança que selou com os patriarcas, e não levar o povo para a Terra Santa. "Acaso Ele falou e não o fará, ou Ele disse e Ele não o cumprirá?" Essas idéias são formuladas como questões retóricas (em vez de afirmações, "Se Ele disse, Ele certamente o fará...") para sugerir que, de fato, há épocas em que D'us não cumpre Sua palavra: Se Ele decreta algo de mal sobre o povo, e este se arrepende depois, Ele anula Seu decreto. Porém, quando se trata de uma bênção do Todo Poderoso, esta é irrevogável. "Vejam, eu recebi as bênção, Ele abençoou, e eu não posso retirar." Em seu íntimo, Bilam implorava a D'us para não compeli-lo a pronunciar mais bênçãos, porém sua verdadeira fala admitia que estava em poder de D'us. Ele não viu iniqüidade em Yaacov, e nem viu Ele algo errado em Israel." Bilam tentava desesperadamente encontrar defeitos nos judeus. Todavia, a geração que chegou a Israel era uma geração de tsadikim, e desta forma foi forçado a admitir que não conseguiria encontrar pecadores entre eles. "D'us, seu D'us, está com eles, e a Shechiná do Rei está com eles." Você, Balac, disse-me para amaldiçoar os judeus com meus poderes de impureza. Como posso amaldiçoar um povo cujo D'us está constantemente em seu meio, e os guarda e protege? Um ladrão pode conseguir entrar num vinhedo e arrancá-lo enquanto o proprietário está dormindo mas "O Guardião de Israel não dorme nem dormita. " (Tehilim 121:4). Como, então, posso prejudicar os judeus? Ao ouvir as palavras de Bilam, Balac perguntou: "Será possível que suas maldições são ineficazes por causa do poder de seu atual líder, Moshê? Talvez você deva atrasar os efeitos da maldição para a época depois da morte de Moshê, quando os judeus serão guiados por outro líder?" "Impossível," replicou Bilam. "O sucessor de Moshê, Yehoshua, batalhará contra os inimigos tão vigorosamente quanto Moshê. Quando tocar trombetas perante D'us, os muros de Jericó esfacelar-se-ão e desmoronarão!" "D'us tirou-os do Egito com o poder da Sua elevação." Você, Balac, disse-me: 'Veja, um povo saiu do Egito." Estas palavras não eram acuradas. O povo não poderia ter deixado o Egito sozinho, mas deve ter sido tirado de lá por D'us de maneira sobrenatural. Eu, Bilam, enfeiticei todas as fronteiras do Egito com meus poderes mágicos, a fim de impedir a fuga dos escravos hebreus. Não obstante, minha feitiçaria foi ineficaz, pois D'us, Ele próprio tirou-os de lá. "Pois não há adivinhações em Yaacov, tampouco há qualquer feitiçaria em Israel." Este versículo pode ser compreendido de duas maneiras: 1. Nenhuma adivinhação é efetiva contra Israel (uma vez que D'us está em seu meio) portanto, as ferramentas de magia que os sábios de Midyan trouxeram a mim são completamente inúteis. Pois, diferente das nações, este povo não é regido por anjos encarregados, mas estão sob Supervisão direta de D'us. Quando meu avô Lavan estava sequioso por destruir seu patriarca Yaacov com sua artes mágicas, D'us não deixou que tivesse êxito. Similarmente, não posso derrotar os descendentes de Yaacov. 2. Não poderão ser encontrados adivinhos e feiticeiros entre os judeus. Não praticam magia como as outras nações, porém consultam D'us diretamente, através de seus profetas, e através da placa peitoral do Sumo-sacerdote. Portanto, este grande povo certamente merece ser abençoado. "Chegará uma época na qual dirão a Yaacov e a Israel: 'O que D'us operou?'" 1. Na época de Mashiach, D'us realizará milagres para os judeus, que ultrapassarão todos os que foram feitos no passado. As nações gentias então virão e indagarão aos judeus sobre os grandes feitos de D'us. 2. Na era que se seguirá à ressurreição dos mortos, o amor de D'us pelo povo judeu se tornará evidente a todos. D'us, pessoalmente, será seu professor de Torá. Os tsadikim sentar-se-ão na frente de D'us como estudantes ante seu mestre, e Ele lhes revelará os profundos significados da Torá. 3. Não será permitido aos anjos entrarem, porém precisarão perguntar aos judeus: "O que D'us te ensinou?" "Vejam, o povo levantar-se-á como um filhote de leão, e se levantará como um leão." 1. Este povo ergue-se tão forte quanto um leão, e não descansará até ter destruído seus inimigos e tomado os espólio de Canaã. 2. Não há nação na terra que serve o Criador com tanta energia quanto o povo judeu. Quando um judeu se levanta de manhã, ele se fortalece como um leão para agarrar as mitsvot, para vestir tsitsit e tefilin, e para recitar o Shemá na hora certa."Não se deitará até que tenha comido de sua presa, e beba o sangue da caça." 1. Bilam predisse que Moshê não faleceria antes de vingar-se dele e dos cinco reis midyanitas. 2. Um judeu não se deita à noite até ter recitado o Shemá. Ao pronunciar as palavras: "D'us é Um," reconhecendo assim que não há outro poder que o Todo Poderoso. D'us destrói agentes prejudiciais. Depois de aprender da segunda profecia de Bilam que os judeus conquistar
  • Parashá Chukat

    25

    Jun
    25/06/2009 às 20h18
    Parashá Chukat

    Comentário sobre a Parashá

    “Esta á da Lei da Torá...” (Bamidbar 19:2)

    Esta é a Lei da Torá. Assim começa a parashá desta semana onde podemos encontrar três tipos de preceitos na Torá: Torot, Chukim e Mishpatim (ditames, leis e juízos) e as leis especificam-se para além da compreensão humana e por isso apenas devemos aceitá-las como imposições divinas, impossíveis de entender a sua lógica. Assim se expressou o Rei Shelomo que foi assinalado como o sábio de todas as épocas e disse a respeito do preceito da vaca vermelha: “Disse-me, questionarei sobre ela e ela encontra-se longe de mim”. O Rei Shlomo quis expressar o seu descontentamento pois não conseguiu entender absolutamente este preceito. Devemos esclarecer que o Rei Shelomo não disse que não se pode entender, senão que não o conseguiu entender.

    Então, se que os preceitos se dividem em três tipos. Porque é que a parashá inclui todos dentro da mesma categoria Chuká? Teria que ter especificado “esta lei da vaca vermelha, não de toda a Torá, ao que nos comentam os nossos Sábios: na verdade toda a Torá está acima do nosso entendimento e mesmo os preceitos que nos parecem lógicos ou que os nossos Sábios explicaram as suas razões, devemos também considerá-los como ditames divinos, longe da nossa capacidade intelectual.

    A parashá relata-nos também a morte de Miriam e Aarón, irmãos de Moshé depois da morte de Miriam comenta-nos a Torá que faltou de repente a água ao Povo de Israel, pelo que criticaram Moshé pela falta desse conhecimento, adulindo que tivesse sido preferível morrer no Egipto. Durante quarenta anos no deserto houve água para dois milhões de bocas, tudo pelo mérito de uma só pessoa, Miriam e único relato que a Torá nos comenta sobre ela, foi que quando forçados pelo ditame do Faraó, Amram, pai de Moshé, pôs o seu filho, recém nascido numa canasta e colocou-o no rio. Então Miriam deteve-se a observar o que acontecia ao seu irmão, um simples acontecimento, tão humano, que foi tão importante para merecer um grande pagamento: água para dois milhões de pessoas durante quarenta anos no deserto!

    Os livros de história estão repletos de grandes homens que realizaram façanhas m prol da humanidade e mudaram a sua trajectória mas nunca encontraremos o relato de alguém que fez um pequeno acto de bondade, como foi o de preocupar-se alguns minutos com um recém nascido. Em troca a Torá valoriza esse acto, que aos lhos humanos podia passar despercebido mas quem sabe valorizar reconhece que esse acto pode ser muito mais profundo que muitas revoluções.

    A nossa parashá relata-nos a morte de Aarón Hacohén, irmão de Moshé e Miriam ao que comenta a Torá: ”E Aarón chorou trinta dias todo o Povo de Israel ao que perguntaram os nossos Sábios a razão da morte de Moshé e está escrito: “E choraram os Filhos de Israel...” e em troca, sobre Aarón está escrito”todo o Povo de Israel”? A isto responderam : Aarón na sua condição de amante da paz e harmonia entre as pessoas, mereceu o carinho de topo o povo. Um sorriso, uma boa palavra, um apoio a tempo, um bom conselho, não podemos imaginar o valor dos actos tão simples, que erradamente consideramos sem valor. Uma pequena preocupação valeu a salvação do povo de Israel durante quarenta anos no deserto, o desejo de fazer amizade e a paz entre as pessoas fez com que Aarón merecesse o carinho de todo o povo.

    Shabat Shalom

    Rab. Shlomó Wahnón
  • Porção Semanal: Côrach

    14

    Jun
    14/06/2009 às 21h36
    Porção Semanal: Côrach
    Bamidbar 16:1 - 18:32

    A Parashá Côrach começa com a infame rebelião liderada por Côrach contra seus primos, Moshê e Aharon, alegando que os dois haviam usurpado o poder do restante do povo judeu.

    Após tentar convencer os rebeldes a uma retirada, Moshê diz aos dissidentes e a Aharon que cada um deve oferecer incenso a D'us. A oferenda do verdadeiro líder seria aceita por D'us, enquanto que o restante do povo teria uma morte não natural. A um pedido de Moshê, D'us faz com que a terra miraculosamente se abra e engula Côrach, enquanto o restante dos líderes da rebelião são consumidos por uma chama enviada por D'us. Quando os sobreviventes reclamam sobre a morte em massa, D'us ameaça destruí-los também, e irrompe uma peste.

    Mais uma vez, Moshê e Aharon intervêm, oferecendo incenso para impedir a extinção do resto do povo. Deste modo, e com o miraculoso brotar do cajado de Aharon dentre aqueles dos outros líderes das tribos, Moshê e Aharon provam ser os líderes escolhidos. O papel de Aharon como Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) é reiterado, e a Torá descreve os dons a serem concedidos aos Cohanim como recompensa por seu serviço no Mishcan (Tabernáculo), incluindo o direito de comer determinadas porções dos Corbanot (Sacrifícios). Os Levitas devem também ser sustentados pela sua dedicação recebendo ma'asser, ou a décima parte de todas as colheitas produzidas pelo povo judeu na Terra de Israel.


    Mensagem da Parashá

    "Os líderes da rebelião ficaram perante Moshê com duzentos e cinqüenta homens dos Filhos de Israel, líderes da congregação, aqueles convocados para a reunião, varões de renome" (Bamidbar 16:2).

    Finja que você é um dos duzentos e cinqüenta homens que estavam lutando por "direitos iguais" sob o comando de Côrach. Como estes homens eram líderes judeus, pode-se presumir que eram pessoas inteligentes a maioria dos líderes da história o foi. Portanto, coloque-se no lugar deles. Côrach vem até você e o convida a juntar-se a uma rebelião contra Moshê e os Cohanim. Você provavelmente perguntaria: "Estamos lutando contra o quê?" A resposta seria: "Não é justo que os Cohanim sejam os únicos a realizar o serviço de D'us no Mishcan. Creio que todos deveriam ter permissão de participar."

    Caso eu fosse um daqueles homens inteligentes, diria: "Côrach, você teve uma idéia brilhante, mas creio que deixarei você rebelar-se e, se e quando você vencer, ficarei feliz em realizar o serviço junto com os outros. Afinal, D'us disse que qualquer não-cohanim que realize o serviço morrerá, portanto, por que eu deveria arriscar-me?"

    De forma notável, todos eles concordaram em participar da rebelião e realizar o serviço proibido, e todos morreram. O que levou pessoas tão inteligentes a fazer algo tão insensato?

    Além disso, parece que a porção desta semana da Torá sai um pouco de seu rumo para enfatizar a importância daquelas pessoas que se rebelaram contra Moshê. Se eles tivessem sido homens de reputação duvidosa, seria razoável a Torá nos dizer quem eram eles, num esforço para demonstrar que apenas os membros inferiores da nação ousavam rebelar-se. Entretanto, seria uma publicidade muito negativa para os judeus mencionarem eternamente que foram alguns de seus maiores líderes que pecaram. Por que a Torá passa ao mundo esta informação pejorativa sobre nossos ancestrais?

    Para encontrar uma resposta à nossa pergunta, devemos primeiro entender a situação dos líderes do passado. Imagine que além de ter um altíssimo Q.I., você é extremamente rico. Após adquirir tudo aquilo que seu coração deseja, ainda lhe sobra uma soma respeitável. Você tem tudo que o dinheiro pode comprar, mas não tem nenhum poder verdadeiro, então adquire uma companhia influente. Você se sente no topo do mundo, até que um dia liga a televisão e lá está, algo que você não tem - a presidência.

    O sentimento de inveja começa a roê-lo lentamente por dentro, e você se torna terrivelmente deprimido. Percebendo que você não está bem, um de seus melhores amigos sugere que você candidate-se a presidente. Uma grande idéia, você pensa, mas após alguns meses de campanha, percebe que embora você possa ter o dinheiro para comprar alguns votos, não os terá em número suficiente para elegê-lo, portanto é forçado a desistir.

    É exatamente contra este cenário que a Torá está nos advertindo. Côrach e seu grupo tinham tudo que poderiam desejar - riqueza, honra, prestígio - tudo exceto o direito de participar no serviço do Templo. Isso estava reservado para os Cohanim, e ninguém podia comprar aquele cargo.

    Os rabinos em Pirkê Avot (Ética dos Pais 4:28) ensinam que "inveja, desejo e honra removem uma pessoa deste mundo." Faz sentido que estes líderes sentissem inveja dos Cohanim. Imagine como deve ter sido difícil verem os Cohanim fazendo o serviço no Templo, enquanto eles tinham de estar longe da área sagrada.

    "Sinto muito, mas nenhum não-Cohanim pode passar deste ponto," o guarda sempre dizia. O desejo de fazer o trabalho do Cohen e ter a honra reservada somente aos Cohanim certamente alimentou esta inveja. Assim, como o infeliz candidato à presidência, os seguidores de Côrach também tentaram conseguir o inatingível.

    Agora podemos avaliar por que eles agiram, mas ainda não sabemos o que motivou pessoas tão inteligentes a ignorarem a verdade óbvia, que podiam estar jogando fora suas vidas, aparentemente sem muita reflexão. Talvez estes homens estivessem cegos. Não a perda física da visão, mas sim uma involuntária cegueira auto infligida. Muitas coisas podem cegar uma pessoa, mas precisa ser algo muito forte, como por exemplo a inveja, para impedir uma pessoa de ao menos perceber que foi cegada. A inveja é muitas vezes comparada a uma chama que queima as entranhas de alguém. Como uma pequena chama, a inveja devora a pessoa e rapidamente cresce até um fogo furiosamente incontrolável. É claro que estes homens não eram tolos. Na verdade, alguns eram até brilhantes, mas estavam cegos.

    Com esta idéia em mente, podemos entender por que a Torá sai um pouco de seu rumo para contar-nos como eles eram notáveis. A Torá deseja enfatizar que mesmo pessoas notáveis podem ficar cegas pelos seus desejos. A Torá está nos advertindo a todos, mesmo nossos maiores líderes, a não nos deixarmos enganar pensando que somos melhores que o grupo de Côrach, que sucumbiu ao pecado da inveja. Se eles puderam ignorar o óbvio, também nós podemos.

    Então, o que podemos fazer para proteger-nos? O Talmud (Tratado Sanhedrin 109b) conta-nos uma história interessante sobre um dos rebelados de Côrach, On ben Pelet (mencionado no primeiro versículo da Porção da Torá) que havia planejado participar da rebelião com o restante dos líderes. Entretanto, sua sábia e justa mulher persuadiu-o a não participar, argumentando que mesmo que a rebelião fosse bem sucedida, Côrach seria aquele a dominar, e On permaneceria submisso a ele, assim como já era a Moshê. Isso trouxe juízo a On, e com a ajuda da esposa, sua vida foi salva.

    Como seres humanos, freqüentemente somos presas do dilema: "Onde estão meus óculos?" Quase sempre procuramos por eles desesperadamente sem achá-los, apenas para mais tarde descobrir que estavam o tempo todo em cima de nossa cabeça. Algo que leva a outra pessoa apenas uma fração de segundo para encontrar causa-nos tanto problema por tanto tempo. Poderia parecer que a maneira de nos proteger é ter outras pessoas que possam dizer-nos se nossas idéias são boas.

    Procurar conselho antes de agir, trocar idéias com alguém mais, pedir conselhos. Ao interiorizar a lição que nos foi ensinada pelos notáveis, embora desafortunados, homens do grupo de Côrach, estaremos mais preparados para enfrentar os grandes desafios da vida - e poderemos até ter mais sorte procurando nossos óculos desaparecidos.

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