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  • PORQUE NÃO SER CRISTÃO ! Jesus não cumpriu NENHUMA profecia messiânica !

    19

    Out
    19/10/2012 às 21h28

    PORQUE NÃO SER CRISTÃO ! Jesus não cumpriu NENHUMA profecia messiânica !
  • Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

    13

    Set
    13/09/2011 às 17h56

    Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

    Assim falou Yehoshua: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no Vale de Ayalon (...) E o Sol se deteve e a Lua parou (...) Não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Sefer Yehoshua)

    Profeta e guerreiro, legislador e juiz, Yehoshua foi o principal discípulo de Moshé Rabeinu. Durante 40 anos permaneceu fielmente ao lado de seu mestre, servindo-o, acompanhando-o, absorvendo seus ensinamentos. Foi a Yehoshua que Moshé transmitiu a Lei Oral que recebera de D’us, no Sinai, incumbindo-o de preservá-la e transmiti-la aos anciãos, e estes, por sua vez, às gerações seguintes. Diz o Talmud que “o rosto de Moshé era como o Sol e o de Yehoshua como a Lua”, pois Yehoshua era o reflexo dos ensinamentos de seu mestre. Esta era a sua grandeza, a razão pela qual D’us o escolhera para dar continuidade à missão de seu antecessor, o maior profeta do Povo Judeu.

    Caberia a Yehoshua liderar a geração que nascera no deserto durante a conquista da Terra de Israel e, a seguir, dividi-la entre as tribos de Israel. Ademais, ele teria que ajudar a moldar uma nova vida para os Bnei Israel, incutindo neles uma verdade fundamental: mantendo-se fiéis à Aliança com D’us e Sua Torá, o Eterno os abençoaria com vitórias e prosperidade. Durante os anos de conquista, ele revela ser um gênio militar, o maior estrategista de toda a história judaica. Considerado um rei, apesar de não ter sido coroado, ele possuía as qualidades de verdadeiro líder do Povo Judeu, que sob seu comando viveu dias de glória.

    Poucas são as informações biográficas disponíveisna Torá sobre Yehoshua bin Nun. Apesar de podermos encontrar mais dados no Midrash e no Talmud, é no Sefer Yehoshua, o primeiro livro dos Profetas, que nos são reveladas sua personalidade e trajetória. A obra de sua própria autoria, com exceção do último trecho que relata sua morte, é, de certa forma, a continuação dos Cinco Livros de Moshé. Nela estão descritos os anos de conquista e assentamento do Povo Judeu na Terra Prometida. O Sefer Yehoshua especifica em várias ocasiões os limites da Terra que D’us prometeu a Israel.

    “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”
     
    Yehoshua, filho de Nun, nasceu no Egito, na tribo de Efraim. Não se sabe o nome de sua mãe nem há qualquer informação sobre sua família. A figura predominante, que mais vai influenciar sua vida, é Moshé, seu mestre. Até seu nome, “Yehoshua”, que, em hebraico, significa “D’us salva” ou “D’us salvará”, foi Moshé quem lhe deu ao adicionar a seu nome original, Hoshea, a letra yud, uma letra do Nome do Eterno. De acordo com o Targun Yonathan, a razão que levou Moshé a mudar-lhe o nome foi sua grande modéstia.

    De estatura imponente e inteligência privilegiada, Yehoshua bin Nun era o melhor dentre os discípulos de Moshé. Nachmânides, Rabi Moshé ben Nachman, aponta a vocalização singular de seu nome na Torá, sugerindo que as duas palavras “bin nun” deveriam ser lidas juntas. O nome, cuja raiz vem da palavra hebraica biná, significa “aquele que compreende”, em respeito à sua aguçada inteligência.

    Yehoshua entra repentinamente na história de nosso povo. Logo após a travessia do Mar Vermelho, quando os Filhos de Israel são atacados por Amalek, Moshé o incumbe de repelir o ataque: “Escolha alguns homens e saia à luta com Amalek; amanhã, estarei sobre o cume da colina com o cajado de D’us em minhas mãos”, diz-lhe (Êxodo,17: 9). De acordo com o Zohar, Moshé sabia que o combate seria realizado em duas frentes – na arena espiritual e no campo de batalha e que a vitória militar só poderia ser obtida se houvesse um triunfo na frente espiritual.

    Yehoshua obedece sem hesitar e, apesar de inexperiente em combates, repele Amalek “com a lâmina da espada”. O futuro sucessor de Moshé revela ser corajoso, leal, confiável e, apesar de sua modéstia, um líder. Diz o Midrash: “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”, pois, como ensina o Talmud, um líder do Povo Judeu não deixa este mundo antes do Eterno ter prepara­do seu sucessor.

    Durante os anos em que Israel permanece no deserto, Yehoshua estará sempre ao lado de Moshé, tão próximos e unidos como podem sê-lo discípulo e mestre. Diz a Torá que Yehoshua “não saía de dentro da Tenda da Reunião” (Ibid, 33:11), a tenda de Moshé. Estava presente quando o mestre falava com o Eterno, quando ensinava a Torá a Israel. Quando D’us ordena a Moshé que suba ao Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, é Yehoshua quem tem o privilégio de acompanhá-lo e o espera no sopé da montanha por 40 dias e 40 noites. Era também ele quem, segundo o Zohar, vigiava e protegia o Tabernáculo.

    A primeira indicação de que Yehoshua sucederá Moshé ocorre alguns dias antes do fatídico episódio dos 12 espiões. Relata a Torá que o espírito da profecia pousará sobre dois anciãos – Eldad e Medad (Números11:26), e eles revelam que “Moshé morrerá e Yehoshua bin Nunirá sucedê-lo, e que será ele quem levará Israel à Terra Prometida e supervisionará sua distribuição”. As palavras dos dois anciãos abalam os judeus, à exceção de Moshé.

    Quando Israel chega à fronteira da Terra Prometida, prestes a entrar, Moshé envia 12 homens – um líder de cada uma das Tribos – em uma missão de espionagem. (Ver artigo na página 6). Entre eles estavam Yehoshua bin Nun e Caleb ben Yefune, em quem Moshé confiava. É nessa ocasião que Moshé muda o nome do discípulo para Yehoshua, para fortalecê-lo, como uma forma de empoderá-lo e também como prece para que “D’us o salve da trama dos espiões”.

    Quarenta dias depois os 12 “espiões” voltam. Dez relatam que a Terra era grandiosa, mas que Israel não teria condições de a conquistar. O Povo Judeu entra em desespero “e chorou naquela noite”. (Números 14:3). Era a noite do nono dia do mês de Av do calendário judaico.

    Apenas Yehoshua e Caleb mantiveram-se resolutos e confiantes. Eles tentam persuadir Israel, mas de nada adiantam suas palavras. Desapontado com a falta de fé de Seu Povo, o Eterno decreta que toda a geração que saíra do Egito, com mais de 20 anos – excetuando-se Yehoshua e Caleb – não entraria em Eretz Israel, devendo perecer no deserto. Durante os 38 anos seguintes o Povo Judeu perambulou no deserto, até perecer toda a geração que deixara o Egito.

    Uma nova geração estava prestes a iniciar a conquista da Terra Prometida quando D’us diz a Moshé que nem ele nem Aaron entrariam em Canaã. Nosso profeta então pede ao Eterno que nomeie um sucessor, “um homem que sai adiante deles e que entre diante deles” (Ibid, 27:17) . Um líder que possa guiá-los com eficácia e vigor, grande amor e ilimitada devoção, alguém que conheça a natureza humana e possa lidar com as divergências de opinião de seus integrantes.

    O Eterno responde à Moshé: “Toma para ti Yehoshua bin Nun”. Coloca tua mão sobre ele (...) diante de toda a congregação (...) E, darás de teu brilho a ele para que lhe obedeçam os Filhos de Israel”. (Ibid, 27:18 até 21). O Midrash compara a transmissão do esplendor de Moshé para Yehoshua à chama de uma vela que pode acender uma outra sem perder sua luz.

    Ao receber uma parte do espírito de Moshé, Yehoshua, “cheio do Espírito da sabedoria”, torna-se condutor da Palavra Divina.Sentia-se, no entanto, indigno para assumir o lugar de Moshé, mas seu mestre o encoraja e lhe diz que quando D’us o encarregara de salvar o povo do Egito ele também tinha recusado, mas, “finalmente aceitei, e tu também aceitarás”.

    Antes de deixar este mundo, Moshé instrui seu amado discípulo perante todo Israel: “Sê forte e corajoso porque tu entrarás com este povo à terra que o Eterno jurou a teus pais dar-lhes e tu os farás herdar. O Eterno é quem vai diante de ti, não te deixará, nem te abandonará, não temas”. (Deuteronômio, 31:6).

    Yehoshua assume a liderança

    A morte de Moshé afetara profundamente o Povo de Israel; aos pés do Monte Nevó a nação órfã estava enlutada. Yehoshua, inconsolável, esquece 300 preceitos e adquire 700 dúvidas. Mas passados os dias de luto o Eterno o sacode de sua dor: “Levanta-te, atravessa o Jordão, tu e todo o povo”. (Sefer Yehoshua, 1:2)

    A missão da qual D’us incumbira Yehoshua era árdua. Ao entrar na terra de Canaã a vida do Povo de Israel passaria por uma mudança radical, pois terminariam os milagres sobrenaturais através dos quais D’us cuidara de seu Povo. Durante 40 anos o alimento descia dos céus, a água brotava de poços que surgiam onde quer que acampassem e uma nuvem os guiava. Mas, assim que entrassem na Terra teriam que lutar para a conquistar e se defender. Eles teriam que produzir seu próprio sustento, os Filhos de Israel passariam a levar uma vida normal, sem, no entanto, esquecer que a fonte de tudo é D’us.

    O Eterno o encoraja, assegurando que ninguém irá resistir-lhe: “Todos os dias de tua vida, como fui com Moshé, serei contigo, não te desampararei e não te deixarei. Sê firme e corajoso, porque tu farás este povo herdar a Terra que jurei dar a teus pais”. (Ibid, 1:5). D’us lhe promete que irá prevalecer sobre as nações canaanitas e que nenhum dentre os Filhos de Israel irá desafiar sua liderança. A união da Nação Judaica em volta de seu líder era primordial para levar Israel à vitória. No entanto, adverte o Eterno, para ser bem-sucedido, ele não deverá se desviar dos mandamentos da Torá que Moshé transmitira a Israel e deverá zelar por seu estudo.

    Entrando em Eretz Israel

    Os Filhos de Israel, acampados em Sitim, em frente a Jericó, a leste do rio Jordão, estavam prestes a entrar em Canaã. A região era, na época, habitada por sete tribos que viviam em cidades fortificadas, cada uma governada por seu próprio “rei”.

    A conquista de Jericó era de vital importância, pois dava acesso a toda Eretz Israel. Yehoshua envia, pois, Phinehas e Caleb para verificar as fortificações e o estado de espírito dos habitantes. Após se infiltrar até as impenetráveis muralhas de Jericó, eles se escondem em uma hospedaria situada junto aos muros.

    O local pertencia a Rahav, uma cortesã de uma beleza extraordinária que lhes revela que os ajudava por saber que D’us prometera aquela terra a Israel e que ninguém podia lutar contra Sua Vontade. Phinehas e Caleb voltam ao acampamento com a informação que Yehoshua queria ouvir, de que “todos os moradores da terra estão aterrorizados diante de nós”. (Ibid, 2:24). O Povo Judeu estava prestes a voltar para a Terra que o Eterno prometera dar como herança a Israel.

    Antes de atravessarem o rio Jordão, D’us revela a Yehoshua que Ele irá realizar milagres para “engrandecê-lo perante os olhos de Israel” (Ibid, 3:7) e consolidar a confiança do povo em seu novo líder. Os milagres seriam uma prova de que o Eterno estava com Israel. Na manhã de 10 de Nissan, com a Arca Sagrada carregada pelos Cohanim, abrindo o caminho, o Povo de Israel chega às margens do rio. Relata o Livro de Yehoshuaque, quando “os pés dos Cohanim que carregavam a Arca, molharam-se na beira da água (...) pararam as águas (...) e se levantaram verticalmente, como uma muralha”. (Ibid, 3: 15 e 16). O leito do rio secou em frente a Jericó e o Povo Judeu passou a pé, a seco, como fizera outrora no Mar Vermelho.

    Em lembrança do milagre que D’us realizara para Seu Povo, 12 grandes pedras retiradas do local onde parou o fluxo do rio, por 12 homens – um de cada tribo – e foram levadas para Guigal. Lá foi erguido um monumento. Guilgal, a primeira parada de Israel no lado ocidental do Jordão, tornou-se a capital da nação durante os 14 anos seguintes.

    No entanto, eles ainda não estavam prontos para tomar posse da Terra, pois precisavam cumprir dois mandamentos: o brit e o sacrifício de Pessach. No deserto, a maioria dos homens não fora circuncidada por causa das condições de vida e do clima árido da região. Yehoshua realiza então, uma circuncisão em massa e, no dia 14 de Nissan, os judeus oferecem o sacrifício pascal e celebram Pessach.

    Logo em seguida, Yehoshua vai para os arredores de Jericó, onde se depara com um guerreiro com uma espada desembainhada na mão. Era um anjo, um “comandante do exército do Eterno”. De acordo com Rashi, era Michael, o anjo protetor de Israel, que o informa que viera para ajudar na conquista de Jericó, e lhe diz que o Todo Poderoso mobilizaria todas as Suas forças a favor de Israel.

    A conquista dos Reinos do Sul

    De acordo com o Talmud, durante sete anos Israel lutou contra os povos que habitavam na região, porém, no Livro de Yehoshua estão registradas apenas cinco de suas inúmeras campanhas militares: as conquistas de Jericó e Ai, a rendição dos guibonitas e as conquistas dos Reinos do Sul e do Norte.

    O primeiro enfrentamento entre Israel e os povos de Canaã ocorreu em Jericó. A estrondosa vitória de Israel, no entanto, não foi o resultado de uma ação militar, pois D’us determinara que a cidade caísse de uma maneira milagrosa. O Todo Poderoso instrui Yehoshua como agir. No decorrer de sete dias todos os guerreiros de Israel, a Arca Sagrada e sete Cohanim tocando sete shofarim rodearam Jericó. O estrondo dos sons visava confundir e assustar os habitantes da cidade sitiada. O número sete representa a presença de D’us na Criação, enquanto que a repetição da sequência desse número e a conseqüente queda das impenetráveis muralhas de Jericó seria uma prova de que Ele estava dando a Terra a Seu povo.

    Nos primeiros seis dias o exército de Yehoshua, a Arca e os Cohanim deram uma única volta e os shofarim tocaram uma única vez. No sétimo dia rodearam a cidade sete vezes e os Cohanim tocaram os shofarim sete vezes. E, quando os Cohanim tocaram pela sétima vez os shofarim, Yehoshua diz ao povo: “Ao ouvir o último toque do shofar, gritai porque o Eterno vos deu a cidade”. (Ibid, 6:16). Ele ordena a destruição de Jericó com tudo o que contém, com uma única exceção – Rahav e todos os que se haviam abrigado em sua casa seriam poupados. Proíbe, também, saques. Os bens do inimigo deviam ser queimados, em oferenda a D’us.

    E ainda adverte que se alguém violasse a proibição poria em perigo todo Israel. Assim que se ouviu no vale o som de Israel, as muralhas de Jericó caíram e o povo, liderado por Yehoshua, conquista a cidade. Os próprios espiões resgataram Rahav e, segundo certas fontes, outras 260 pessoas que ela abrigara. Levada ao acampamento de Israel, ela se converte ao judaísmo e se casa com Yehoshua. Oito profetas, entre eles Jeremias e Baruch, descenderiam dessa união.

    Sem dar descanso ao inimigo, Yehoshua decide atacar Ai, antiga cidade que dominava o planalto central. Mais uma vez, ele envia homens para averiguar o inimigo. Eles voltam com uma avaliação por demais otimista, afirmando não ser necessário que a nação inteira lutasse contra o próximo alvo. No entanto, a pequena tropa destacada para tomar Ai é facilmente repelida pelo inimigo e 36 judeus perdem a vida.

    A derrota abala Israel. Yehoshua sabia que aquilo seria fatal para a moral de seus homens e fortaleceria o inimigo. Arrasado, pergunta à D’us por que Ele abandonara Seu Povo. O Eterno lhe responde que Israel pecara. O erro precisava ser corrigido e que enquanto não o fosse, a Presença Divina permaneceria afastada de toda a Nação.

    Perante toda Israel o culpado e sua transgressão são revelados. Apesar de Yehoshua ter advertido de que nada poderia ser levado como despojo de Jericó, Achan, respeitado membro da tribo de Yehuda, apossara-se de alguns objetos. A ganância de uma única pessoa resultara na derrota de Israel. Punido o culpado e restabelecida a disciplina, Yehoshua planeja cuidadosamente um novo ataque a Ai. D’us lhe reassegura de que a derrota fora temporária e ordena que siga em frente. Mas teria que levar todos seus homens, pois a nação deveria permanecer unida.

    Os arrojados planos de batalha de Yehoshua dão certo e Ai cai em suas mãos. A vitória reabilita o nome e a valentia do Povo Judeu e Yehoshua prova ser brilhante estrategista, além de um valente guerreiro.

    A derrota na primeira batalha, no entanto, terá conseqüências, pois, para os canaanitas, era prova de que Israel não era invencível. Eles se unem para fazer frente a Yehoshua e seu exército.

    Yehoshua faz parar o Sol

    Assim como determina a Torá, antes de dar início às conquistas, Yehoshua apresentara suas condições de paz aos inimigos. Em sua mensagem, afirmava que Israel se preparava para reivindicar sua herança, pedindo, “que partissem pacificamente ou que ficassem aceitando viver sob governo judeu”. Apenas uma das tribos optou por deixar a Terra; o restante decidiu ficar e lutar. Mas, vendo o avanço de Israel, um dos povos, os guibonitas, decidem romper a aliança dos reis canaanitas e fazer um acordo de paz com Yehoshua. Acreditando que o objetivo de Israel era aniquilar todos os povos de Canaã e que era tarde demais para aceitar as condições anteriormente oferecidas, fingem “vir de terras distantes” e fazem um acordo. Eles sabiam que Israel não romperia um compromisso ainda que feito sob falsos pretextos.

    Enfurecidos com os antigos aliados, cinco reis canaanitas atacam Guibon, cujos habitantes pedem socorro a Yehoshua. Ao alvorecer do dia seguinte, ele surge com seu exército no alto dos montes que circundam a cidade sitiada. Tinham percorrido uma jornada de vários dias em apenas uma noite. Surpreendido, o inimigo entra em debandada. Os que não tombaram pelas espadas de Israel foram mortos por uma chuva de pedras que D’us lança sobre eles. A batalha ainda estava sendo travada quando Yehoshua agradece a D’us pelos milagres que acabara de realizar. Em seguida, perante toda Israel, proclama: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no vale de Ayalon”. (Ibid, 10:12). E, como relata o Livro de Yehoshua, “não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Ibid, 10:14). De acordo com o Pirkei de Rabi Eliezer, Yehoshua pediu pelo milagre porque já era sexta-feira à tarde e temia que a batalha fosse estender-se pelo Shabat, eele queria que o dia se prolongasse até Israel completar sua vitória. O milagre era mais uma prova de que D’us lutava ao lado de Israel.

    Derrotados os cinco reis canaanitas, Yehoshua prossegue com suas conquistas. Planejamento cuidadoso, manobras ousadas e um espírito de camaradagem, solidariedade e auto-sacrifício vão conduzir Israel a mais e mais vitórias.

    A conquista dos Reinos do Norte

    Conquistado o sul de Eretz Israel, Yehoshua se volta para o norte. Ao contrário das guerras no sul, relativamente curtas, as do norte foram difíceis e levaram muitos anos, pois a aliança entre os reis do norte resultara na criação de uma poderosa força bélica, em número e mobilização. Mesmo assim não conseguiram fazer frente a Yehoshua e seus homens. Rápidos, audaciosos e imprevisíveis, eles surgiam do nada, surpreendendo o inimigo. Atacavam e derrotavam-nos, prosseguindo até dominar a maior parte de Canaã. Permaneceram em vários enclaves onde ainda habitavam outros povos, mas esses já não ousavam lutar contra Israel.

    Yehoshua bin Nun foi o comandante ideal. Liderava seus homens à guerra gritando “Acharei” – “Sigam-me”. Seus homens lhe devotavam lealdade absoluta. Jamais Israel esteve tão unido quanto sob a sua liderança. Brilhante estrategista, ele permanece imbatível em termos militares. Seu nome consta no Hall of Fame da Academia Militar de West Point como o primeiro e maior estrategista e comandante de campo de nossa civilização. Suas campanhas militares são consideradas verdadeiros manuais de combate, e muitos generais contemporâneos admitem que, não fosse por algumas táticas de Yehoshua, muitas operações em seus países teriam fracassado.

    A divisão da Terra

    Após sete anos de lutas, D’us fez ver a Yehoshua que ele já estava velho para continuar combatendo. Chegara a hora de os “Filhos de Israel receberem sua herança na terra de Canaã”. O Eterno o instrui para distribuir a Terra entre o povo, mesmo os territórios que ainda não haviam sido conquistados, pois era importante que cada tribo soubesse o que era seu de direito. Duas tribos e meio já haviam recebido de Moshé territórios conquistados no lado oriental do Jordão. A tribo de Levi não receberia, como as demais, um território específico, mas cidades espalhadas por toda Eretz Israel, pois sua herança era servir a D’us e ensinar a Torá ao Povo. A distribuição da Terra às outras tribos foi realizada por Yehoshua e Eleazar, o Cohen Gadol, na presença dos líderes de cada tribo, mediante sorteio, e consultando-se o Urim V Turim1, prova de que era D’us, Ele Próprio, Quem determinara qual porção pertencia a cada tribo.

    Desde que haviam entrado em Canaã, o Tabernáculo estava em Guilgal, mas agora que o Povo estava-se assentando em sua Terra, era necessário erguer um centro espiritual e religioso. O local escolhido para erguer o Santuário foi Shiló, no território de Efraim, onde permaneceu por 369 anos.

    Terminada a distribuição das terras, D’us diz a Yehoshua para estabelecer Cidades-refúgio, onde podiam-se abrigar indivíduos que cometessem assassinatos acidentais. E, em seguida, as cidades dos Levitas, num total de 48, incluindo as seis Cidades-refúgio.

    E assim relata o Livro de Yehoshua: “E o Eterno deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais, e a possuíram e habitaram nela. E o Eterno lhes deu descanso de seus inimigos em redor, conforme tudo quanto jurara a seus pais, e nenhum de seus inimigos ficou em pé diante deles.... Nada falhou de todas as coisas boas que o Eterno havia falado à Casa de Israel, tudo se cumpriu”. (Ibid 21:41-43)

    A despedida de Yehoshua

    E foi muito tempo depois que o Eterno deu descanso a Israel. Yehoshua chamou a todo Israel”. (Ibid 23:1). Ele sentia que se aproximava o fim de seus dias e que estava para deixar seu povo amado. Portanto, preocupado em preparar a nação para o futuro sem sua presença, convoca seu povo em duas assembléias. Na primeira ele exorta Israel a preservar a Torá e cumprir seus mandamentos. Ressalta que se concretizaram as promessas que Israel recebera do Eterno e que o povo testemunhara milagres. Diz que já havia distribuído todo o território da Terra e que cabia, então, aos judeus lutar pelo que era seu, podendo contar com a ajuda Divina. Diz-lhes que não devem temer sua morte iminente, pois D’us – e não ele – fora o responsável pelas vitórias de Israel. Seu sucesso não dependera dele, mas da lealdade do povo à Torá. Se eles continuassem fiéis a D’us e a Seus mandamentos, Ele os faria vitoriosos.

    Caso contrário, os canaanitas lá permaneceriam, infligindo amargas consequências sobre eles. Ele sabia que os idólatras que viviam nas terras não conquistadas e aqueles que ainda habitavam entre os judeus constituíam uma ameaça. Exorta-os a serem fortes e guardar todos os mandamentos e prevenir-se contra as influências do meio-ambiente pagão. Yehoshua convoca a segunda assembléia em Shechem (Nablus) para despedir-se de seu povo. Narra-lhes toda a história de Israel desde os dias de Avraham, nosso patriarca, conclamando-os a permanecer firmes em seu pacto de obediência a D’us e à Torá. Entre suas palavras finais, ele os desafia: “Escolham, neste dia de hoje, a quem irão servir, pois eu e minha casa, serviremos a D’us!” (Ibid, 24:150). E todo o povo respondeu, sem hesitação: “Permaneceremos, para sempre, fiéis a nosso D’us e a nossa Torá!”.
    Isso ocorreu no ano de 2516, no 26o ano de liderança de Yehoshua, e dois anos depois, aos 110 anos de idade, ele faleceria. O grande líder foi enterrado em sua propriedade, em Timnat-Serach, no monte Efraim.

    O Livro de Yehoshua termina com um tributo à grandeza de Yehoshua, a “Lua”. O sucessor de Moshé cumprira plenamente sua difícil missão e, no final de sua vida, D’us a ele se refere com o título que havia conferido a seu mestre: “Servo do Eterno”.

    Bibliografia:
    Rabi Scherman, Nosson e Rabi Zlotowitz, Meir, The Rubin Edition of the Prophets: Joshua and Judges,
    The Early Prophets - with a commentary anthologized from the Rabbinic writings, ArtScroll Series
    Rabi Munk, Elie, The Call of the Torah, an anthology of interpretatios and commentary on the Five Books of Moses, Ed. Mesorah Publications
    O Livro de Josué com comentários do Rabino Avraham Blau, Ed. Maayanot
    Wiesel, Elie, Five Biblical Portraits, Ed. University of Notre Dame Press

    1 Peitoral usado pelo Cohen Gadol, onde estava gravado o Nome de D’us e das Tribos. As respostas a questões levantadas eram transmitidas por letras que se iluminavam.

    Fonte: www.morasha.com.br

     

  • Nossos Profetas: Yehoshua bin Nun

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    Set
    13/09/2011 às 17h56
    <table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%"><tbody><tr><td height="23"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Nossos Profetas:</td></tr><tr><td width="10" height="2"> </td><td height="2">

    <span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Yehoshua bin Nun

    </td></tr></tbody></table>

    Assim falou Yehoshua: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no Vale de Ayalon (...) E o Sol se deteve e a Lua parou (...) Não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Sefer Yehoshua)

    Profeta e guerreiro, legislador e juiz, Yehoshua foi o principal discípulo de Moshé Rabeinu. Durante 40 anos permaneceu fielmente ao lado de seu mestre, servindo-o, acompanhando-o, absorvendo seus ensinamentos. Foi a Yehoshua que Moshé transmitiu a Lei Oral que recebera de D’us, no Sinai, incumbindo-o de preservá-la e transmiti-la aos anciãos, e estes, por sua vez, às gerações seguintes. Diz o Talmud que “o rosto de Moshé era como o Sol e o de Yehoshua como a Lua”, pois Yehoshua era o reflexo dos ensinamentos de seu mestre. Esta era a sua grandeza, a razão pela qual D’us o escolhera para dar continuidade à missão de seu antecessor, o maior profeta do Povo Judeu.

    Caberia a Yehoshua liderar a geração que nascera no deserto durante a conquista da Terra de Israel e, a seguir, dividi-la entre as tribos de Israel. Ademais, ele teria que ajudar a moldar uma nova vida para os Bnei Israel, incutindo neles uma verdade fundamental: mantendo-se fiéis à Aliança com D’us e Sua Torá, o Eterno os abençoaria com vitórias e prosperidade. Durante os anos de conquista, ele revela ser um gênio militar, o maior estrategista de toda a história judaica. Considerado um rei, apesar de não ter sido coroado, ele possuía as qualidades de verdadeiro líder do Povo Judeu, que sob seu comando viveu dias de glória.

    Poucas são as informações biográficas disponíveisna Torá sobre Yehoshua bin Nun. Apesar de podermos encontrar mais dados no Midrash e no Talmud, é no Sefer Yehoshua, o primeiro livro dos Profetas, que nos são reveladas sua personalidade e trajetória. A obra de sua própria autoria, com exceção do último trecho que relata sua morte, é, de certa forma, a continuação dos Cinco Livros de Moshé. Nela estão descritos os anos de conquista e assentamento do Povo Judeu na Terra Prometida. O Sefer Yehoshua especifica em várias ocasiões os limites da Terra que D’us prometeu a Israel.

    “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”
     
    Yehoshua, filho de Nun, nasceu no Egito, na tribo de Efraim. Não se sabe o nome de sua mãe nem há qualquer informação sobre sua família. A figura predominante, que mais vai influenciar sua vida, é Moshé, seu mestre. Até seu nome, “Yehoshua”, que, em hebraico, significa “D’us salva” ou “D’us salvará”, foi Moshé quem lhe deu ao adicionar a seu nome original, Hoshea, a letra yud, uma letra do Nome do Eterno. De acordo com o Targun Yonathan, a razão que levou Moshé a mudar-lhe o nome foi sua grande modéstia.

    De estatura imponente e inteligência privilegiada, Yehoshua bin Nun era o melhor dentre os discípulos de Moshé. Nachmânides, Rabi Moshé ben Nachman, aponta a vocalização singular de seu nome na Torá, sugerindo que as duas palavras “bin nun” deveriam ser lidas juntas. O nome, cuja raiz vem da palavra hebraica biná, significa “aquele que compreende”, em respeito à sua aguçada inteligência.

    Yehoshua entra repentinamente na história de nosso povo. Logo após a travessia do Mar Vermelho, quando os Filhos de Israel são atacados por Amalek, Moshé o incumbe de repelir o ataque: “Escolha alguns homens e saia à luta com Amalek; amanhã, estarei sobre o cume da colina com o cajado de D’us em minhas mãos”, diz-lhe (Êxodo,17: 9). De acordo com o Zohar, Moshé sabia que o combate seria realizado em duas frentes – na arena espiritual e no campo de batalha e que a vitória militar só poderia ser obtida se houvesse um triunfo na frente espiritual.

    Yehoshua obedece sem hesitar e, apesar de inexperiente em combates, repele Amalek “com a lâmina da espada”. O futuro sucessor de Moshé revela ser corajoso, leal, confiável e, apesar de sua modéstia, um líder. Diz o Midrash: “Antes que se pusesse o sol de Moshé, nasce o sol de Yehoshua”, pois, como ensina o Talmud, um líder do Povo Judeu não deixa este mundo antes do Eterno ter prepara­do seu sucessor.

    Durante os anos em que Israel permanece no deserto, Yehoshua estará sempre ao lado de Moshé, tão próximos e unidos como podem sê-lo discípulo e mestre. Diz a Torá que Yehoshua “não saía de dentro da Tenda da Reunião” (Ibid, 33:11), a tenda de Moshé. Estava presente quando o mestre falava com o Eterno, quando ensinava a Torá a Israel. Quando D’us ordena a Moshé que suba ao Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, é Yehoshua quem tem o privilégio de acompanhá-lo e o espera no sopé da montanha por 40 dias e 40 noites. Era também ele quem, segundo o Zohar, vigiava e protegia o Tabernáculo.

    A primeira indicação de que Yehoshua sucederá Moshé ocorre alguns dias antes do fatídico episódio dos 12 espiões. Relata a Torá que o espírito da profecia pousará sobre dois anciãos – Eldad e Medad (Números11:26), e eles revelam que “Moshé morrerá e Yehoshua bin Nunirá sucedê-lo, e que será ele quem levará Israel à Terra Prometida e supervisionará sua distribuição”. As palavras dos dois anciãos abalam os judeus, à exceção de Moshé.

    Quando Israel chega à fronteira da Terra Prometida, prestes a entrar, Moshé envia 12 homens – um líder de cada uma das Tribos – em uma missão de espionagem. (Ver artigo na página 6). Entre eles estavam Yehoshua bin Nun e Caleb ben Yefune, em quem Moshé confiava. É nessa ocasião que Moshé muda o nome do discípulo para Yehoshua, para fortalecê-lo, como uma forma de empoderá-lo e também como prece para que “D’us o salve da trama dos espiões”.

    Quarenta dias depois os 12 “espiões” voltam. Dez relatam que a Terra era grandiosa, mas que Israel não teria condições de a conquistar. O Povo Judeu entra em desespero “e chorou naquela noite”. (Números 14:3). Era a noite do nono dia do mês de Av do calendário judaico.

    Apenas Yehoshua e Caleb mantiveram-se resolutos e confiantes. Eles tentam persuadir Israel, mas de nada adiantam suas palavras. Desapontado com a falta de fé de Seu Povo, o Eterno decreta que toda a geração que saíra do Egito, com mais de 20 anos – excetuando-se Yehoshua e Caleb – não entraria em Eretz Israel, devendo perecer no deserto. Durante os 38 anos seguintes o Povo Judeu perambulou no deserto, até perecer toda a geração que deixara o Egito.

    Uma nova geração estava prestes a iniciar a conquista da Terra Prometida quando D’us diz a Moshé que nem ele nem Aaron entrariam em Canaã. Nosso profeta então pede ao Eterno que nomeie um sucessor, “um homem que sai adiante deles e que entre diante deles” (Ibid, 27:17) . Um líder que possa guiá-los com eficácia e vigor, grande amor e ilimitada devoção, alguém que conheça a natureza humana e possa lidar com as divergências de opinião de seus integrantes.

    O Eterno responde à Moshé: “Toma para ti Yehoshua bin Nun”. Coloca tua mão sobre ele (...) diante de toda a congregação (...) E, darás de teu brilho a ele para que lhe obedeçam os Filhos de Israel”. (Ibid, 27:18 até 21). O Midrash compara a transmissão do esplendor de Moshé para Yehoshua à chama de uma vela que pode acender uma outra sem perder sua luz.

    Ao receber uma parte do espírito de Moshé, Yehoshua, “cheio do Espírito da sabedoria”, torna-se condutor da Palavra Divina.Sentia-se, no entanto, indigno para assumir o lugar de Moshé, mas seu mestre o encoraja e lhe diz que quando D’us o encarregara de salvar o povo do Egito ele também tinha recusado, mas, “finalmente aceitei, e tu também aceitarás”.

    Antes de deixar este mundo, Moshé instrui seu amado discípulo perante todo Israel: “Sê forte e corajoso porque tu entrarás com este povo à terra que o Eterno jurou a teus pais dar-lhes e tu os farás herdar. O Eterno é quem vai diante de ti, não te deixará, nem te abandonará, não temas”. (Deuteronômio, 31:6).

    Yehoshua assume a liderança

    A morte de Moshé afetara profundamente o Povo de Israel; aos pés do Monte Nevó a nação órfã estava enlutada. Yehoshua, inconsolável, esquece 300 preceitos e adquire 700 dúvidas. Mas passados os dias de luto o Eterno o sacode de sua dor: “Levanta-te, atravessa o Jordão, tu e todo o povo”. (Sefer Yehoshua, 1:2)

    A missão da qual D’us incumbira Yehoshua era árdua. Ao entrar na terra de Canaã a vida do Povo de Israel passaria por uma mudança radical, pois terminariam os milagres sobrenaturais através dos quais D’us cuidara de seu Povo. Durante 40 anos o alimento descia dos céus, a água brotava de poços que surgiam onde quer que acampassem e uma nuvem os guiava. Mas, assim que entrassem na Terra teriam que lutar para a conquistar e se defender. Eles teriam que produzir seu próprio sustento, os Filhos de Israel passariam a levar uma vida normal, sem, no entanto, esquecer que a fonte de tudo é D’us.

    O Eterno o encoraja, assegurando que ninguém irá resistir-lhe: “Todos os dias de tua vida, como fui com Moshé, serei contigo, não te desampararei e não te deixarei. Sê firme e corajoso, porque tu farás este povo herdar a Terra que jurei dar a teus pais”. (Ibid, 1:5). D’us lhe promete que irá prevalecer sobre as nações canaanitas e que nenhum dentre os Filhos de Israel irá desafiar sua liderança. A união da Nação Judaica em volta de seu líder era primordial para levar Israel à vitória. No entanto, adverte o Eterno, para ser bem-sucedido, ele não deverá se desviar dos mandamentos da Torá que Moshé transmitira a Israel e deverá zelar por seu estudo.

    Entrando em Eretz Israel

    Os Filhos de Israel, acampados em Sitim, em frente a Jericó, a leste do rio Jordão, estavam prestes a entrar em Canaã. A região era, na época, habitada por sete tribos que viviam em cidades fortificadas, cada uma governada por seu próprio “rei”.

    A conquista de Jericó era de vital importância, pois dava acesso a toda Eretz Israel. Yehoshua envia, pois, Phinehas e Caleb para verificar as fortificações e o estado de espírito dos habitantes. Após se infiltrar até as impenetráveis muralhas de Jericó, eles se escondem em uma hospedaria situada junto aos muros.

    O local pertencia a Rahav, uma cortesã de uma beleza extraordinária que lhes revela que os ajudava por saber que D’us prometera aquela terra a Israel e que ninguém podia lutar contra Sua Vontade. Phinehas e Caleb voltam ao acampamento com a informação que Yehoshua queria ouvir, de que “todos os moradores da terra estão aterrorizados diante de nós”. (Ibid, 2:24). O Povo Judeu estava prestes a voltar para a Terra que o Eterno prometera dar como herança a Israel.

    Antes de atravessarem o rio Jordão, D’us revela a Yehoshua que Ele irá realizar milagres para “engrandecê-lo perante os olhos de Israel” (Ibid, 3:7) e consolidar a confiança do povo em seu novo líder. Os milagres seriam uma prova de que o Eterno estava com Israel. Na manhã de 10 de Nissan, com a Arca Sagrada carregada pelos Cohanim, abrindo o caminho, o Povo de Israel chega às margens do rio. Relata o Livro de Yehoshuaque, quando “os pés dos Cohanim que carregavam a Arca, molharam-se na beira da água (...) pararam as águas (...) e se levantaram verticalmente, como uma muralha”. (Ibid, 3: 15 e 16). O leito do rio secou em frente a Jericó e o Povo Judeu passou a pé, a seco, como fizera outrora no Mar Vermelho.

    Em lembrança do milagre que D’us realizara para Seu Povo, 12 grandes pedras retiradas do local onde parou o fluxo do rio, por 12 homens – um de cada tribo – e foram levadas para Guigal. Lá foi erguido um monumento. Guilgal, a primeira parada de Israel no lado ocidental do Jordão, tornou-se a capital da nação durante os 14 anos seguintes.

    No entanto, eles ainda não estavam prontos para tomar posse da Terra, pois precisavam cumprir dois mandamentos: o brit e o sacrifício de Pessach. No deserto, a maioria dos homens não fora circuncidada por causa das condições de vida e do clima árido da região. Yehoshua realiza então, uma circuncisão em massa e, no dia 14 de Nissan, os judeus oferecem o sacrifício pascal e celebram Pessach.

    Logo em seguida, Yehoshua vai para os arredores de Jericó, onde se depara com um guerreiro com uma espada desembainhada na mão. Era um anjo, um “comandante do exército do Eterno”. De acordo com Rashi, era Michael, o anjo protetor de Israel, que o informa que viera para ajudar na conquista de Jericó, e lhe diz que o Todo Poderoso mobilizaria todas as Suas forças a favor de Israel.

    A conquista dos Reinos do Sul

    De acordo com o Talmud, durante sete anos Israel lutou contra os povos que habitavam na região, porém, no Livro de Yehoshua estão registradas apenas cinco de suas inúmeras campanhas militares: as conquistas de Jericó e Ai, a rendição dos guibonitas e as conquistas dos Reinos do Sul e do Norte.

    O primeiro enfrentamento entre Israel e os povos de Canaã ocorreu em Jericó. A estrondosa vitória de Israel, no entanto, não foi o resultado de uma ação militar, pois D’us determinara que a cidade caísse de uma maneira milagrosa. O Todo Poderoso instrui Yehoshua como agir. No decorrer de sete dias todos os guerreiros de Israel, a Arca Sagrada e sete Cohanim tocando sete shofarim rodearam Jericó. O estrondo dos sons visava confundir e assustar os habitantes da cidade sitiada. O número sete representa a presença de D’us na Criação, enquanto que a repetição da sequência desse número e a conseqüente queda das impenetráveis muralhas de Jericó seria uma prova de que Ele estava dando a Terra a Seu povo.

    Nos primeiros seis dias o exército de Yehoshua, a Arca e os Cohanim deram uma única volta e os shofarim tocaram uma única vez. No sétimo dia rodearam a cidade sete vezes e os Cohanim tocaram os shofarim sete vezes. E, quando os Cohanim tocaram pela sétima vez os shofarim, Yehoshua diz ao povo: “Ao ouvir o último toque do shofar, gritai porque o Eterno vos deu a cidade”. (Ibid, 6:16). Ele ordena a destruição de Jericó com tudo o que contém, com uma única exceção – Rahav e todos os que se haviam abrigado em sua casa seriam poupados. Proíbe, também, saques. Os bens do inimigo deviam ser queimados, em oferenda a D’us.

    E ainda adverte que se alguém violasse a proibição poria em perigo todo Israel. Assim que se ouviu no vale o som de Israel, as muralhas de Jericó caíram e o povo, liderado por Yehoshua, conquista a cidade. Os próprios espiões resgataram Rahav e, segundo certas fontes, outras 260 pessoas que ela abrigara. Levada ao acampamento de Israel, ela se converte ao judaísmo e se casa com Yehoshua. Oito profetas, entre eles Jeremias e Baruch, descenderiam dessa união.

    Sem dar descanso ao inimigo, Yehoshua decide atacar Ai, antiga cidade que dominava o planalto central. Mais uma vez, ele envia homens para averiguar o inimigo. Eles voltam com uma avaliação por demais otimista, afirmando não ser necessário que a nação inteira lutasse contra o próximo alvo. No entanto, a pequena tropa destacada para tomar Ai é facilmente repelida pelo inimigo e 36 judeus perdem a vida.

    A derrota abala Israel. Yehoshua sabia que aquilo seria fatal para a moral de seus homens e fortaleceria o inimigo. Arrasado, pergunta à D’us por que Ele abandonara Seu Povo. O Eterno lhe responde que Israel pecara. O erro precisava ser corrigido e que enquanto não o fosse, a Presença Divina permaneceria afastada de toda a Nação.

    Perante toda Israel o culpado e sua transgressão são revelados. Apesar de Yehoshua ter advertido de que nada poderia ser levado como despojo de Jericó, Achan, respeitado membro da tribo de Yehuda, apossara-se de alguns objetos. A ganância de uma única pessoa resultara na derrota de Israel. Punido o culpado e restabelecida a disciplina, Yehoshua planeja cuidadosamente um novo ataque a Ai. D’us lhe reassegura de que a derrota fora temporária e ordena que siga em frente. Mas teria que levar todos seus homens, pois a nação deveria permanecer unida.

    Os arrojados planos de batalha de Yehoshua dão certo e Ai cai em suas mãos. A vitória reabilita o nome e a valentia do Povo Judeu e Yehoshua prova ser brilhante estrategista, além de um valente guerreiro.

    A derrota na primeira batalha, no entanto, terá conseqüências, pois, para os canaanitas, era prova de que Israel não era invencível. Eles se unem para fazer frente a Yehoshua e seu exército.

    Yehoshua faz parar o Sol

    Assim como determina a Torá, antes de dar início às conquistas, Yehoshua apresentara suas condições de paz aos inimigos. Em sua mensagem, afirmava que Israel se preparava para reivindicar sua herança, pedindo, “que partissem pacificamente ou que ficassem aceitando viver sob governo judeu”. Apenas uma das tribos optou por deixar a Terra; o restante decidiu ficar e lutar. Mas, vendo o avanço de Israel, um dos povos, os guibonitas, decidem romper a aliança dos reis canaanitas e fazer um acordo de paz com Yehoshua. Acreditando que o objetivo de Israel era aniquilar todos os povos de Canaã e que era tarde demais para aceitar as condições anteriormente oferecidas, fingem “vir de terras distantes” e fazem um acordo. Eles sabiam que Israel não romperia um compromisso ainda que feito sob falsos pretextos.

    Enfurecidos com os antigos aliados, cinco reis canaanitas atacam Guibon, cujos habitantes pedem socorro a Yehoshua. Ao alvorecer do dia seguinte, ele surge com seu exército no alto dos montes que circundam a cidade sitiada. Tinham percorrido uma jornada de vários dias em apenas uma noite. Surpreendido, o inimigo entra em debandada. Os que não tombaram pelas espadas de Israel foram mortos por uma chuva de pedras que D’us lança sobre eles. A batalha ainda estava sendo travada quando Yehoshua agradece a D’us pelos milagres que acabara de realizar. Em seguida, perante toda Israel, proclama: “Sol, detém-te em Guibeon, e Lua, no vale de Ayalon”. (Ibid, 10:12). E, como relata o Livro de Yehoshua, “não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, em que o Eterno tivesse atendido à voz humana”. (Ibid, 10:14). De acordo com o Pirkei de Rabi Eliezer, Yehoshua pediu pelo milagre porque já era sexta-feira à tarde e temia que a batalha fosse estender-se pelo Shabat, eele queria que o dia se prolongasse até Israel completar sua vitória. O milagre era mais uma prova de que D’us lutava ao lado de Israel.

    Derrotados os cinco reis canaanitas, Yehoshua prossegue com suas conquistas. Planejamento cuidadoso, manobras ousadas e um espírito de camaradagem, solidariedade e auto-sacrifício vão conduzir Israel a mais e mais vitórias.

    A conquista dos Reinos do Norte

    Conquistado o sul de Eretz Israel, Yehoshua se volta para o norte. Ao contrário das guerras no sul, relativamente curtas, as do norte foram difíceis e levaram muitos anos, pois a aliança entre os reis do norte resultara na criação de uma poderosa força bélica, em número e mobilização. Mesmo assim não conseguiram fazer frente a Yehoshua e seus homens. Rápidos, audaciosos e imprevisíveis, eles surgiam do nada, surpreendendo o inimigo. Atacavam e derrotavam-nos, prosseguindo até dominar a maior parte de Canaã. Permaneceram em vários enclaves onde ainda habitavam outros povos, mas esses já não ousavam lutar contra Israel.

    Yehoshua bin Nun foi o comandante ideal. Liderava seus homens à guerra gritando “Acharei” – “Sigam-me”. Seus homens lhe devotavam lealdade absoluta. Jamais Israel esteve tão unido quanto sob a sua liderança. Brilhante estrategista, ele permanece imbatível em termos militares. Seu nome consta no Hall of Fame da Academia Militar de West Point como o primeiro e maior estrategista e comandante de campo de nossa civilização. Suas campanhas militares são consideradas verdadeiros manuais de combate, e muitos generais contemporâneos admitem que, não fosse por algumas táticas de Yehoshua, muitas operações em seus países teriam fracassado.

    A divisão da Terra

    Após sete anos de lutas, D’us fez ver a Yehoshua que ele já estava velho para continuar combatendo. Chegara a hora de os “Filhos de Israel receberem sua herança na terra de Canaã”. O Eterno o instrui para distribuir a Terra entre o povo, mesmo os territórios que ainda não haviam sido conquistados, pois era importante que cada tribo soubesse o que era seu de direito. Duas tribos e meio já haviam recebido de Moshé territórios conquistados no lado oriental do Jordão. A tribo de Levi não receberia, como as demais, um território específico, mas cidades espalhadas por toda Eretz Israel, pois sua herança era servir a D’us e ensinar a Torá ao Povo. A distribuição da Terra às outras tribos foi realizada por Yehoshua e Eleazar, o Cohen Gadol, na presença dos líderes de cada tribo, mediante sorteio, e consultando-se o Urim V Turim1, prova de que era D’us, Ele Próprio, Quem determinara qual porção pertencia a cada tribo.

    Desde que haviam entrado em Canaã, o Tabernáculo estava em Guilgal, mas agora que o Povo estava-se assentando em sua Terra, era necessário erguer um centro espiritual e religioso. O local escolhido para erguer o Santuário foi Shiló, no território de Efraim, onde permaneceu por 369 anos.

    Terminada a distribuição das terras, D’us diz a Yehoshua para estabelecer Cidades-refúgio, onde podiam-se abrigar indivíduos que cometessem assassinatos acidentais. E, em seguida, as cidades dos Levitas, num total de 48, incluindo as seis Cidades-refúgio.

    E assim relata o Livro de Yehoshua: “E o Eterno deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais, e a possuíram e habitaram nela. E o Eterno lhes deu descanso de seus inimigos em redor, conforme tudo quanto jurara a seus pais, e nenhum de seus inimigos ficou em pé diante deles.... Nada falhou de todas as coisas boas que o Eterno havia falado à Casa de Israel, tudo se cumpriu”. (Ibid 21:41-43)

    A despedida de Yehoshua

    E foi muito tempo depois que o Eterno deu descanso a Israel. Yehoshua chamou a todo Israel”. (Ibid 23:1). Ele sentia que se aproximava o fim de seus dias e que estava para deixar seu povo amado. Portanto, preocupado em preparar a nação para o futuro sem sua presença, convoca seu povo em duas assembléias. Na primeira ele exorta Israel a preservar a Torá e cumprir seus mandamentos. Ressalta que se concretizaram as promessas que Israel recebera do Eterno e que o povo testemunhara milagres. Diz que já havia distribuído todo o território da Terra e que cabia, então, aos judeus lutar pelo que era seu, podendo contar com a ajuda Divina. Diz-lhes que não devem temer sua morte iminente, pois D’us – e não ele – fora o responsável pelas vitórias de Israel. Seu sucesso não dependera dele, mas da lealdade do povo à Torá. Se eles continuassem fiéis a D’us e a Seus mandamentos, Ele os faria vitoriosos.

    Caso contrário, os canaanitas lá permaneceriam, infligindo amargas consequências sobre eles. Ele sabia que os idólatras que viviam nas terras não conquistadas e aqueles que ainda habitavam entre os judeus constituíam uma ameaça. Exorta-os a serem fortes e guardar todos os mandamentos e prevenir-se contra as influências do meio-ambiente pagão. Yehoshua convoca a segunda assembléia em Shechem (Nablus) para despedir-se de seu povo. Narra-lhes toda a história de Israel desde os dias de Avraham, nosso patriarca, conclamando-os a permanecer firmes em seu pacto de obediência a D’us e à Torá. Entre suas palavras finais, ele os desafia: “Escolham, neste dia de hoje, a quem irão servir, pois eu e minha casa, serviremos a D’us!” (Ibid, 24:150). E todo o povo respondeu, sem hesitação: “Permaneceremos, para sempre, fiéis a nosso D’us e a nossa Torá!”.
    Isso ocorreu no ano de 2516, no 26o ano de liderança de Yehoshua, e dois anos depois, aos 110 anos de idade, ele faleceria. O grande líder foi enterrado em sua propriedade, em Timnat-Serach, no monte Efraim.

    O Livro de Yehoshua termina com um tributo à grandeza de Yehoshua, a “Lua”. O sucessor de Moshé cumprira plenamente sua difícil missão e, no final de sua vida, D’us a ele se refere com o título que havia conferido a seu mestre: “Servo do Eterno”.

    Bibliografia:
    Rabi Scherman, Nosson e Rabi Zlotowitz, Meir, The Rubin Edition of the Prophets: Joshua and Judges,
    The Early Prophets - with a commentary anthologized from the Rabbinic writings, ArtScroll Series
    Rabi Munk, Elie, The Call of the Torah, an anthology of interpretatios and commentary on the Five Books of Moses, Ed. Mesorah Publications
    O Livro de Josué com comentários do Rabino Avraham Blau, Ed. Maayanot
    Wiesel, Elie, Five Biblical Portraits, Ed. University of Notre Dame Press

    1 Peitoral usado pelo Cohen Gadol, onde estava gravado o Nome de D’us e das Tribos. As respostas a questões levantadas eram transmitidas por letras que se iluminavam.

    Fonte: www.morasha.com.br

     

  • O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER!

    18

    Nov
    18/11/2009 às 00h30
    O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER!

    a) O judaísmo começa com Abrahão, que reconheceu um D-us como Criador do Universo.

    b) A Teoria do Big Bang, aceita pela maioria dos cientistas da atualidade, está em consonância com o ensinamento judaico de que o Universo passou a existir do nada e de uma hora para outra.

    c) O judaísmo insiste que D-us, o Criador, é somente Um – uma crença no monoteísmo que rejeita os muitos deuses das religiões pagãs, os dois do dualismo e os três componentes da trindade cristã.

    d) O judaísmo acredita que D-us, o Criador, é também em um Deus Misericordioso – um D-us que mantém uma relação pessoal com todas as suas criaturas.

    e) O judaísmo acredita que D-us é bom por definição segundo o monoteísmo ético, o Criador Todo-Poderoso opta por se guiar voluntariamente somente pelos princípios da verdade, bondade e justiça.

    f) Os dois nomes hebraicos para D-us traduzidos a língua portuguesa como Eterno e D-us se referem a duas qualidades combinadas harmonicamente: o atributo mais feminino da bondade e o mais masculino, da justiça escrita.

    g) Uma prova absoluta da existência de D-us não é possível nem desejável, por que isso poderia eliminar a crença o judaísmo aceita a certeza da existência de D-us como a mais lógica entre as alternativas possíveis.

    100% digitado para o grupo Shavei Israel em Recife

    Ricardo de Albuquerque Crasto.

    Rabino Benjamin Blech – O mais completo guia sobre judaísmo.

    Contato: ricardocrasto@gmail.com

    www.shaveiisraelemrecife.xpg.com.br

    **** JUDAÍSMO MESSIÂNICO NÃO EXISTE ***



  • Cronologia do Anti-semitismo

    12

    Jul
    12/07/2009 às 09h50
    Cronologia do Anti-semitismo

    Entre os séculos XII e XIII- a comunidade Judaica de Sefarad alcança seu maior esplendor.

    Século XII - Assalto às judiarias (bairros judaicos) de Toledo e Leão

    1147- Ao tomar Santarém dos Mouros, D. Afonso Henrique, encontrou naquela cidade uma proeminente comunidade judaica, autônoma e numerosa. Por toda a Idade Média houveram em Portugal várias comunidades judaicas.

    Início do Século XIII- Instalação dos Tribunais do Santo Ofício na Espanha

    1350- O baixo clero estimula a perseguição aos judeus

    1383- Os "homens bons", da Aristocracia Burguesa, requerem da Rainha de Portugal a retirada dos judeus dos cargos oficiais.

    Século XIV - Uma onda de anti-semitismo assola a Espanha

    1391- As pregações fanáticas em Sevilha do arcediano de Écija, Ferrant Martinez, desencadearam terríveis matanças: um progrom em Sevilha, e o ataque às judiarias de Castela e Aragão, milhares de judeus morreram e outros tantos foram forçados a se converter ao catolicismo.

    Século XV - Os sermões do padre valenciano (dito "santo" pela Igreja Católica) Vicente Ferrer provocam a conversão de muitos, instigados pelo medo.

    1449- Entra em vigor a primeira lei de "limpeza de sangue", que proíbe aos judeus o acesso a cargos públicos, profissões e honrarias na Espanha.

    1449- Cristãos de Lisboa que haviam insultado judeus são açoitados a mando do corregedor de Lisboa.

    1478- Reinstalação da Inquisição na Espanha, pedido feito pelos reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão ao Papa, para combater os "infiéis".

    1487 - É impresso o primeiro livro em Portugal, uma Torah (pentateuco) em hebraico.

    1492 - Expulsão dos judeus da Espanha, a maior parte deles vai para Portugal.

    1495 - D. Manuel casando-se com a princesa Isabel, filha dos reis católicos, assina um contrato com esses reis comprometendo-se a expulsar os judeus de Portugal.

    1495- Os judeus, expulsos da Espanha, ao chegarem a Portugal eram escravizados, mas D. Manuel libertou-os.

    1496 - O Rei D. Manuel dá então duas opções aos judeus, a expulsão ou a conversão.

    1496-1497 - Crianças judias menores de 14 anos foram tomadas dos seus pais, obrigadas a se batizarem e foram adotadas por famílias católicas.

    1497 - lei que proibia o questionamento sobre as convicções religiosas dos novos convertidos.

    1499 - (21 e 22 de Abril) Os cristãos novos são proibidos de sair do reino de Portugal.

    1500 - Descoberta do Brasil, a oportunidade de fuga para aqueles que se encontravam perseguidos.

    1503 - Fernando de Noronha, judeu, liderando um grupo de judeus portugueses, assina com D. Manuel um contrato de exploração das novas terras descobertas.

    1506 - Ocorre o terrível progrom de Lisboa, milhares de judeus, homens, mulheres e crianças, são assassinados e queimados.

    1507 - Lei que dava aos cristãos novos os mesmos direitos dos cristãos velhos, abolindo a discriminação.

    1515 - D. Manuel pede ao Papa uma Inquisição segundo o modelo da Inquisição Espanhola.

    1516 - D. Manuel oferece vantagens e estímulos aos que quisessem imigrar para o Brasil, objetivando a colonização das novas terras, e milhares de famílias judaicas aproveitam a oportunidade.

    1524 - D. João III confirma as leis contra a discriminação dos cristãos novos.

    1531 - É nomeado o primeiro inquisidor de Portugal: Frei Diogo da Silva.

    1531 - Martin Afonso de Souza, discípulo do judeu Pedro Nunes Português, é encarregado de uma expedição colonizadora.

    1531 - Terremoto em Portugal. Segundo os frades de Santarém era um castigo divino pela tolerância à presença judaica no Reino.

    1532 - Os cristãos novos são proibidos de sair do Reino por um período de três anos.

    1533 - Martin Afonso de Souza funda o primeiro engenho no Brasil.

    1535 - É renovada a proibição de 1532. O Papa Paulo III concede o perdão geral aos culpados de judaísmo.

    1536 - Instalação da Inquisição em Portugal, os réus culpados de judaísmo são isentos do confisco de seus bens por dez anos.

    1540 - Primeiro auto de fé em Lisboa.

    1544 - (22 de Setembro). Paulo III suspende a execução das sentenças do Santo Ofício.

    1547 - Proibição de os cristãos novos saírem do Reino é renovada por mais três anos. O confisco dos bens é suspenso por mais dez anos. O Papa Paulo III concede outro perdão geral e re-estabelece a Inquisição.

    1558 - O confisco é suspenso por outros dez anos.

    1560 - A Inquisição é instalada em Goa.

    1567 - Outra proibição da saída de cristãos novos do Reino.

    1573 - Renova-se a proibição.

    1577 -. Proibição anulada. A coroa torna isentos os cristãos novos do confisco de bens por mais dez anos, em troca de 225 mil cruzados.

    1577 - Término do período filipino, em que a Espanha dominava Portugal. Imigração judaica massiva para o Brasil. Alguns se dirigiram também à Holanda, América do Norte e América Espanhola, além de regiões Mediterrâneas.

    1579 - . Os culpados de judaísmo voltam a estar sujeitos ao confisco de bens.

    1580 - Revoga-se a permissão de livre saída do Reino.

    1587 - Lei que confirma a antecedente, e todas as anteriores de sentido igual.

    1591 - O Santo Ofício visita pela primeira vez as terras brasileiras, baseado em denúncias de que as gentes dessa terra seguiam práticas e ritos judaicos.

    1591-1618 -período de intensa imigração judaica ao Brasil.

    1601 - Sob a oferta de 170 mil cruzados, a Coroa libera a saída de cristãos novos do Reino e promete nunca mais renovar a proibição.

    1605 - Perdão geral aos culpados de judaísmo. Serviço de 1.700.000 cruzados.

    1610 - Revogada a livre saída de cristãos novos de 1601.

    1618 - O Santo Ofício realiza a segunda visitação ao Brasil.

    1624 - Os primeiros judeus cristãos novos são condenados em Lisboa.

    1626 - O Santo Ofício visita a Angola.

    1627 - Édito de graça.

    1629 - Os cristãos novos são libertos para sair do Reino.

    1637-1644 - Invasão Holandesa ao Brasil, Governo de João Maurício de Nassau, liberdade religiosa no Brasil Holandês. É fundada a primeira sinagoga das Américas, a Sinagoga Tzur Israel. O primeiro rabino das Américas, filho de cristãos novos portugueses, chega ao Brasil: Iaac Aboab da Fonseca. Muitos judeus portugueses imigrados à Holanda vêm para o Brasil.

    1649 - Fazendas dos cristãos novos são isentas do confisco.

    1654 - Expulsão dos Holandeses e tomada de Pernambuco pelos portugueses, alguns judeus saem do Brasil, indo para Holanda, Antilhas, e América do Norte, onde junto aos holandeses fundaram Nova Amsterdã, hoje Nova Iorque.

    1657 - Isenção da confiscação de fazendas de cristãos novos é revogada.

    1674 - Clemente X impede os Inquisidores do exercício de suas funções.

    1678 - As Inquisições são suspensas por Inocêncio XI.

    1681 - O Santo Ofício é restabelecido.

    1683 - Lei de expulsão dos hereges culpados.

    1765 - Último auto de fé público.

    1773 - Abolida a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos.

    1770-1855 - Período de liberalização progressiva e da assimilação judaica pelo resto da população, dada a igualdade perante a lei.

    Artigo recebido por e-mail.
  • Mashiach e a Ressurreição

    05

    Jul
    05/07/2009 às 19h26
    Mashiach e a Ressurreição

    Por Yaakov Astor (trecho de "Soul Searching", Targum Press)


    O Judaísmo Acredita em Reencarnação?
    A escatologia judaica é composta de três peças básicas:
    A Era de Mashiach.
    O Mundo Vindouro.
    O Mundo da Ressurreição.

    A Era Messiânica
    Mashiach, segundo as tradicionais fontes judaicas, será um ser humano de carne e osso, nascido de mãe e pai,1 ao contrário da ideia cristã que o retrata como o filho de D'us concebido imaculadamente. De fato, Maimonides escreve que o Mashiach completará seu trabalho e morrerá como qualquer pessoa.2

    Qual é o seu trabalho? Terminar a agonia da história e introduzir uma nova era para a humanidade em geral.3 O período no qual ele emerge e completa sua tarefa é chamado de Era Messiânica. Segundo uma opinião talmúdica não é uma era de milagres revelados, onde as regras da natureza são descartadas. Em vez disso, o único elemento novo introduzido ao mundo será a paz entre as nações, com o povo judeu vivendo em sua terra sob a própria soberania, livre de perseguição e anti-semitismo, livre para buscar suas metas espirituais como nunca antes.4

    O Mundo Vindouro
    O Mundo Vindouro em si é chamado nas fontes tradicionais de Olam Habá. No entanto, o mesmo termo é usado para se referir ao renovado mundo utópico do futuro – o Mundo da Ressurreição, olam hat'chiá (conforme explicado no parágrafo a seguir).5 O anterior é o local aonde as almas dos justos vão após a morte – e elas têm ido para lá desde a primeira morte. Aquele local também é algo às vezes chamado de Mundo das Almas.6 É um local onde as almas existem num estado desencarnado, apreciando os prazeres da proximidade de D'us. Assim, as genuínas experiências de quase morte são presumivelmente lampejos ao Mundo das Almas, o lugar no qual a maioria das pessoas pensa quando o termo Mundo Vindouro é mencionado.

    O Mundo da ressurreição
    O Mundo da ressurreição, em contraste, "nenhum olho viu", declara o Talmud,7 é um mundo, segundo a maior parte das autoridades, onde corpo e alma são reunidos para viver eternamente num estado realmente perfeito. Aquele mundo somente virá a existir após Mashiach e será iniciado por um evento conhecido como o "Grande Dia do Julgamento." (Yom HaDin HaGadol)8

    O Mundo da Ressurreição é então a suprema recompensa, um lugar no qual o corpo se torna eterno e espiritual, ao passo que a alma se torna ainda mais espiritual.9

    Em comparação a um conceito como o "Mundo Vindouro", a reencarnação não é, tecnicamente falando, uma verdadeira escatologia. A reencarnação é meramente um veículo para atingir um fim escatológico. É a reentrada da alma num corpo inteiramente novo no mundo atual. A ressurreição, em contraste, é a reunificação da alma com o corpo anterior (novamente reconstituído) ao Mundo Vindouro, uma história que ainda não foi testemunhada.

    A ressurreição é então um puro conceito escatológico. Seu propósito é recompensar o corpo com a eternidade (e a alma com maior perfeição). O propósito da reencarnação geralmente é duplo: ou compensar uma falha numa vida anterior ou criar um estado novo, mais elevado, de perfeição pessoal ainda não atingido.10 A ressurreição é então um tempo de recompensa a reencarnação um tempo de reparo. A ressurreição é a época da colheita a reencarnação o tempo de semear.

    O fato de que a reencarnação é parte da tradição judaica é uma surpresa para muitas pessoas.11 Apesar disso, é mencionada em vários locais nos textos clássicos do misticismo judaico, começando com a importante fonte da Cabalá, o Livro do Zohar.12

    Se a pessoa é mal-sucedida em seu propósito neste mundo, o Eterno, Bendito seja, o desenraíza e o replanta muitas vezes mais. (Zohar I 186 b)

    Todas as almas estão sujeitas à reencarnação e as pessoas não sabem os caminhos do Eterno,
    Bendito seja! Elas não sabem que são levadas perante o tribunal tanto antes de entrarem neste mundo quanto depois que o deixam são ignorantes das muitas reencarnações e obras secretas que têm de passar, e do número de almas nuas, e de quantos espíritos nus vagam no outro mundo sem poder entrar no véu do Palácio do Rei. Os homens não sabem como as almas se revolvem como uma pedra que é atirada de um estilingue. Porém chegará a hora em que estes mistérios serão revelados. (Zohar II 99 b)

    O Zohar e a literatura relacionada13 estão repletos de referências à reencarnação,14 abordando questões como qual corpo é ressuscitado e o que acontece com aqueles corpos que não atingem a perfeição final,15 quantas chances uma alma recebe para atingir a compleicão através da reencarnação,16 se marido e mulher podem reencarnar juntos,17 se uma demora no enterro pode afetar a reencarnação,18 e se uma alma pode reencarnar num animal.19

    O Bahir, atribuído ao sábio do Século Primeiro, Nechuniah ben Hakana, usava a reencarnação para discutir a clássica questão de teodicéia – por que coisas más acontecem a pessoas boas e vice-versa.

    Por que há uma pessoa boa a quem coisas boas acontecem, ao passo que [outra] pessoa justa tem coisas más lhe acontecendo? Isso é porque a [última] pessoa justa fez o mal numa vida prévia, e agora está sentindo as consequencias… Como é isso? Uma pessoa plantou uma vinha e esperava cultivar uvas, mas em vez disso, cresceram uvas azedas. Ele viu que seu plantio e colheita não foram bons, portanto arrancou tudo e plantou novamente. (Bahir 195)20

    A reencarnação é citada por comentaristas autorizados, incluindo o Ramban21 (Nachmanides), Menachem Recanti22 e Rabenu Bachya.23 Dentre os muitos volumes do sagrado Rabi Yitschak Luria, conhecido como o "Ari",24 a maioria dos quais chegou a nós pela pena de seu principal discípulo, Rabi Chaim Vital, são ideias profundas explicando temas relacionados à reencarnação. Na verdade, seu Shaar HaGilgulim, "Os Portões da Reencarnação25", é um livro devotado exclusivamente ao assunto, incluindo detalhes sobre as raízes da alma de muitas personalidades bíblicas e quem eles reencarnaram desde os tempos da Bíblia até o Ari.

    Os ensinamentos do Ari e seus sistemas de ver o mundo se espalharam como fogo após sua morte em todo o mundo judaico da Europa e no Oriente Médio. Se a reencarnação tinha sido aceita em geral pelo povo judaico e pelos intelectuais anteriormente, tornou-se parte do tecido do Judaísmo e da erudição após o Ari, habitando o pensamentos e os escritos de grandes eruditos e líderes dos comentaristas clássicos sobre o Talmud (por exemplo, o Maharsha, Rabi Moshê Eidels)26 ao fundador do Movimento Chassídico, o Baal Shem Tov, bem como o líder do mundo não chassídico, o Gaon de Vilna.27

    A tendência continua até hoje. Mesmo algumas das maiores autoridades que não são necessariamente conhecidas pela sua inclinação mística, assumem a reencarnação como uma doutrina básica aceita.

    Um dos textos que os místicos gostam de citar como uma alusão escritural ao princípio da reencarnação é o seguinte versículo no Livro de Iyov (Jó):

    Veja, todas essas coisas que D'us realiza – duas, até três vezes com um homem – trazer sua alma de volta do poço para que possa ser iluminada com a luz dos vivos. (Jó 33:29)

    Em outras palavras, D'us permitirá que uma pessoa volte ao mundo "dos vivos" vinda do "poço" (que é um dos termos bíblicos clássicos para Gehinom ou Purgatório) uma segunda ou terceira vez (ou múltiplas) vezes. Falando de maneira geral, no entanto, este versículo e outros são entendidos pelos místicos como meras alusões ao conceito da reencarnação. A verdadeira autoridade para o conceito está enraizada na tradição.



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    Notas:
    1. Maimônides, Melachim 11:3
    2. Comentário sobre a Mishná, Sanhedrin 10:1 cf Sanhedrin 99a
    3. Maimônides, Melachim 11:3, 12:5
    4. Sanhedrin 91b, 99a, Berachot 34b, Pesachim 68a Shabat 63a Maimonides, Teshuvá 9:2, Melachim 12:2.
    5. Tosafot, Rosh Hashaná 16b, s.v. leyom din Emunos V'deyos 6:4(final), Raavad, Hilchos Teshuvá 8:8 Kesef Mishná, Teshuvá 8:2 Derech Hashem 1:3:11
    6. Ramban (Nachmanides) Shaar HaGemul. Segundo o Ramban e outras autoridades, o :Mundo das Almas" é freqüentemente mencionado como o Jardim do Éden.
    7. Sanhedrin 99a.
    8. Ramban, Shaar HaGemul. Citando fontes talmúdicas e midráshicas, o Ramban escreve que há três dias de julgamento, i.e., três vezes a alma é julgada.
    1) Rosh Hashaná, quando revisa o ano que passou e determina as circunstâncias materiais para o ano vindouro
    2) Dia da morte, quando revisa a vida que passou e determina o que precisa para continuar a experiência de mais revisão ou está pronta para o Paraíso.
    3) O Grande Dia do Julgamento, que é quando todos que viveram são ressuscitados, os justos para a vida eterna (num mundo físico espiritualizado, segundo o Ramban) e os perversos por aquilo que falta para terminar (segundo outros haverá uma categoria intermediária daqueles que são dignos de continuar num espírito desencarnado, mas não na forma física mais rara do corpo ressuscitado num mundo ressuscitado). Haverá também aparentemente diferentes graus de recompensa (i.e., vivenciando a presença de D'us) neste Mundo Renovado após o Grande Dia de Julgamento, tudo dependendo das ações da pessoa durante a vida. Tem sido questionado: Se uma pessoa é julgada após a sua morte quanto ao seu status no Mundo Vindouro, qual é o propósito do Grande Dia do Julgamento? Uma das respostas diz que depois que uma pessoa morre, todos os filhos, as boas e as más ações e a influência que ela teve sobre os outros ainda "estão em movimento". Somente ao final da história pode ser feita a "contagem final", então, quanto ao impacto que a pessoa teve em sua vida.
    9. Derech Hashem 1:3:13.
    10. Shaar HaGilgulim, cap. 8 Derech Hashem 2:3:10.
    11. Muitos ficam surpresos ao descobrir que a reencarnação era uma crença aceita por muitas das grandes mentes da civilização ocidental. Embora o Judaísmo, obviamente, não concorde necessariamente com todos os pensamentos e filosofias dele, apesar disso Platão, por exemplo, (em Meno, Faedo, Timeus, Fedrus e na República), defende a crença na doutrina da reencarnação. Ele parece ter sido influenciado por mentes gregas clássicas anteriores como Pitágoras e Empédocles. No Século Dezoito, a Idade do Iluminismo e do Racionalismo, pensadores como Voltaire ("Afinal, não é mais surpreendente nascer duas vezes do que nascer uma vez") e Benjamin Franklin expressaram uma afinidade pela noção da reencarnação. No Século dezenove, Schopenhauer escreveu (na obra: Parerga e Paralipomena): "Se um asiático me pedisse uma definição da Europa, eu seria forçado a responder-lhe: `É aquela parte do mundo que é assombrada pela incrível ilusão de que o o nascimento da pessoa é sua primeira entrada na vida'…" Dostoevsky (em sua obra: Irmãos Karamazov) refere-se à ideia, ao passo que Tolstoy parece ter bem definido o fato de que vivemos antes. Thoreau, Emerson, Walt Whitman, Mark Twain e muitos outros reconheceram e/ou defenderam alguma forma de crença na reencarnação. Deve-se notar, porém, que algumas autoridades clássicas da Torá, mais especificamente Saadia Gaon, do Século Dez, negava a reencarnação como dogma judaico. Emunos V'Deyot 6:3.
    12. O Talmud relata que o sábio do segundo século, Rabi Shimon bar Yochai e seu filho Elazar esconderam-se numa gruta para escapar da perseguição romana. Durante treze anos eles estudaram dia e noite sem distração. Segundo a tradição cabalista (Tikunei Zohar) foi durante aqueles treze anos que ele e seu filho compuseram os principais ensinamentos do Zohar. Oculto por muitos séculos, o Zohar foi publicado e disseminado por Rabi Moshê de Leon no século Treze.
    13. Embora o Zohar seja geralmente mencionado como uma obra de um único volume, compreendendo Tikunei Zohar e Zohar Chadash, é na verdade uma compilação de vários tratados menores ou sub-seções.
    14. Zohar I:131a, 186b, 2:94a, 97a, 100a, 105b, 106a, 3:88b, 215a, 216a Tikunei Zohar 6 (22b, 23b), 21 (56 a), 26 (72a), 31 (76b), 32 (76b), 40 (81a), 69 (100b, 103a, 111a, 114b, 115a, 116b), 70 (124b, 126a, 133a, 134a, 137b, 138b) Zohar Chadash 33c, 59a-c, 107a Ruth 89a.
    15. O Zohar (I 131a): "Rabi Yossi respondeu: `Aqueles corpos que são indignos e não atingem seu objetivo serão considerados como se não tivessem existido…' Rabi Yitschak [discordou e] disse: Para estes corpos o Eterno fornecerá outros espíritos, e se considerados dignos obterão uma morada no mundo, mas se não forem, serão cinzas sob os pés dos justos." (Cf. Zohar II 105b.
    16. Ex.: Zohar III 216a Tikunei Zohar 6 (22b), 32 (76b) sugere três ou quatro chances. Tikunei Zohar 69 (103a) sugere que se mesmo um pequeno progresso é feito a cada vez, a alma recebe até mil oportunidades de reencarnação a fim de atingir sua compleição. Zohar III 216a sugere que uma pessoa essencialmente justa que passa pelas agruras de vagar de cidade em cidade, de casa em casa – até mesmo tenta abrir negócios (Zohar Chadash Tikunim 107a) – é com se passasse por várias reencarnações.
    17. A resposta é que sim, é uma possibilidade, Zohar II, 106a.
    18. "Depois que a alma deixou o corpo e o corpo não respira mais, é proibido mantê-lo insepulto (Moed Katon, 28a Baba Kama, 82b). Um corpo morto que é deixado insepulto por 24 horas provoca uma fraqueza nos membros da Carruagem e impede que o desígnio de D'us seja cumprido pois talvez D'us tenha decretado que ele deveria passar pela reencarnação imediata no dia em que morreu, o que seria melhor para a pessoa, mas como o corpo não está enterrado a alma não pode ir à presença de D'us nem ser transferida para outro corpo. Pois uma alma não pode entrar num segundo corpo até que o primeiro seja sepultado…" Zohar III 88b.
    19. Tikunei Zohar 70 (133a). Depois os cabalistas detalham as circunstâncias que podem levar à reencarnação em forma vegetal e até mineral. Shaar HaGilgulim, cap. 22 & 29 Sefer Haredim 33, Ohr Chaim 1:26.
    20. Bahir 122, 155, 184 e 185 também discutem a reencarnação.
    21. Bereshit 38:8, Job 33:30.
    22. Ex. comentário sobre Bereshit 34:1 seu Taamei HaMitsvot (16a) diz que a reencarnação é o segredo por trás dos dez sábios talmúdicos que foram abatidos pelos romanos.
    23. Comentário sobre Bereshit 4:25, Devarim 33:6.
    24. Suas principais obras são Etz Chaim (Árvore da Vida) e Pri Etz Chaim (Fruto da Árvore da Vida), bem como o Shmonê Shaarim (Oito Portões), que tratam sobre tudo que vai do comentário bíblico até inspiração Divina e reencarnação.
    25. Sefer HaGilgulim, "O Livro das Reencarnações," por Chaim Vital é também um livro inteiro dedicado a este tópico.
    26. Comentário sobre Niddah 30b.
    27. Comentário ao Livro de Jonah, e muitos outros locais. Por exemplo, R. Meir Simcha de Dvinsk em Ohr Somayach, Hilchot Teshuvá 5, s.v. v'yodati R. Israel Meir HaKohen [o Chofets Chaim] em Mishnah Berurá 23:5 e Shaar HaTzion 702:6 R. Yaakov Yisroel Kanievsky [o Steipler Gaon] em Chayei Olam.
    28. Guehinom refere-se, geralmente, a uma experiência com tempo limitado (Edyos 2:10) na vida posterior, onde a alma é purgada de suas culpas num processo, depois que tudo foi feito e dito, descrito como doloroso, embora catártico. Num sentido mais profundo, a pessoa grosseira é recompensada na mesma moeda. Assim como agiu grosseiramente ao pecar, agindo como se D'us não estivesse presente, ele é pago tendo de passar pelo Guehinom, um local diferente do Céu, onde a presença de D'us de certa maneira está oculta, ou pelo menos não aberta e livre. (O nome Guehinom vem do vale ao sul de Jerusalém, conhecido como o vale [Guei] do filho de Hinnom, onde certa vez crianças foram sacrificadas a Molech (II Reis 23:10' Yirm. 2:23 7:31-32 19:6). Por este motivo o vale foi considerado amaldiçoado, e Guehinom assim tornou-se um sinônimo para Purgatório.

    Fonte: CHABAD
  • Parashá Chukat

    25

    Jun
    25/06/2009 às 20h18
    Parashá Chukat

    Comentário sobre a Parashá

    “Esta á da Lei da Torá...” (Bamidbar 19:2)

    Esta é a Lei da Torá. Assim começa a parashá desta semana onde podemos encontrar três tipos de preceitos na Torá: Torot, Chukim e Mishpatim (ditames, leis e juízos) e as leis especificam-se para além da compreensão humana e por isso apenas devemos aceitá-las como imposições divinas, impossíveis de entender a sua lógica. Assim se expressou o Rei Shelomo que foi assinalado como o sábio de todas as épocas e disse a respeito do preceito da vaca vermelha: “Disse-me, questionarei sobre ela e ela encontra-se longe de mim”. O Rei Shlomo quis expressar o seu descontentamento pois não conseguiu entender absolutamente este preceito. Devemos esclarecer que o Rei Shelomo não disse que não se pode entender, senão que não o conseguiu entender.

    Então, se que os preceitos se dividem em três tipos. Porque é que a parashá inclui todos dentro da mesma categoria Chuká? Teria que ter especificado “esta lei da vaca vermelha, não de toda a Torá, ao que nos comentam os nossos Sábios: na verdade toda a Torá está acima do nosso entendimento e mesmo os preceitos que nos parecem lógicos ou que os nossos Sábios explicaram as suas razões, devemos também considerá-los como ditames divinos, longe da nossa capacidade intelectual.

    A parashá relata-nos também a morte de Miriam e Aarón, irmãos de Moshé depois da morte de Miriam comenta-nos a Torá que faltou de repente a água ao Povo de Israel, pelo que criticaram Moshé pela falta desse conhecimento, adulindo que tivesse sido preferível morrer no Egipto. Durante quarenta anos no deserto houve água para dois milhões de bocas, tudo pelo mérito de uma só pessoa, Miriam e único relato que a Torá nos comenta sobre ela, foi que quando forçados pelo ditame do Faraó, Amram, pai de Moshé, pôs o seu filho, recém nascido numa canasta e colocou-o no rio. Então Miriam deteve-se a observar o que acontecia ao seu irmão, um simples acontecimento, tão humano, que foi tão importante para merecer um grande pagamento: água para dois milhões de pessoas durante quarenta anos no deserto!

    Os livros de história estão repletos de grandes homens que realizaram façanhas m prol da humanidade e mudaram a sua trajectória mas nunca encontraremos o relato de alguém que fez um pequeno acto de bondade, como foi o de preocupar-se alguns minutos com um recém nascido. Em troca a Torá valoriza esse acto, que aos lhos humanos podia passar despercebido mas quem sabe valorizar reconhece que esse acto pode ser muito mais profundo que muitas revoluções.

    A nossa parashá relata-nos a morte de Aarón Hacohén, irmão de Moshé e Miriam ao que comenta a Torá: ”E Aarón chorou trinta dias todo o Povo de Israel ao que perguntaram os nossos Sábios a razão da morte de Moshé e está escrito: “E choraram os Filhos de Israel...” e em troca, sobre Aarón está escrito”todo o Povo de Israel”? A isto responderam : Aarón na sua condição de amante da paz e harmonia entre as pessoas, mereceu o carinho de topo o povo. Um sorriso, uma boa palavra, um apoio a tempo, um bom conselho, não podemos imaginar o valor dos actos tão simples, que erradamente consideramos sem valor. Uma pequena preocupação valeu a salvação do povo de Israel durante quarenta anos no deserto, o desejo de fazer amizade e a paz entre as pessoas fez com que Aarón merecesse o carinho de todo o povo.

    Shabat Shalom

    Rab. Shlomó Wahnón
  • Porção Semanal: Shelach

    13

    Jun
    13/06/2009 às 16h01
    Porção Semanal: Shelach
    Bamidbar 13:1 - 15:41

    Shelach começa com o incidente principal do mau relatório dos espiões sobre a Terra de Israel. Enquanto o povo judeu se prepara para entrar na Terra de Israel, doze importantes líderes são enviados para pesquisar a Terra Prometida, dos quais dez retornam e fazem um relatório negativo ao povo, dizendo que seria impossível ao povo judeu conquistar as poderosas nações que lá viviam.

    Recusando-se a dar ouvidos ao relatório positivo de Caleb e Yeoshua, a nação inteira chora e reclama por toda uma noite de total histeria. D'us ameaça o povo judeu de extermínio, quando então Moshê suplica com sucesso para que não sejam totalmente aniquilados. Mesmo assim, D'us declara que serão punidos com quarenta anos vagando pelo deserto, e durante este tempo toda aquela geração morrerá. Percebendo seu grave erro, um grupo insiste em avançar imediatamente na direção do país, contra a vontade de D'us, sendo completamente aniquilado pelas famosas nações de Amalec e Canaã.

    A Torá então muda para a descrição das libações de vinho que acompanhavam muitas das oferendas levadas ao Mishcan (Tabernáculo). Após ensinar os detalhes da chalá - (não confundir com o pão que comemos no Shabat), esta refere-se à porção a ser separada de cada fornada de massa e doada a um Cohen - a Torá menciona várias leis tratando da proibição de adoração de ídolos, e o infeliz caso do homem que recebeu a pena de morte por profanar o Shabat.

    A Parashá Shelach termina com o terceiro parágrafo da prece do Shemá, contendo a mitsvá de colocar tsitsit, que serve como um constante lembrete para nós, de D'us e Seus mandamentos.


    Mensagem da Parashá

    O caso trágico dos espiões é um dos mais frustrantes e intrigantes eventos dos registros da Torá. Frustrante, porque como observadores casuais, sentamos com nossas mãos atadas enquanto a história dolorosamente se desenvolve, trazendo com ela resultados tão desastrosos que as ondas de choque continuam a assombrar-nos até hoje. Intrigante, porque é quase inimaginável que uma nação que testemunhou coletivamente a glória e o poder do braço estendido de D'us quando ele os libertou do cativeiro do Egito pudesse questionar Sua capacidade de colocá-los na Terra Prometida. Como justificamos sua perda de fé e qual a conseqüência que isso tem para nós hoje?

    A Porção da Torá encerra-se com o mandamento de adornar todas as vestes de quatro cantos com os cordões de tsitsit. Rabi Mordechai Gifter faz uma fascinante observação sobre a descrição da Torá explicando a função dos tsitsit. Somos ordenados a meditar sobre os tsitsit, que nos lembram do restante das mitsvot, para que não nos deixemos levar pelas paixões de nosso coração ou pelos desejos de nossos olhos (Bamidbar 15:39).

    Rashi explica que o coração e os olhos necessitam proteção especial, pois são naturalmente inclinados a levar a pessoa ao pecado. O processo do pecado, continua Rashi, primeiro envolve os olhos percebendo um objeto de desejo. O coração então se inflama com uma ânsia pelo objeto, e juntos, o coração e os olhos impelem o corpo à ação.

    Rabi Gifter pergunta: "Se a armadilha do pecado é primeiro armada pelos olhos e depois pelo coração, como afirma Rashi, por que então a Torá os escreve na ordem oposta, declarando que os tsitsit são uma prescrição contra seguir o coração e depois os olhos?"

    De forma clássica, entendemos a posição hierárquica do homem como o último a ser criado, como sendo um símbolo do papel dominante que o gênero humano representa face a face com o universo. O palco está montado: todas as matérias primas estão em ordem, e o homem é jogado em cena para domar a força bruta, elevando-a quando a coloca a seu serviço. Entretanto, num sentido mais metafísico, talvez a colocação do homem seja para indicar que toda a criação em si não tem qualquer finalidade, é um estado totalmente incompleto até que o homem seja por fim criado.

    Nós, seres humanos, somos peculiares. Já aconteceu de você comentar com alguém um evento ou experiência e, ao comparar suas impressões, descobrir que vocês dois têm interpretações completamente diferentes do fato? Você sentiu-se esclarecido, estimulado, e interessou-se completamente na ocasião, ao passo que seu amigo ficou "ligado" nas falhas dos detalhes e achou tudo aquilo trivial e desinteressante. A realidade é, de fato, bastante elástica. Toma a forma de seja qual for a interpretação que desejamos lhe dar. Nossa atitude e conceito próprio ditam a maneira pela qual nos relacionamos com os estímulos externos, e que tipo de valor ou significado lhes atribuímos.

    Em um sentido mais alto, o Homem é um parceiro de D'us na criação porque cada um de nós, segundo nossa personalidade única e formação do caráter, "criamos" nosso próprio mundo no qual vivemos.

    Rabi Gifter explica: "É verdade que os olhos são os primeiros a induzir a pessoa a pecar entretanto, os olhos verão apenas aquilo que o coração quiser ver!" Tsitsit exige que façamos uma reflexão sobre nossos deveres do coração, que questionemos e desafiemos nossos valores, esclarecendo o modo de ver a nós mesmos. Colocar tsitsit nos ajuda a definirmo-nos, ao identificar a causa que abraçamos. Assim como o mensageiro do elegante hotel da cidade é identificado como pertencendo ao quadro de empregados (e de fato tem um grande senso de dignidade e honra) pelo uniforme e insígnia que veste, o tsitsit serve para marcar-nos como leais servos do Todo Poderoso Criador do universo. São vestes da realeza.

    Falando por si mesmos, os espiões revelaram a decadência que precipitou este acontecimento desastroso. Em seu relatório para o povo, incluíram um gracejo auto-depreciativo que parecia um tanto desafinado com o tom e andamento de sua história. Em meio à descrição da Terra de Israel como um país cujo clima produz nações de proporções gigantescas, acrescentaram: "Éramos como gafanhotos a nossos próprios olhos e também aos olhos deles" (Bamidbar 13:33).

    O fato de os habitantes considerarem os judeus insignificantes como insetos certamente provocou sentimentos de apreensão e pavor. Entretanto, e quanto a seus sentimentos de inferioridade? O que achavam que esta declaração conseguiria?

    A resposta é clara como água: o povo judeu não perdeu a fé em D'us perdeu a fé em si mesmo! Perderam a saudável perspectiva correta sobre qual era seu verdadeiro valor, ou de quem eram realmente. Se tivessem compreendido o imenso amor que D'us lhes devotava, teriam acreditado ser beneficiários merecedores do mais precioso dos presentes, a Terra de Israel. Em vez de olhar para si mesmos como gigantes que sem esforço poderiam esmagar as tribos canaanitas, viram uma nação de miseráveis e desanimados gafanhotos, que não mereciam o amor que lhes era concedido.

    A verdade é que D'us nos ama mais do que jamais saberemos. Como um pai compassivo, Ele nos deseja apenas o melhor. É nosso trabalho sermos Seus filhos temos de acreditar apenas em nós mesmos e refletir sobre a nobre identidade da qual os tsitsit servem como um constante lembrete. Enquanto usarmos Seu "emblema real", orgulhosamente denominando-nos Seus filhos fiéis, então somos Seus filhos e Ele abrirá para nós Seu amor ilimitado.

    O amor de D'us com certeza vem com cordões amarrados!
  • Porção Semanal: Toledot

    13

    Jun
    13/06/2009 às 14h23
    Porção Semanal: Toledot
    Bereshit 25:19 - 28:9

    Toldot inicia-se com Yitschac (Isaac) e Rivca (Rebeca) rezando a D'us por um filho. Finalmente Rivca concebe, e após uma gravidez difícil dá à luz gêmeos - Essav (Esaú) e Yaacov (Jacó). Suas diferenças de personalidade logo se tornam aparentes, quando Essav se volta às caçadas, enquanto Yaacov é puro e ingênuo, passando o tempo no estudo de Torá.

    Voltando de uma expedição de caça, exausto e faminto, Essav encontra Yaacov preparando uma panela de sopa de lentilhas. Yaacov concorda em dar ao irmão mais velho uma porção do pote de sopa, em troca de seu direito à primogenitura, e o acordo é completado.

    Em face a uma terrível escassez, D'us diz a Yitschac para permanecer na Terra de Israel, ao invés de descer ao Egito como seu pai Avraham o fizera anos antes, por isso Yitschac e sua família se estabelecem em G'rar, (a terra dos filisteus, que fica dentro das fronteiras de Israel). D'us reafirma a Yitschac que seus descendentes irão tornar-se uma grande nação, tão numerosa quanto as estrelas do céu.

    Após conseguir incrível sucesso financeiro, Yitschac entra em contínuo desentendimento com o rei Avimelech sobre os poços que Yitschac cavara novamente. Entretanto, finalmente chegam a um acordo, e o tratado que foi assinado entre Avimelech e Avraham é reconfirmado.

    Muitos anos mais tarde, Yitschac decide abençoar Essav como primogênito. A uma ordem de Rivca, Yaacov se disfarça como se fosse seu irmão mais velho e recebe a bênção do primogênito (que por direito lhe pertence). A porção termina com Yaacov fugindo da ira de Essav por "roubar" sua bênção e escapa para Charan para ficar com o irmão de sua mãe, Lavan, onde encontrará uma esposa.


    Mensagem da Parashá

    Talvez não haja figura mais enigmática em toda a Torá que nosso antepassado Yitschac. Além da Porção desta semana, quase nada aprendemos sobre o homem, seu tempo, e o que fez durante sua vida. Em vez disso, somos levados a crer que após o clímax do seu feito de esticar o pescoço para receber o golpe da lâmina do pai, esta pessoa elevada retira-se a uma vida pacífica, cavando poços.

    Igualmente frustrante é o papel aparentemente passivo e sem destaque que ele desempenhou nos episódios em que aparece. É levado por seu pai para ser sacrificado a D'us o servente de Avraham (Abraão), Eliezer, é enviado para encontrar-lhe uma esposa sua mulher o pressiona para que envie Yaacov para encontrar uma esposa seu filho Yaacov o manipula para receber suas bênçãos. Por que Yitschac parece ser movido como uma marionete, simples argila nas mãos daqueles que o rodeiam? Que lições podemos tirar do comportamento aparentemente fora do comum do segundo grande Patriarca de nosso povo?

    Nossos Sábios ensinam que os Patriarcas eram muito mais que progenitores biológicos da nação judaica. Cada um agia como "guardião dos portões", que destrancavam os portais celestiais, permitindo-nos estabelecer um relacionamento com D'us em maneiras singularmente únicas. Pela sua incorporação dos mesmos atributos com os quais D'us age conosco, ao espelhar Suas maneiras, eles foram capazes de elevar sua constituição genética, legando aos descendentes as qualidades Divinas que foram suas conquistas durante a vida.

    Avraham personifica a qualidade de Chessed, bondade, de D'us. Cada ação, cada pensamento, cada palavra que falou estava repleta de amor e preocupação pela humanidade. Yitschac é a personificação do Divino atributo de gvurá, força. Em Pirkei Avot, Ética dos Pais, nossos rabis nos ensinam: "Quem é forte? Aquele que domina suas paixões."

    A força não é medida por aquilo que você faz, mas por aquilo que não faz. Auto-controle, disciplina, organização são as ferramentas do forte, daquele que não pode ser levado por emoções fugazes e pelos caprichos do instinto. A lógica ditaria que esta qualidade deveria estar presente em todos os relacionamentos de Yitschac. Certamente ninguém questionaria que foi necessária uma força imensurável para calmamente se oferecer no altar, mas e quanto ao resto de sua vida? Onde mais vemos esta atitude se destacar?

    A Criação é uma manifestação da bondade de D'us. Ele não tem necessidade pessoal de trazer-nos à vida. D'us é a essência da perfeição, a própria antítese do conceito de "necessidade". Suas intenções eram apenas que Ele desejava nos conceder o maior de todos os prêmios, o dom da eternidade que vem apenas de nos conectarmos a Ele através de Seus mandamentos.

    Entretanto, há um ligeiro problema, por assim dizer, com Seu amor transbordante. O desejo de dar é tão forte que se não fosse controlado, D'us derramaria Sua Divina luz em quantidades tais que mesmo o propósito da Criação seria abolido. Ao invés de dar aos seres humanos a oportunidade de atingir a perfeição, de batalhar e de aprender a lutar por si mesmo, Ele teria nos concedido a recompensa sem que precisássemos levantar um dedo. Embora pareça tentador viver uma vida de tranqüilidade, sem desafios ou obstáculos para superar, bem sabemos que isto não seria verdadeiramente satisfatório. Nos sentiríamos roubados de nossa dignidade, se nos fosse negada a chance de conseguir algo por nós mesmos. Por isso, foi necessário para D'us se restringir, ou seja, refrear Seu amor abundante, dando-nos a chance de "conseguir através de esforço".

    Isso de modo algum diminui o amor, pelo contrário, aumenta-o, tornando-o mais real. Isso é similar ao modo como os pais se sentem quando observam os filhos lutando contra a adversidade. Como desejamos aparar os golpes para eles, protegê-los da humilhação e da dor da derrota. Mesmo assim, sabemos que fazê-lo destruiria seu próprio ego, seus sentimentos de competência e segurança interior.

    Esta é a aplicação dos atributos de bondade e força de D'us. Sua bondade deseja derramar sobre nós o maior bem imaginável. O atributo da força, restrição, impede que Sua bondade nos sobrepuje, nos sufoque. Poderíamos dizer que é a qualidade de força que possibilita que o atributo da bondade se torne significativo e eficaz, dando-nos o espaço necessário para criar nossa própria eternidade.

    Yitschac personifica a força. É sua missão facilitar a bondade de Avraham. Como pode fazer isso? Ele "sai" do contexto retrai-se e permite que a memória e o legado de seu pai sejam perpetuados. Poderia ter criado seus próprios seguidores, ter uma "plataforma de partido" de acordo com sua vontade, mesmo assim escolheu a negação de sua identidade para que o mundo recebesse uma dose adicional da bondade de Avraham. Nossos Sábios nos dizem que Yitschac era uma cópia exata do pai. Não é uma coincidência. Era seu trabalho ser seu pai.

    Qual a diferença entre um poço e uma fonte? Um poço retira a água de uma reserva específica e contém uma quantidade finita de água. Por outro lado, uma fonte é viva, tem vitalidade própria. Yitschac cavava poços, mas não simplesmente poços, abria os poços que seu pai havia cavado e lhes atribuia os mesmos nomes que seu pai. Não está vivo por seu próprio direito, está conectado à fonte de seu pai.

    Em cada relacionamento do qual participou, Yitschac desempenha o papel passivo. Não é tolo ou incompetente. Pelo contrário!

    Dominou a habilidade de se ocultar nos bastidores, de fazer crer que não está ali. Mesmo assim permanece, sutilmente trazendo à tona o melhor aqueles à sua volta, deixando que se sintam importantes, deixando-os sentir que conquistam, enquanto realizam ações para ele. Esta é de fato um grande sinal de força!

    Nós, como pais, devemos extrair a lição daquele pai que nossos Sábios dizem ser "o verdadeiro pai", aprendendo a soltar nossos filhos, a não dominar cada decisão que eles tomam. Como uma sombra, devemos adejar cuidadosamente, tocando e não tocando, para que eles possam vir a descobrir sua própria identidade por si mesmos. Esta é a verdadeira bondade, aquela que imita a bondade Divina.

    Fonte:
  • Porção Semanal: Chayê Sara

    13

    Jun
    13/06/2009 às 14h23
    Porção Semanal: Chayê Sara
    Bereshit 23:1-25:18

    Chayê Sara começa com a morte de Sara na idade de 127, e a busca de Avraham (Abraão) por um local apropriado que fosse digno de sua grandeza. Avraham recusa-se a aceitar a generosa oferta de Efron (um membro da nação chitita que vivia na terra de Israel) de dar-lhe Mearat Hamachpela na cidade de Hebron sem custo algum, e Avraham termina por pagar uma enorme soma de dinheiro pelo lote, onde finalmente sepulta sua amada esposa.

    Avraham envia seu fiel servo, Eliezer, de volta a seu país de origem e à sua família, a fim de encontrar uma esposa conveniente para Yitschac. Chegando à cidade de Aram Naharaim, Eliezer alinhava um plano pelo qual conseguirá selecionar uma moça recatada e generosa, apropriada para o filho de seu amo.

    Eliezer reza a D'us para que Ele lhe conceda sucesso nesta missão, fazendo o plano funcionar. Decide ficar à beira do poço da cidade, esperando que uma moça lhe ofereça e a seus camelos, água para beber. Esta pessoa, que dar-se-ia ao trabalho de puxar água para um estranho e seus dez camelos, indo além do cumprimento do dever, certamente possuiria um grande caráter.

    Rivka passa pelo teste, e após receber presentes enviados por Avraham, ela leva Eliezer à casa de seu pai. Eliezer conta os eventos do dia à família da moça e pede a Rivca que volte com ele para desposar Yitschac. Ela aceita, e eles se casam.

    Com o papel de Avraham como pai do povo judeu completado, e o manto da liderança passado à próxima geração, a porção se encerra com uma breve genealogia dos outros filhos de Avraham com sua esposa Keturá (que muitos comentaristas afirmam ser na verdade Hagar) e sua morte com a idade de 175.


    Mensagem da Parashá

    Certa vez perguntei a um rabino em nossa yeshivá local se ele fizera quaisquer planos para a aposentadoria. Respondeu-me sucintamente: "Pretendo me aposentar quando D'us me aposentar. Até lá, não tenho planos de aposentadoria."

    Pensei sobre aquela conversa ao estudar a Porção Semanal da Torá. A Torá nos diz que Avraham (Abraão) era velho, avançado em anos (Bereshit 24:1). Literalmente, a Torá usa o termo que Avraham era "entrado em dias."

    Os comentaristas interpretam isso como significando que Avraham era capaz de fazer cada dia de sua vida ter um significado, mesmo em idade avançada. Além disso, ele podia se lembrar daquilo que conseguiu em cada um dos dias de sua vida, pois cada um deles foi um dia de conquistas e mesmo quando envelheceu, sua paixão pelas boas ações não arrefeceu. Ainda conseguia encontrar energia e sabedoria para trazer um significado à sua existência cotidiana.

    As consistentes conquistas de Avraham durante sua longa vida, apesar das vicissitudes do tempo e da adversidade que teve de enfrentar, fornece um modelo a cada um de nós.

    Ao envelhecermos, não precisamos nos tornar menos produtivos, ou ficar mais lentos intelectual ou espiritualmente, nem temos de nos acostumar a dias inúteis e atividades improdutivas. Tendo Avraham como fonte de inspiração, podemos tornar estes últimos, os dias de ouro de nossa vida.

    Fonte: CHABAD

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